terça-feira, 15 de agosto de 2017

"Noite Nua de Estrelas"

a vida em xeque
por maneco nascimento 

O assunto, ainda envolto de tabu, quase intransponível, entra em cartaz para discutir temática arisca. 
O Espetáculo aborda temática do suicídio e, vem dizer que a vida tem dinâmicas de sobrevivência e é contínuo refletir, discutir e abrir diálogos, porque esta saída ainda pode ser a melhor solução para construir, através da cena dramática, a espinhosa tarefa de quebrar esse mito do silêncio que envolve vidas e decisões de encurtar vidas.

"Noite Nua de Estrelas", estreia no próximo sábado (19), durante o Festival Integrado de Teatro da Unirio [FITU 2017], no Rio de Janeiro, e traz ao palco de decisões e práxis dramáticas de atuação e método o ator piauiense Dan Martins.

A peça narra uma noite na vida de Caíque, um jovem sufocado pelos seus mais profundos sentimentos, após ter sua intimidade exposta nas redes sociais. Preso a uma rede de mentiras, o protagonista do enredo vive as dores e consequências dos seus desejos mais secretos tornados "efeméride" na evasão da privacidade. 
Através do corpo expressionista, o ator Dan Martins entrega-se, sem amarras, ao processo investigativo para vivenciar seu primeiro Solo teatral. A direção do espetáculo é de Diomar Nascimento.

O texto foi construído em 2014, quando Dan Martins propôs ao dramaturgo Vitorino Rodrigues que escrevesse um texto sobre o universo dos suicidas e da relação com a cultura digital. Rodrigues estruturou sua escrita em conexão com a realidade cruel dos desejos suicidas e a poesia de uma relação homoafetiva proibida. 
"Noite Nua de Estrelas traz uma relação insólita do homem com o seu espelho. Caíque é daquelas pessoas que se tremem de medo do escuro, do tipo, 'Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas’. Talvez porque seja na escuridão total que nossos medos, nossos sentimentos mais secretos que a gente teima em esconder, se revelem de forma concreta e assustadora, sem amarras e sem possibilidades de fuga”, afiança o dramaturgo Vitorino Rodrigues.

A montagem é do Coletivo (In)Comum, grupo que propõe um olhar sobre o universo suicida, transitando entre o sentido da vida e os transtornos mentais sociodemográficos. Baseado no Teatro Físico, na Biomecânica de Meyerhold e galgado nas manifestações culturais afro-brasileiras, o Solo provoca discussões sobre temas universais como amor, sexualidade e intolerância.

[No Piauí, o índice de mortes por grupo de 100 mil habitantes chega a 7,6. No Nordeste, essa taxa é de 4,3 casos. O número de óbitos entre os homens piauienses é mais de quatro vezes maior do que entre as mulheres: 13,1 para cada 100 mil habitantes contra a taxa de 3,7 de mulheres.

Assunto mantido entre quatro paredes para tema de série na internet, o suicídio de jovens cresce de modo lento, mas constante no Brasil. De acordo com dados do Mapa da Violência 2017, um estudo publicado pelo Ministério da Saúde, em 12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 - um aumento de quase 10%.]

Compõem o espetáculo, na ficha técnica, a atuação de Dan Martins. Direção: Diomar Nascimento; Dramaturgismo, Wellington Júnior; Iluminação, Leandro Braga; Figurino, Léa Schmitt; 
Caracterização, Lucas de Oliveira; Trilha Original, Chico Rota; Música, Léo Bruno; Participação em Of (Vídeo), Ana Kailani Guimarães e Felipe Côrtes.


O Grupo:

O Coletivo (In)Comum é um grupo teatral formado por alunos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Unirio, dos Cursos de Atuação Cênica e Teoria e Estética do Teatro. O grupo surgiu em 2016, e desenvolve pesquisa voltada para a dramaturgia contemporânea realizada na região Nordeste. É formado pelos nordestinos Dan Martins (PI), Leandro Braga (CE), Diomar Nascimento (BA), e Wellington Júnior (PE). Conta, ainda, com a colaboração de Darlon Silva, Luiza Loroza e Matheus Neves.

*Diomar Nascimento - aluno de graduação em Atuação Cênica da Unirio. Bacharel e licenciado em Educação Física pela UNIP – SP. Formado em Teatro pela Recriarte. Ator, bailarino, diretor, cantor. Viajou pela Europa e África onde está desenvolvendo sua pesquisa de investigação da construção do trabalho corporal do negro e sua ancestralidade.

*Dan Martins - estudante de Atuação Cênica na Unirio. Técnico em Arte Dramática pela Escola Técnica Estadual de Teatro "Professor José Gomes Campos", no Piauí. Ator, diretor de teatro, produtor cultural. É fundador e diretor do Grupo de Teatro Buriti, além de idealizador e coordenador geral da Mostra Buriti de Teatro. Atuou em diversos espetáculos, filmes, e assinou o roteiro e direção do Documentário Buriti Grande [de João a 5ª geração].


*Vitorino Rodrigues - licenciado em letras Português e Inglês pela Universidade Federal do Piauí e especialista em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Piauí. Professor de Língua Portuguesa concursado pela Prefeitura de Teresina, desde 1998, e pelo Governo do Estado do Maranhão, na cidade de Timon, desde 2004. Ator, produtor cultural, poeta e dramaturgo. 

Serviço:
Estreia espetáculo "Noite Nua de Estrelas" | Na programação do FITU - Festival Integrado de Teatro da Unirio 2017 | 5ª Edição
Dia 19 de agosto, às 14h
Na Sala Roberto de Cleto, 6° andar do CLA – Centro de Letras e Artes – Unirio | Av. Pasteur, 436, Fundos, Urca – Rio de Janeiro – RJ.

fotos/imagem: (acervo "Noite Nua de Estrelas"/divulgação)

Mostra Monólogos

Resultados Dramaturgia
por maneco nascimento

Nesta terça, 15, no Teatro "Torquato Neto" acontece a estreia de dois espetáculos Solo, como resultados de Oficina de Dramaturgia//\\Textos Teatrais//\\Pequenos Textos//\\Linguagem Monólogos//\\Teatro Novos Autores//\\Nova Dramaturgia Piauiense.

A Oficina de Textos Teatrais, na edição Monólogos, é construída a partir da facilitação da dramaturga Isis Baião e que, dessa feita, já emplaca o terceiro ano seguido de diálogos interagidos com a comunidade, a partir do apoio logístico institucional do Governo do Estado/Secretaria de Estado de Cultura do Piauí - SeCult.

Hoje, 15 de agosto, às 19 horas tem Teatro Sim! 
"Mostra Monólogos". 
Reiterando a nota: Estreia de Resultados da Oficina de Textos Teatrais - Pequenos Textos [ Monólogos ], com duas atrações em exercício do ator/atriz e método.

"Madame Espinho Solar na Rota da Lava Prato 
Mostra de Monólogos"
I. "O Amanhã, Palavra de Cartomante"
de Angely Costa e Hugo Lenes Menezes
II. "Assim Falou Odel Brecha"
de Larissa Gonzalez,
com Lúci Teixeira.

Os dois resultados, em cena, recebem assinatura, na direção, de Jesus Viana.










(jesus viana/acervo particular)

E a coordenação geral é de Isis Baião. 










(isis baião/acervo particular)

O Mostra Monólogos tem Entrada é F r a n c a !

Ainda na noite, além da Mostra de Monólogos, haverá também a Entrega de Certificados aos participantes da Oficina.

Serviço:
Mostra de Monólogos
15 agosto
19 horas
Teatro "Torquato Neto" [Club Diários]
Entrada FRANCA!
classificação: 14 anos

fotos/imagem: (divulgação)

terça-feira, 8 de agosto de 2017

"Elvis Não Morreu!"

Ele está de volta
por maneco nascimento
Elvis  é tema de Espetáculo Musical com estreia para os dias 09 e 10 de agosto (quarta e quinta feira), às 19h30, no Theatro 4 de Setembro. 

As canções do ídolo, do Rei do Rock'n Roll ao pop, country rock, rockabilly, rock and roll, gospel, R&B e blues rock, desse pop art americano no Musical "Elvis Presley Forever".

A Voz, o mito, a canção na voz mais vibrante do mundo às batidas frenéticas e melódicos sincréticas dos anos que marcam a carreira e encontro dos fãs ao redor do mundo com Aquele que seria inigualável como intérprete, performance, beleza e carisma de atração a toda a gente que viveu para ouvi-lo cantar.

Cantor, músico, ator e compositor terá suas memórias de canções repercutidas no palco e na cena musical de Teresina.

"Elvis Presley Forever" é escola prática do Curso de Música e é comandado professor do departamento, o maestro e diretor musical e artístico do espetáculo, Cássio Martins. 

As gerações atraídas, milhares  de fãs de diversas idades mundo afora marcaram em suas memórias Elvis Presley. 

E, num "revive memories", os clássicos do intérprete poderão ser revividos no Musical "Elvis Presley Forever", um tributo ao cantor e compositor entre um dos mais badalados, amados e festejados em muitas partes do planeta. 

O espetáculo é uma ação de extensão da Universidade Federal do Piauí, do Centro de Ciências das Educação, Curso de Música e do Projeto Cultura no Campus que, para essa empreitada musical encontra parceria do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de cultura do Piauí - SeCult.  
"Elvis Presley Forever" tem uma hora de duração e compõe com os instrumentais, dois teclados, uma guitarra, um violão, baixo elétrico, bateria e um quinteto de cordas executadas por estudantes e pelo diretor musical e artístico do espetáculo, Cássio Martins. 

O Musical conta "a estória de um músico sonhador que entra para um curso de música em uma Universidade, e ali resolve montar uma Banda. e ele começa, então, a desenvolver suas próprias composições, que começam a fazer sucesso e inquietações também em outras Bandas", declara Cássio Martins. 

A personagem principal chama-se João e, com seus amigos, vivencia a descoberta do universo acadêmico e as discussões atuais e transforma em novas ideias e pensamento e ação.

No repertório trazido à cena, canções inesquecíveis como "Love me Tender", "Silvia" e releituras de outros artistas da geração 60, com arranjos e execução realizadas por estudantes do Curso de Música da UFPI. 

A equipe técnica se afina na organização e desenho de figurino da professora Núbia de Andrade Viana, a partir da pesquisa de Ana Raquel de Melo R. Benício, Camila Maria C. S. Oliveira e Gleiciane dos Santos Silva, para a execução de Mayra Camila A. Amorim.

A entrada será 1kg de alimento não perecível. 
A troca de alimentos por ingressos pode ser feita na bilheteria do Theatro 4 de Setembro. Todo o arrecadado será destinado a Instituições sociais Filantrópicas.

Serviço:
"Elvis Presley Forever"
dias 09 e 10 de agosto
às 19h30
no Theatro 4 de Setembro.
Ingresso: 1kg de alimento não perecível
Informações: 3222 7100 (Theatro)/ 9.9951 6887 (Prof. Cássio).

fotos/imagem: (acervo "Elvis Presley Forever"/ wikipedia)

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

mito Levantado

Teatro cotjoqueano
por maneco nascimento

A estreia deu-se na noite do dia 01 de agosto, às 19 horas, no palco do Theatro 4 de Setembro. Veio na esteira dramática deusexmachiana do Projeto Terças da Casa - edição Terça Teatro - mês agosto.

O espetáculo "Elegbara", uma montagem da Cia.de Teatro Jovens em Cena - CotJoc, coletivo que está na lida, de agitador cultural, no bairro Cidade Jardim, há 17 anos.

O espetáculo dirigido por Arimatéia Bispo, para texto original de Toni Edson reinventa o mito, recupera reflexão acerca das vidas comezinhas que coabitam as vilas, favelas, morros e subúrbios brasileiros e transversaliza diálogo direto, eficiente e inteligentemente dramático de carpintaria atualizada à imersão de Obra sofocliana "Édipo Rei".

A encenação para casal, que reúne Cairo Brunno e Janá Silva, às personagens desenredadas ao universo humano, realista, de determinismo implacável às vezes de bebericada na tragédia clássica, ao atualizado contexto de qualquer periferia brasis.

O texto atual, franco e aplicado a um tête-a-tête de encontros e desencontros de destinos alinhavados na mora tradição. No percurso da dramaturgia finalizada à expiação pública e recepções abertas estão os dedos do mapeador de dramaturgia de cena e os suportes que se os complementam, som/música, luz, cenografia, figurinos e adereços.


Um (in)delicado e rude sujo na cenografia abriga vasos comunicantes mass media populares e encorpa a tragédia suja brasileira, que é de tradição nossa e que repercute os becos escorregadios, alisados das gorduras do morro ensebado.Um cenário (Manu Andrade) de ilustrativo realista como é o cotidiano periférico das franjas sociais brasileiras.

fotos/imagem: (Wagner Santos e Jesus Silva)

As interpretações às personagens aliadas por Janá Silva e Cairo Brunno ampliam um afobamento prosódico do senso comum que, quase, esteriliza a performance das construções das personagens que enleiam o trágico nosso de cada dia.

O intercurso de desenho de luz (Arimateia Bispo), com exaustivos "black out's" parecem matar a cena a cada cena e não corrobora muito eficazmente para a encenação trágica. Talvez, e até porque não pareça que a quebra de luz gere estética, mas necessidade de mudança de cena (esconder e reapresentar cenas).

Intérpretes seguros, na fuga deliberada de estereótipos requentados e pasteurizados nos padrões teledramáticos, dão uma causa própria aos limites e às linhas divisórias do teatro realista e metacena trágica.

O jovem e seus jargões que exalam do corpo, vestuária e tre-jeitos de filho da periferia não prejudicam a iniciativa de Cairo Brunno. Dão-lhe um misto de ingenuidade e tônus aplicados à concessão de corpo dramático ao corpus da atmosfera, em que se lhe é enredado na queda submergida ao centro do furacão da tragédia.

Janá Silva andeja entre a adolescente crescida, a jovem impetuosa, a meio mulher em processo de crescer, a maturidade que chega nas experiências de largar o útero e sobreviver a novas investidas e assinala concentrado de busca da verve da personagem, quando da "Escolha de Sofia" investida ao mito, ou quando aplica decantada oralidade no texto final que regurgita as Próprias memórias da personagem, meio Jocasta, meio Édipo em Colona, meio útero reinventado às memórias sangradas.

fotos/imagem: (Wagner Santos e Jesus Silva)

Janá abre um concentrado diálogo de mãe, mulher, puta, filha do morro mal vestido. E a sua contadora de história (aedo, poeta das histórias orais) intercomunica o tempo transversal. A cega, com cajado, às vezes edipiana, amplia a ruptura e tradição trágico clássica.

As ações dramáticas falam por si mesmas. O Euzébio filho do filho dos filhos da mãe dão a continuidade genética do determinismo trágico e, na licença poética (o futuro repercute a própria história e memória) ao teatro encenado do passado-presente-futuro das crias de "Jocasta" (Polinice e Etéocles) no filho gerado do adultério. Intrincado inteligente do escanfandrista (Toni Edson) no mito original feito teatro clássico.

A música original, ao vivo, de atabaques suaves resfriam o trágico que vem em borbotões nas falas e vozes sociais das personagens em embate pela sobrevivência e tragédia dos erros e armadilhas do destino.

As canções de gongá (hinos, músicas, giras) dialogadas no entremeio das cenas, como emendas de diálogos, horizontalizam as baías de todos os oxuns sagradas à extensão da vida como ela é, no enredo da tragédia atualizada. Um quase diálogo musicado às vezes de falas da religião afro brasileiras.

No mapa de sonoplastia (Samuel Morais) aos atabaques suavizados (de)marcam o terreiro de "despachos" e o elementa a um coração que pulsa quente o "sujo" inconsciente, arquetípico, do adultério não previsto pelo Santo.

Os figurinos (Siro Siris) compõem um realismo de cotidiano presente nas melhores famílias de qualquer contexto social brasileiro. Não prejudica e alia identidade cultural.

"Elegara" deu seu recado. Marca seu território de identidades cênicas e reflete vozes sociais em falas de discurso e corpos no corpus composicional da Cia. de Teatro Jovens em Cena.

Evoé, CotJoc!
A vida em cena sorri pra você.
Viva o Teatro brasileiro de expressão Piauiense!


Equipe Técnica de "Elegbara":
texto de  Toni Edson.
Elenco: a atriz JanáSilva e ator CairoBrunno (Ator). 
ManuAndrade (Cenografia); SiroSirisSousa (Figurino); ArimatéiaBispo(Direção e Iluminação); WagnerSantosJesusSilvaGessyvaneRubim e LucasNunes (apoio técnico); SamuelMorais (Sonoplastia), Sr. Ednaldo (Maceneiro)

fotos/imagem: (Wagner Santos e Jesus Silva/\banner arte ascmSeCult)