sexta-feira, 29 de abril de 2016

Diálogos possíveis.

No diverso, a diferença de leituras.
por maneco nascimento

A Escola Estadual de Dança "Lenir Argento" está promovendo, esta semana, de 26 a 29 de abril, a Semana da Dança - Ano 3.

Num diálogo integrativo do diverso das manifestações da dança na cidade e em interações estéticas, também, com representantes da dança de outros estados, convidados, a provocação que envolve oficinas, exposições iconográficas, cinema e instalações e danças e falas e corpos e exercícios e interlocuções de e para corpos falantes, a iniciativa rendeu bons frutos às dinâmicas pensadas.

Na programação da Semana, Exposição/Instalação [Quanta Fotografia?], André Gonçalves; Exposição Ateliê Mindin - arte, papel, corpo e criança (Layne Holanda e Rosa Prado); Movie \ corpo, política, dança - exibição de filmes + Vídeo Doc \ documentários, clipes e vídeos; Oficinas Balé Clássico, com Cícero Gomes, Primeiro Solista do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e com Mel Oliveira, Solista Teatro Municipal RJ; Dança Contemporânea, com Clarice Lima (Sampa) e as apresentações gratuitas no palco do Theatro 4 de Setembro.

Na noite do dia 28 de abril, o Theatro 4 de Setembro recebeu Socorro Bernabé (professora de clássico, há 31 anos exercitando  dança na Escola "Lenir Argento") que bridou os convidados com um número Solo, de dança espanhola/gitana, para o apurado da experiência e precisão de marcas na dança caliente hispânica, ao perfil da partitura de Bernabé, qual vinho maduro em carvalho andaluz.

O Cordão Grupo de Dança trouxe uma coreografia das intérpretes criadoras e componentes da Cia., em que discutia o papel da mulher contemporânea e seu lugar na sociedade atual. Política de afirmação pessoal e coletiva, em falas do corpo desenhadas ao discurso de interagir o social, o artístico, o estético e o político e  identidade e pertencimento no meio social em que se está contido. Ótimo exercício que dança o papel cidadão, na aplicação reflexiva, através do manifestado da arte da dança.

O Coletivo Balé Popular do Piauí apresentou, em seguida,  a coreografia “Malandro Burguês”, coreografia de Márcio Gomes, para temas musicais do velho Chico Buarque e seus malandros do cancioneiro nacional e outros variantes dos morros cariocas.

Graça e estilo de compor dança temática e deslizar amor, aos passos de dança, feito forma de alegria e mais felicidade geradas no exercício livre do corpo, em linguísticas apropriadas a reproduzir a cultura nacional, espelhada nas falas e diálogos estéticos da dança.

Os intérpretes do Balé Popular do Piauí brincam de ser felizes, ao passo em que bem dancem e domam a atenção da assistência, enquanto liberam empatia e liberdade de aprendizes de feiticeiros, às magias e linguagens de corpos falantes, na franca compreensão de si mesmos pelo exercício da dança.

Após os números acionados, houve um bate papo que reuniu todo o coletivo envolvido nas artes e partes e interfaces da Semana da Dança - Ano 3.

Soraya Portela abriu as conversas, saudando a todos os presentes, pais, irmãos, tios, padrinhos e mais constituintes familiares e convidados presentes à plateia.

A palavra à Bebel Frota, mediadora das conversas de leituras abertas à diferença ao ato criativo, foi para lembrar do campo de interação da dança nas escolas formais e de que, muitas vezes, profissionais da educação física ocupam espaços de manifestação da dança, junto ao alunado, embora nem sempre estejam muito aptos ao desempenho da função de facilitadores da dança. A carga horária, disponível nos bancos acadêmicos, não habilita um professor(a) de educação física a professor(a) de dança.

Quanto à Semana da Dança, Bebel Frota, reiterou sobre os processos criativos e ampliados à comunidade como maneira de interagir mais e gerar na diversidade manifestada na dança, exemplos de integração social, artística, cultural e de consciência do corpo que obra o fazer e o novo fazer na dança, para  dança e com a dança, em vieses de criação e produção artísticas.

Abertas as falas às experiências dos Coletivos, que desempenham a dança, em eixos sociais dos bairros de Teresina, o Cordão Grupo de Dança apresentou, através de componentes e atuantes nos processos criativos da Cia., as impressões e expressões de compor dança, nova dança, e ampliar os olhares e serviços à arte e cultura do corpo, na região da grande Dirceu, Projeto plantado dentro de uma escola formal do bairro Renascença.

Falaram dos processos de nascer com e para o Cordão Grupo de Dança e das interrelações criadas, pelo iniciador do Projeto, Roberto Freitas, à facilitação da dança exercitada no Coletivo. E também das trocas de diálogos, com quem mais sabe e os que podem ensinar a aprender, em construtivismos sócio culturais à comunidade que representam.

Weylla Carvalho, professora da "Lenir Argento" falou da importância da família estar presente na Escola; dos processos pessoais de acompanhar e participar das atividades do Cordão, na escola formal em que, pela manhã lecionava disciplina curricular e, à tarde, compunha o corpus de facilitadores do aprendizado de construção artística do Coletivo. Reiterou sobre como o apoio familiar pode desempenhar papel importante no futuro dos aprendizes da dança. 

Que pais, familiares e afins que têm crianças, dançando, podem participar mais das atividades dos filhos e afilhados, et al. Que podem dançar, mesmo que não dancem, formalmente, mas dançam enquanto imbuídos no processo dos filhos. Que a  dança possibilita saltos, não só de aptidões motoras, intelectuais e artísticas nos aprendizes, mas abre também a formação e profissionalização de praticadores de dança, que lhes possa assegurar futuro como trabalhadores na área.

Datan Izaká, um dos pensadores da Semana da Dança, discorreu sobre as escolas, oficinas e demais laboratórios de dança e dos acessos de maturidade e expansão das escolas, academias e renovados padrões formais e informais de construção da dança na cidade.

Citou Luzia Amélia, com a Escola Balé de Teresina e seus projetos pessoais que a levaram para fora do estado, onde se especializou e tornou-se mestra em dança. Lembrou, também, de outro(a)s profissionais que também se pós-graduaram na área de dança, reinventando-se dentro da profissão de escolho artístico.

Saudou os presentes e lembrou que na noite do dia 29 de abril, antes das ações da Semana da Dança, no palco do Theatro 4 de Setembro, haveria a apresentação do Coletivo de Dança da Casa de Zabelê, às 18 horas, na Galeria de Arte do Club dos Diários "Nonato Oliveira" e, em seguida, as atividades seriam no Theatro. 

Convidou o público presente, àquela noite do dia 28 de abril, a prestigiar o trabalho das meninas da Casa de Zabelê, que têm à coordenação de cena a coreógrafa e bailarina Kiara Lima.

As falas imprimidas naquela noite, da Semana da Dança - Ano 3, foram de sinceridade e respeito a quem produz e se faz sujeito de dança e repercutiu o cuidado e preocupação com a arte de dançar que se pratica na cidade.

A boa diferença percebida nos diálogos pensados e exercitados, às expensas de discutir dança, é que no diverso manifestado, mesmo que gere indiferença aos desavisados, aciona as + diversas leituras, abertas às estéticas de recepções livres.

Evoé, "Lenir Argento" e Coletivos de Dança em diálogos possíveis!

A Semana da Dança diz que é melhor que se "dance, dance, dance... dance sem parar..."


Serviço:
hoje, 29 de abril

  • na Galeria de Arte CD "Nonato Oliveira", às 18 horas

Casa de Zabelê em dança

  • no Theatro 4 de Setembro, às 18h30

Clássico: Cícero Gomes e Mel Oliveira
Contemporâneo: "Intérpretes em Crise", com Clarice Lima e Aline Bonamin

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Amores de margem

dança de passagem
por maneco nascimento

[(...) Gurdjieff propõe estudar as vibrações que os ritmos e melodias causam dentro do corpo. As transições entre as posturas colocam o nosso corpo como um passageiro ativo/passivo dentro do fluxo exigente de aprendizado de coordenações motoras e espaciais de grandes dinâmicas. Para isso é necessário um longo trabalho para deixar-se preencher por aquilo que é simples, mas que contém uma enorme complexidade. Os efeitos das danças são mais evidentes e inesperados, dependendo de como nos exercitamos e da qualidade da nossa atitude interior. Os movimentos nos enraízam de forma profunda em nós mesmos. Eles descascam todas as ilusões culturais e sociais. O corpo precisa relaxar para conhecer quem o habita e reconectar a essência (...)] ( do Carmo, Lina. Corpo do Mundo. Rio de Janeiro: Livros Ilimitados. 432 p. [Bem-vindo à fricção, pags. 390])

Na última terça feira, 26 de abril, o Complexo Cultural Club dos Diários/Thetro 4 de Setembro retomou o Projeto Terças da Casa e, na versão Terça Dança, apresentou  estreia de novo espetáculo de nova dança à cidade.


Com direção e coreografias de Beth Bátalli, o espetáculo "Amores" traz, à observação pública, uma nova proposta da bailarina e coreógrafa, em que ilustra na discussão de corpos no expresso da dança aos sentimentos e ações que corroboram e ou se enfrentam no tema de paixões, amores e dores, inflexionados pelos movimentos e desenhos propostos pela dramaturgia.

A estreia de "Amores" deu-se no Theatro 4 de Setembro, às 19 horas. Estava assinalado em arte de dança, o Terças da Casa - Terça Dança e o movimento de corpos, em vozes e linguísticas aplicadas, à práxis das falas do corpo experimentadas por Beth Báttali e o corpus que compõe o objeto de propósitos em dança nova.

Na cena, os aprendizes de feiticeira, Atena Adriana, Antoniel Novaiz,  Mary Sousa, Ramon Ferreira, Sidarta Kamala e Robert Rodrigues, regidos por Báttali, em esforço dedicado para exprimir bem o tema dado e, imprimir identidade ao sujeito que faz-se em dança de si para o outro e encontre reverbero do outro para cada um(a) na cena, que desenvolvem ao enredo dramático.

Canções populares nacionais encontram sinais de entrada para mapeamento e descrição dos sentimentos que passam pelo corpo e eneagramas de "eu periféricos" (Gurdjieff) que conseguem trazer à tona da expressão a gestos garimpados, na cartografia dramatúrgica apresentada pelo corpus dançante.

Dos gestos da lição de cor da nova dança, que deslizam pelas expressões sonoro melódicas, os intérpretes detêm força base de aprender a aprender a dança verbalizada e intuem técnica de ritmos, melodias, posturas, dinâmicas e gestos  à cata das espacializações, buscando quebrar a película que abra caminho à conquista do simples dançar, contido no complexo de melhor expressar, enquanto ainda repercutem amores de margem, no objeto ditado na marca de ordem.

Há nisso tudo que gira em torno de "Amores", alguma beleza dedicada, em mais licença e poesia, de quem dança porque ama dançar e por todo o empenho de enviar recados do corpo que fala de (in)visíveis sinais de partitura de cada bailarino (a) contido(a) na narrativa dramática.

As intérpretes deslizam suaves. Os meninos, impetuosos, entremeiam  quebra e emendas dos amores consentidos pelo desejo narrado, mas há em algum, ou outro, uma dispersão da própria (in)consciência do Narciso em não abandonar o lago cômodo.

E, sem o neutro,  a personagem vem carregada das idiossincrasias pessoais e brilho do reflexo contagiando uma possível e melhor pegada do macho alfa. O amante que prende, solta, beija, "subjuga" seu desejo e oferece rosa com tônus do partner/parceiro, de sangue e areia, da mulher amada.

Às vezes o bailarino, contraventor da tradição e vetor da nova dança, ainda assim precisa mergulhar na memória e história da dança tradicional, não para ser Nijisnki ou Barishinikov, ou mesmo que sempre os negue possa definir melhor a postura física, neutra e forte, de tônus preciso que abalize a contradançante, a que imprime delicadeza e suavidade ao diálogo da escrita dramatizada. Assim, não haveria uma quase metamorfose da escrita em cena, onde o casal perde o contraponto, a assimetria da coreografia.  A ideia perde os oxímoros da estética dos corpos.

Fora um certo ausente dos opostos do contraditório, das gentilezas cruéis, dos belos horrorosos, da música ruidosa da partitura do corpo, em contraponto à simetria melódica e musical das canções dramatizadas, "Amores" se instala para a atenção da recepção.

Os figurinos carmins e, em desenhos ao corpo semi exposto, como que a declarar nua a pele de amores revelados. A luz de Pablo Erickson cria nuances de apropriação dos sentimentos contidos na pauta musical de melodias do sentimento dos corpos expressos na cena.

"Amores" junta dança, canto, teatro, poesia e ousadia estabelecida na cena da nova dança. Assinala ao imaginário os encontros e desencontros à força do amor, em dores de paixões reverberadas, desejadas e perdidas à ressaca das dores de "Amores".

A montagem recebe a assinatura do Projeto 8. Um Coletivo de artistas, com nascedouro tatuado à roda do destino cênico, à cerca de um ano. Desde então vem investindo na própria história e em franca insistência para manter a dinâmica criativa de gerar nova dança.

"Amores" está lançado ao covil de lobos e leões, deve maturar a experiência de resultado dado ao público e azeitar os passos na arte, da repetição da repetição, ao exercício do execício que foque na metacena de reinvenção das possibilidades.

fotos/imagem: (acervo Beth Báttali in Dança/ Projeto 8)

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Flor da alegria

cena perfumada em "Flor de Macambira"
por maneco nascimento

A Praça do Liceu (Landry Sales) recebeu a alegria nordestina, da Paraíba, na noite do dia 25 de abril, às 19 horas. O espetáculo histriônico ao pé direito para as farsas felizes, uma montagem do Grupo Ser Tão de Teatro que girou  cena, em doce felicidade de representar a arte e a cultura popular, aos vieses de dramaturgias aplicadas à cena na rua.


As músicas tradicionais, num mexido caldeirão das cirandas, marujadas, cavalhadas, modinhas populares, romances de heranças ibéricas em memórias medievas oralizadas, festejos e romarias e casamentos, em transversal de quebra do "velho", às rupturas de reinvenção das festas de terreiros e pátios, apropriam tradição e novidades e ritmos urbanos, licenciados às dramaturgias musicais e narrativas naturais populares.


O drama enreda romance intertextual a Shakespeare nordestinado, com pecha das espertezas malazartianas, magias, crenças, gracejos e a vitória do bem sobre o "mal", que redime as pequenas culpas, erros e o mal passo da mocinha que rompe com o eixo familiar, para manter o amor pelo mancebo escolhido.

(drama elizabetano a la nordestino/fotos: bruno vinelli)

"Flor de Macambira é uma festa popular com música, comicidade, cor e teatralidade que conta a história da jovem Catirina, a mais bela flor da Fazenda Macambira, que sucumbe aos vícios e tentações mundanas e, para salvar-se a si e a seu amado, mergulha nas profundezas de sua alma." (fonte: Coletivo Ser Tão Teatro)
Categoria: Espetáculo de Rua

Na atualização dramática, aos discursos e vozes sociais de política e negócios, aparecem as representações aos banqueiros, bicheiros, coronéis espertalhões, pregoeiros da farsa e das feiras livres do toma lá, daria cá; à morte e ressurreição, curandeiras/bruxas/xamãs ou redentoras de destinos do tempo; os rituais de dança e religiões e magias sincréticas, que tão bem repercutem o imaginário popular nordestino.

A cenografia se ampara numa pequena boca de cena, à feita de caixa mágica a quase um tenda de bonecos da feira. As fugas e passagem do dentro para fora, pela boca de cena, se instalam no mostrar e esconder das personagens através de cortina, persianas de sentido vertical, à base de couro na cor natural do barro.

As outras entradas e saídas, de apresentação de artistas e elementos e adereços de emenda cenográfica, se dão pelas laterais e fundo da caixa gigante, de brinquedos lúdicos, armada à trama de "Flor de Macambira". Ação e mote felizes do SerTão Teatro, arte, cultura e ativos sociais nordestinos, do recorte poético dramático, de João Pessoa, na Paraíba.

Os elementos de cena, adereços; a música ao vivo e as canções entoadas e coreografias das festas populares, as máscaras trágicas e cômicas que vestem as personagens e personificam as características do suscitado à história, são de uma beleza e plástica ricas, determinantes da estética redonda que inclui a maquiagem, de efígies prontas, e figurinos mimetizados aos narradores compostos ao enredado.
(a mocinha Catirina, entre os urubus/foto instagram sesc piauí)

As composições de figurinos, às cores terrais e todo o mais que elementa cor, corte, rebuscados e detalhes de afinação das vestimentas, oralizam em sua escrita de estética de identidade cultural uma afinação plástica, de também contar a história no vestir das personagens.

58 minutos de pura alegria, dinâmica teatral eficaz para espetáculo de rua azeitado pela Ser Tão Teatro, numa classificação de liberdades cênicas e técnicas afiadas de beleza e eficácia do teatro à linguagem de enredos da cultura popular revisitada. Os folguedos de tradição e as danças populares brasileiras ganham cor e empatia naturais, com texto de Rosyane Trotta e direção de Christina Streva 

Christina Streva, na direção da obra dramatizada sabe bem como melhor aplicar arte e práxis na cartografia dramatúrgica e vai para a galeria de plateia, com uma segurança de eficientizar o diálogo interativo estético às feições do teatro de propósitos. 

Os integrantes da Cia paraibana, Isadora Feitosa, Gladson Galego, Pollyanna Barros, Zé Guilherme, Ana Raquel Apolinário, Winsthon Aquiles, Thardelly Lima, Cida Costa, José Hilton, Rafael Guedes, Herlon Rocha têm o mapa da mina cênica e maturam proposta de bem encenar. 

Integrantes da Ser Tão Teatro, e elenco aplicado da peça vista, definem-se, muito bem obrigado, em escolha, pesquisa, linguagem e resultados dramáticos muito felizes à cena brasileira, em "Flor de Macambira".  O espetáculo prende o público e tira-lhe todo riso desejado a efeitos de recepção cênica eficaz. 

O teatro brasileiro das tradições populares bate à porta da alegria e se identifica como Ser Tão de Teatro. O faz com muita competência de ser tão e mais nordeste, Paraíba, Brasil de inventário cultural inestimável.

Serviço:

O espetáculo se apresentou dia 22 de abril, em Parnaíba; dia 25, em Teresina e, em Floriano, a apresentação de “Flor de Macambira” acontece dia 27 de abril, às 19h30, na Praça Dr. Sebastião Martins. No dia seguinte, o grupo ministra oficina Ser Tão Energético, repetindo a práxis escolástica mantida em Parnaíba e Teresina.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

3 X 3

Jogos dramáticos, humanidades redimidas
por maneco nascimento

Um triângulo das felicidades poéticas consentidas. O tripé das coisas raras feito obra dramática eficaz, quando reunidos autores (literatura/dramaturgia), ator e diretor em espetáculo de desafios humanos e ciência estética da construção da personagem e desconstrução das peças que unem o jogo da verdade cênica às "mentiras", na arte do fingimento e práxis de persuadir e convencer na força do ato de encenar.

Um autor, um dramaturgo, um ator e um diretor, quatro peças para um jogo três a três nos campos do lúdico de frases de efeitos, textos, fases e nuances das falas dramáticas, vozes do teatro às narrativas do dramático de primeira e terceira pessoas, na Pessoa do romancista Cristovão Tezza, do dramaturgo Bruno Lara Resende (adaptador do texto literário ao dramático), do diretor Daniel Herz e do ator Charles Fricks, que obram o milagre dos peixes à cena de "O Filho Eterno".


Espetáculo patrocinado pelo Ministério da Cultura e Petrobrás, que abriu temporada em Teresina, nos dias 22, 23 e 24 de abril de 2016, às 20 horas, no Teatro "Torquato Neto" (Complexo Cultural Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro), "O Filho Eterno" desempenha amor e "ódio" temperados à recepção, furacão e branduras à ressaca das tempestades humanas, com uma qualificada carpintaria dramática do texto adaptado ao teatro.

Sem deixar gorduras, nem conter melindres puristas na abordagem do conflito da personagem/autor, escritor ralentado, marido desempregado, pai de família, artista em entressafra da criação e pai de primeira viagem de um filho, com síndrome de down, a construção dramatúrgica textual, em simbiose à de cena, vai ganhando corpo e pulsação de verdades proibidas e regurgitadas da natureza humana à cênica, como uma pérola aos outros, avisados e desavisados, e colhe-os a todos com competência e precisão de arrastar "peixes" ao entendimento dos diálogos e vozes sociais carpintados ao melhor teatro, sempre-vivo.

(Charles Fricks é e está inteiro em "O Filho Eterno"/acervo: Cia. Atores de Laura)

Sem excessos, nem desgastes. Conflitos e dores e amores e pequenas maldades da alma, em histeria econômica e, ao mesmo tempo, exasperada, da aceitação/negação da natureza própria espelhada na natureza do outro, fruto de si e continuidade de genética e alhures.

Nas discussões do traço familiar e do traçado doméstico, em confronto com o social e íntimo revirados, estão imprimidos à razão e sensibilidades testadas a falta de escolha do "perfeito", enquanto gerado na forma do filho "imperfeito".

"O Filho Eterno" um suavizado tapa, em luvas do trabalho do bicho da seda, que compõe a obra de dramaturgias caras e estéticas livres e leves do jogo dramático, que encontram na arte do ator e método a primazia de eficiência lúdica e técnica de bem representar a natureza e a alma humanas, no artístico do fingimento.

(as vozes e o diálogo nas escritas de si e do outro/acervo: Cia. Atores de Laura)

Tezza, Lara Resende, Herz e Fricks acertam na mosca. E deixam a plateia em choque suavizado à força do encenado. Charles Fricks não só nos dá de presente uma maturidade interpretativa do fazer teatro, como em solidariedade da profissão dedicada a seu público aplica pureza, sobriedade tranquila, amor incondicional na arte de interpretar, a retorno da recepção atenta.

Seu repertório, de nuances e variáveis de vozes e emoções num turbilhão conflituoso de ser e não ser, imprime um libelo da grande arte do ator. É belo ver o intérprete "brincar" com as intenções e inflexões dramáticas arguidas e prospectadas do âmago da consciência do artístico e técnico, em corroboração ao sentimento e emoções calorosas do conflito.

Entre a fera e o belo construídos à personagem do pai com filho down, Charles despeja arte sublime e método pragmático de bem construir a personagem. Libera uma catarse que ao tempo em que condena, redime o pai numa transição levemente densa.

Paira na arte do ator, entre alegrias e dores numa contenção explosiva de intérprete, a energia inteligente do teatro vivo. A cartografia de cena cumplicizada pela direção e ator ampliam o discurso das vozes que geracionam amor puro e atomizam a matéria do discurso limpo, de natureza do bem e do mal presentes na natureza de qualquer um.

Tudo feito num jogo, de quatro cabeças criadoras que equacionam  matemática de 3 X 3, o fim da partida de "O Filho Eterno" é inteiro para corpus do corpo construtor da cena viva. Tezza/Lara Resende, Herz e Fricks, pais e filhos da obra dramática, expandem laços humanos, são pais de filhos eternos às expensas do belo ato de "O Filho Eterno".

Evoé, Cia. Atores de Laura! 

(companhia carioca de teatro vivo/acervo: Cia. Atores de Laura)

Tais filhos desta cena não poderiam ter sido gerados senão pelo universo que conspire, também, Laura.

Macktub!  

sábado, 23 de abril de 2016

No 21 em 21 - o retorno

Aniversário do 4 de Setembro - segunda temporada
por maneco nascimento

Abertos os tempos de jogos culturais e festejos ao aniversariante, a Maratona Cultural consignou a Oficina e apresentação de “Dádiva” (Núcleo de Estudos Dramáticos – NED), na Galeria de Arte “Nonato Oliveira”.  A Práxis dramática deu-se das 13h às 15h. Depois o público seguiu ao Theatro 4 de Setembro e conferiu a exibição do filme “Mocambinho”, de Franklin Pires, a partir das 15h30.

Às 17h, no Salão Nobre Auditório “Chico Pereira” as homenagens foram todas voltadas ao dramaturgo piauiense. O Projeto Ciclo de Leituras Dramáticas/Coletivo Piauhy Estúdio das Artes realizou a leitura do texto “Uma carga de laranjas”, comédia chicopereireana muito divertida. 

O Salão Auditório “Chico Pereira” foi disputado pelo público e, as respostas à cena as melhores possíveis. Com a leitura dramática descerrou-se, extra e oficialmente, o novo auditório da Casa, o do Salão Nobre “Chico Pereira”.

De lá, o público desceu direto ao Café Literário “Genu Moraes” e Galeria dos Diretores. Ali houve o lançamento do livro “Lirismo antropofágico e outras iscas minimalistas”, de Marleide Lins e Yolanda Carvalho”. Atividade que rendeu um público refinado e diverso.
*****(Marleide autografa Livro ao governador W. Dias/acervo M. Lins)

O lançamento veio seguido pelo Show Mulheres 2016. Este show, originalmente realizado em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, no dia 8 de março, reúne 11 mulheres entre cantoras, pianista e atrizes da cidade.

Bid Lima (atriz),  as cantoras Ana Virgínia, Bebel Martins, Darlene Viana, Gabriela Gabi Carvalho, Helena Beatriz, Laurenice França, Solange Leal, Rosinha Amorim , Sílvia Marrom e, Carla Ramos, ao piano. 

Show que aglutina diversidade de vozes e talentos, estilos e repertórios e homenagens às grandes Divas nacionais e à MPB. Bid Lima, num diferencial rebuscado, interpreta Amy Winehouse, com muita competência.

Brilhou, também, na noite, em participação especial a Orquestra de Rabecas, da Escola de Rabecas de Bom Jesus do Gurgueia. Dino Alves, o cartunista mais presente na noite boêmia do Corredor Cultural do centro da cidade, está também bendito entre as Mulheres da Casa de Madame Carla e vai contando sua história de artista, através dos cartuns que constrói, simultaneamente, das personagens cantoras que deslizam no palco.
*****(Dino Alves em traços e tintas do humor/ por Elizângela Oliveira)

Com produção de Carla Ramos e direção de João Vasconcelos, esse encontro de Mulheres gera bons momentos de leveza aos ouvidos e uma volta aos bons tempos da velha canção brasileira que nos encanta. Essas Mulheres arrebentam corações, enquanto aliviam ouvidos.
*****(foto histórica dessas Mulheres e parceiros/por Elizângela Oliveira)

A última atração da noite, segundo tempo da Maratona Cultural que começou lá pelas 6h30 da manhã e seguiu tempo regulamentar de boa energia artística, armou sons livres em fúria e profecia de paz, na força de Bia e os Becks.
*****(Bia, entre fãs e tietes e amigões/por Kaio Rodrigues)

O showzaço, no Espaço Cultural “Osório Jr.” cantou as pérolas do matiz da música nacional e, carregado de humor, felicidade artística e carisma indisfarçável de Bia e seus Becks parceiros. Essa Banda supernova da terra do sol do equador e da expansão de átomos em proteus rupestres, newtrons e elétricos ritmos revoluciona, em seus reinventados da fórmula tradição e ruptura à forma de revisitas.

Não poderia ter finalizado melhor essa ousada Maratona Cultural, senão com Bia e os Becks.
Vingou sangue pagão e sacros atos a Baco e outros elementais da cena cultural do universo conspirador da cepa artística local e quiçá de todas as frentes, fontes e sinais da melhor expressão.

Evoé, Theatro 4 de Setembro!

***** (Bid Amy Lima Winehouse: um show à parte)


fotos/imagem: (elizângela oliveira./kaio rodrigues)

No 21 em 21

21 de abril, aniversário do  4 de Setembro
por maneco nascimento

Na manhã, já no alvorecer do dia, às 6h30, a Cia. Talismã de Circo, na porta do Theatro  4 de Setembro, abriu seus números de acrobacias, malabares, pernas de pau, circo chinês e a alegria do maior espetáculo do mundo. Foi o pontapé feliz, de abertura da festa de aniversário do Theatro 4 de Setembro que, neste dia 21, completou 122 anos.

Em seguida, no Café da Manhã aos artistas e convidados, houve um momento descontraído e, informal, em que o Secretário de Cultura, Fábio Novo, apresentou aos convivas do encontro as novidades recebidas pelo Complexo Cultural Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro, mais especificamente, revitalizações no patrimônio arquitetônico do Theatro 4 de Setembro que está com novas infraestruturas conferidas ao prédio e, à disponibilização pública, os espaços à ocupação.

Novos camarins personalizados, Salão Nobre “Chico Pereira”, Oficina “Procópio Ferreira”, novas ambientações à área administrativa. Todos os espaços do Complexo, palcos do  4 de Setembro e “Torquato Neto”, Galeria de Arte “Nonato Oliveira”, Espaço Cultural “Osório Jr.”, Bar do Club, Salas de Oficinas e ensaios e todos os outros ambientes do Equipamento cultural, aptos a receberem ações artísticas e culturais.

O Secretário também discorreu sobre as obras que seguem, em espaços culturais, na capital e interior, e também sobre a volta do Projeto Boca da Noite, que, além de seu local cativo no "Osório Jr.", será itinerante. Percorrerá alguns municípios pólos, aderindo a música às Casas de Cultura no interior.

O Café da manhã foi concorrido, onde os colegas de classe, jornalistas e convidados dividiram a convivência saudável do encontro. Na agenda, que se seguiu, a abertura da Exposição “Sinais do Barro”, com peças de João Borges, na Galeria de Arte “Nonato Oliveira” e a apresentação, no mesmo ambiente, do Balé Popular do Piauí/Escola Estadual "Lenir Argento, com a coreografia “Malandro Burguês”, de Márcio Gomes.

A Maratona Cultural foi ganhando fôlego e o teatro veio coroar a manhã, com cenas dos espetáculos apresentadas no Teatro “Torquato Neto”. “Apareceu a Margarida”, com Edith Rosa, numa performance concentrada no ato e método da atriz, que nos apresenta uma professora à beira da esquizofrenia desenfreada. A atriz consegue ser trágica, com humor particularmente dela, sem desmerecer o autor Roberto Athayde, que muito presente na picardia e ironias escatológicas e políticas da dramaturgia afiada.

Wilson Gomes de Sousa trouxe, em seguida, trouxe sua atração construída para o “Diário de uma Camareira”. A plateia atenta cumplicizou o drama da profissional dos camarins, no ocaso da profissão. Wilson Gomes corrobora com uma dignidade e acento de memórias da profissão, dos bastidores do teatro, com a dose de bom ator que consegue atrair e manter a atração do público.
*****(Wilson GSousa é a Camareira/acervo W. GSousa)

Ainda no Teatro “Torquato Neto” a exibição do filme documentário “O Cine Rex e Nós”, de Alan Sampaio, que aborda memória e história da Casa de cinema e seu fechamento. Com o curta piauiense cumpriu-se o rito de atos e cenas, na área do Club dos Diários.

O público foi convidado a conhecer os novos camarins, agora personalizados. As portas dos camarins receberam fotos de artistas das mais expressivas linguagens culturais da cidade. Os homenageados, Marleide Lins (literatura); Lorena Campelo (atriz); Lina do Carmo (coreógrafa e bailarina), Adalmir Miranda (diretor e ator); José Afonso de Araújo Lima (ator, diretor e dramaturgo); José Luis Andrade (produtor cultural); Bid Lima (atriz e performer);  Antonio José (técnico de teatro) e Bebel Martins (cantora).

Das visitas aos camarins, o público se acomodou na Sala de Oficina “Procópio Ferreira”, onde assistiu a três cenas da montagem do espetáculo “Anjo Negro”, de Nelson Rodrigues, e direção de Luciano Brandão.  Das cenas vistas, um mapa de traçados matemáticos, discretos e licenciados à ordem dramática de concentração econômica e trágica.

*****(Adalmir Miranda e Bid Lima à porta personalizada/cervo A. Miranda)

O elenco, da demonstração dramatizada ao ambiente doméstico da casa, reuniu corpus para quatro personagens, três mulheres (a dona da casa, a tia e a empregada) e o dono da casa (o negro). Diálogos limpos, sem afobamento, e cuidadosa coreografia de movimentação das cenas tão afinadas em elegância à ação dramática proposta, pela cartografia dramatúrgica solicitada por Luciano Brandão.

A ação dramática, em “Anjo Negro”, fechou o roteiro programado, à parte da manhã, ao itinerante de ações a público cortejo. A manhã que começou com a alegria do circo, elevou continuidade a ritos e rituais das linguagens artísticas, pulverizadas em espaços do Complexo Cultural e, sempre contando com uma presença muito curiosa do público.
*****(elenco de "Anjo Negro": Oficina "Procópio Ferreira"/acervo Kaio Rodrigues)

Dadas, por encerradas, as atividades das horas, o diretor João Vasconcelos lembrou que os trabalhos, após uma pausa ao almoço, seriam retomadas às 13 horas, com uma Oficina e a apresentação do espetáculo “Dádiva”, do Núcleo de Estudos Dramáticos/Escola Técnica de Teatro “Gomes Campos”, dirigido por Chiquinho Pereira.


O primeiro tempo da Maratona Cultural, com eficiência de campos diversificados de linguagens, foi jogado e o certame apontava a jogos artísticos que viriam completar a Maratona, na segunda partida da tarde, entrando pela noite. 




 *****(era dia 21, o Theatro aniversariava/foto ascom secult)

Era dia de comemorar o Theatro 4 de Setembro.  


Box memorial:

O Theatro 4 de Setembro detém duas datas de aniversário.

A que dá nome ao Theatro, quando em 1889 as senhoras da sociedade foram ao Governo da Província solicitar a construção de uma nova Casa de espetáculos à comunidade.

A data histórica 4 de setembro virou o Theatro 4 de Setembro e, se comemora seu aniversário, neste dia em setembro.

A outra data, também emblemática, é a de entrega do Theatro pronto à Teresina. Em 21 de abril de 1894, o 4 de Setembro era inaugurado, com pompas e circunstâncias.

21 de abril, então, é  primeira data de calendário e  segunda data histórica. O 4 de setembro, a primeira data histórica e a segunda data de aniversário.

Neste no de 2016, o Governo do Estado e Secult resolveram comemorar, pela primeira vez a data histórica de entrega do patrimônio arquitetônico edificado, ao tempo em que festejou a entrega das obras concluídas de restauração, modernização, recuperação de teto, telhado, pintura interna e fachada, com iluminação de fachada (leds), infraestrutura hidráulica, elétrica e patrimonial e entregá-la renovada, após vinte anos desde a última intervenção.

Está entregue à comunidade, com diversos espaços de absorção de demanda reprimida e ampliação de recepção da manifestação artístico e cultural local, nacional e alhures.

No século 21 em 21 de abril, o tempo de hoje foi de festejar o novo Theatro 4 de Setembro. 


*****(a fachada imponente aos olhos de Ademilton Moreira)

fotos/imagem: (ascom secult./wilsom gsousa./adalmir miranda./kaio rodrigues./ademilton moreira)

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Parabéns pra você.

Evoé, Theatro 4 de Setembro!

O Theatro 4 de Setembro completa 122 anos, nesta quinta feira, 21 de abril de 2016. A maior Casa pública de espetáculos do Piauí foi entregue à comunidade, em 21 de abril de 1894, quando o Governo da Província do Piauí  dava, por fim, como encerradas as obras de construção do tão esperado Theatro, nomeado de 4 de Setembro, em virtude desta ser a data em que a construção do Templo das artes foi reclamada.
(arte visual/Poliana Oliveira)

A obra tocada por Manoel da Paz, o primeiro diretor do Equipamento cultural, quando inaugurado. A construção teve seus revezes de recuos e avanços de verbas, mas enfim o Theatro foi entregue à cidade. 

O patrimônio, arquitetônico edificado, reunia charme de arcos de fachadas, portas, janelas e balaustradas, saídas de fuga, dois grandes cachorros de louça (confundidos com leões), no alto de cada lado, das colunas da fachada frontal, e um palco (sem cortinas de boca de cena e internas) e plateia e galerias (sem cadeiras),  mas entregue a obra concluída, pela inauguração.

Desde então, à época, a sociedade mobilizada trabalhou para equipar a Casa, com o necessário à vida útil, e começar a receber espetáculos, já que sempre fora uma exigência que a cidade detivesse um Theatro para grandes companhias nacionais e estrangeiras. Essa história começa lá em 4 de setembro de 1889, quando senhoras da sociedade foram ao Presidente da Província "exigir" a construção de Theatro, que fugisse das agendas e palcos de prestidigitadores.

O anseio reclamado erigiu este que é o Theatro 4 de Setembro. Nossa conhecida Casa de espetáculos legada ao século 21. O 4 de Setembro, em comemorações de 122 anos de existência abrirá, neste abril de 2016, a Maratona Cultural com ações artísticas por todo o Complexo. 
(arte visual/Avant Garde Edições)

Das 6h30,  alvorada cultural, segue até às 22 horas com atividades pontuais e itinerantes, em vários espaços. Na oportunidade, também se festeja a entrega das obras concluídas no todo do Complexo Cultural.

As atrações planejadas trazem o circo, teatro, dança, música, exposições, lançamentos de livros, performances, leituras dramáticas, práxis de oficinas e resultados e os passeios de convidados e autoridades pelas áreas revitalizadas na grande obra realizada. Depois de 20 anos, desde que houve uma intervenção, anterior à agora conquistada, esta ação de revigor e manutenção patrimonial faz a diferença.

Nada melhor, para festejar este dia de aniversário, que comemorar a modernização sofrida pela Casa. O 4 de Setembro (no seu Complexo Cultural) recebe, desta vez, uma obra completa que inclui impermeabilização e novo teto de madeira recuperada e telhado, pintura interna e externa recuperadas à cor original, luzes de leds, na fachada, de visibilização do patrimônio arquitetônico, recuperação de 11 camarins (Theatro 4 de Setembro e Teatro "Torquato Neto"), Oficina "Procópio Ferreira", Salão Nobre/Auditório "Chico Pereira", Área de Convivência Camarins do 4 de Setembro, Galeria de Diretores da Casa e toda a área administrativa do Complexo (com serviços elétricos, hidráulicos e mobiliário).

É um novo Theatro que abre suas portas e sorri à arte e cultura local, nacional e + quem vier em busca de ocupação do Equipamento cultural.  A Casa de espetáculos soma memórias e histórias sócio culturais, à posteridade. Lega espaço de fomentação da arte e exercício de cultivar lazer, entretenimento, culturas manifestadas. Toda arte expressada, em arcabouço do laboratório de construção social e artística do estado e do país.

Para Fábio Novo, Secretário de Estado de Cultura do Piauí, é um novo Theatro em dinâmica e vida produtivas,

"é a primeira vez, em cinquenta anos, que o Theatro 4 de Setembro, funciona em sua plenitude. Theatro 4 de Setembro, Teatro "Torquato Neto", Galeria do Club dos Diários "Nonato Oliveira", Espaço Cultural "Osório Jr.", Bar do Club, Espaço Cultural Café "Genu Moraes", Oficina "Procópio Ferreira", Sala de Ensaios "Rosalina Silva", Salão Nobre/Auditório "Chico Pereira", todos os espaços com vida, reafirma Novo.

O Theatro 4 de Setembro, gestado no século 19, chega ao 21 em pleno revigor e pompa, de bem representar e representar-se em sua primeira data de aniversário, no ano que segue, e à segunda data, histórica, do processo de existência efetiva ao estado.

O Theatro 4 de Setembro é 21! 
Em dia de aniversário e século conquistados.

Serviço:
Maratona Cultural
dia 21 de abril
das 6h30 às 22h
no Complexo Cultural Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro
Entrada Franca.

Informações: 086 3222 7100/98817 2201

terça-feira, 19 de abril de 2016

Maratona Cultural!

Aniversário do 4 de Setembro
é 21!

Em 2016 faz 122 anos que a Casa de espetáculos foi entregue à sociedade para receber atrações artísticas e culturais. E, será a primeira vez que o Estado festeja o aniversário do Theatro 4 de Setembro, em 21 de abril.
O Theatro foi inaugurado em 21 de abril de 1894.

Há duas datas de aniversário da Casa:
04 de setembro (quando as senhoras da sociedade foram pedir a construção do Theatro). Em 04 de setembro de 1889.
21 de abril de 1894 - Entrega do Theatro à comunidade.


Maratona Cultural em comemorações do Aniversário e Entrega das obras concluídas no Complexo Cultural:

6h30 - Atração com Companhia Talismã de Circo, na Praça Pedro II. Responsável, o artista circense Vilmar Sousa Castro (mágico chinês, acrobacia de solo, equilíbrio e clown (palhaço)
Local: passeio da Praça Pedro II, em frente ao Theatro 4 de Setembro.
8h - Café da manhã.
Local: Bar do Club dos Diários/”Osório Jr.”
9h - Exposição “Sinais do Barro”, de João Borges.
Intervenção de dança – Balé Popular do Piauí, coreografia “Malandro Burguês”, de Márcio Gomes (Escola Estadual de Dança “Lenir Argento”).
Local: Galeria de Arte do Club dos Diários “Nonato Oliveira”.
10h - Cena da peça teatral “Apareceu a Margarida”, com Edithe Rosa.
10h30 – Lançamento do Projeto “Cine Proibido Cochilar”, com o curta-metragem piauiense “O Cine Rex e Nós ”(2005), de Alan Sampaio.
Local: Teatro Torquato Neto.
11h - Cena do espetáculo “Diário de Uma Camareira”, com Wilson Goms de Sousa.
Local: Sala de Ensaios “Camareira Rosalina Silva (Dona Rosa)”.
11h30 – Visitação (Descerramento) das Portas dos Camarins do Theatro 4 de Setembro.
Cena de “Anjo Negro”, de Nelson Rodrigues. Direção, Luciano Brandão.
Local: Sala Oficina Permanente de Teatro “Procópio Ferreira”.
13h às 15h - Oficina e Apresentação de espetáculo “Dádiva” – Núcleo de Estudos Dramáticos (NED), Escola Técnica de Teatro “Gomes Campos”. Direção, Chiquinho Pereira.
Local: Galeria de Arte do Club dos Diários “Nonato Oliveira”.
15h – Exibição do filme “Mocambinho”, de Franklin Pires. O filme será exibido em homenagem à atriz, maquiadora e esteticista, Madalena Alcântara (in memoriam)
Local: Theatro 4 de Setembro
17h – Entrega da Placa inaugural do Salão Nobre “Chico Pereira” (Fouer do Theatro)/Criação do Auditório "Chico Pereira"
Ciclo de Leituras Dramáticas –
Texto “Uma Carga de Laranjas”, de Chico Pereira da Silva. Direção, Adriano Abreu (Coletivo Piauhy Estúdio das Artes)
Participações especiais: João Vasconcelos, Alexandra Teodoro e Maneco Nascimento.
Local: Salão Nobre “Chico Pereira” (Fouer).
17h30 – Grupo de Rabeca, da Escola de Rabeca de Bom Jesus do Gurgueia.
Local: Hall de entrada do Theatro 4 de Setembro.
18h – Lançamento do livro “Lirismo antropofágico e outras iscas minimalistas”, de Marleide Lins e Yolanda Carvalho.
Local: Café Literário “Genu Moraes”.

19h - Cerimonial de entrega do Theatro. Responsável, Cerimonial do Palácio de Karnak.
Local: Theatro 4 de Setembro
20h – Show Mulheres 2016. Direção, João Vasconcelos. Produção, Carla Ramos.
Local: Theatro 4 de Setembro
21h30 - Apresentação da Banda, Bia e os Becks.
Local: Espaço Cultural “Osório Jr.”/BCD
Coquetel babadeira no Parque Jardim do Theatro 4 de Setembro

Realização: Governo do Estado/Secult
fotos/imagem: (Avant Garde Edições)


Abril/2016

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Peroladas

arte e ofício da letra e madeira tingidas ao papel
por maneco nascimento

Duas meninas do Brasil em corações democratas, de modernas e contemporâneas arquiteturas das letras [visual verbo] e de cunhada madeira, tingidas e devolvidas, em traços ao papel [visual gravura] para lirismo antropo fágico e outras iscas minimalistas.

E como diria Caetano, "Vamos comer..." e nesse exercício antropofágico são banquete e degustadores Marleide Lins, Yolanda Carvalho e + petiscos que incrementam a ceia posta: Oswald de Andrade[Só a antropofagia nos une/manifesto antropofágico]; Cineas Santos [a arte persiste/e assim, recria/o que já existe (emoção estética); Daniela P. Aragão [(...) Em texturas femininas  a poeta mergulha nas entranhas da sensualidade e de um desejo que enuncia, permanentemente, sua sede de infinito (...)] e o diálogo direto e transverso, com Salgado Maranhão [Cavalgo a dor/de ser pétala entre espinhos] X [Protegido é seu destino:/a pele da pétala, poeta,/é relicário de São Espinho] Marleide Lins.

A baixela, da licença poética, traz postas boas iscas e traços de riscos de poesia e lampejos marcados na cuneiforma imagem, reproduzida da poeta à artista plástica e da arte xilogravada da poeta das protuberâncias e vagas na madeira sangrada, a preto no branco do papel, numa completude do efeito poético de duas em três: a poeta, a artista visual e a obra complexa, a simples rastros estéticos de bem servir, em banquete ao leitor e às leituras livres, abertas e repletas de iconográficos, signos, siglas, emblemas tatuados na força expressiva do ato criativo, feito livro a quatro mãos poetas.

Um concha preciosa involucra as imagens, linguagens, peroladas. Uma capa singrada com o anjo, em mãos postas, abençoa/protege a joia, ali rara, contida no oratório poético. Da janela vazada, peixes saltam do aquário ao círculo da terra, em sentido horário, ao eterno retorno de sobrevivência.

À apresentação da poeta, no verso da capa, Marleide Lins é recorte na porta, ogiva, cunhada madeira reproduzida xilos  a visual verbo, da folha que cerra, na contra porta, a janela vazada. No interior da capa, o anjo se repete com sol casado com lua minguante ao alto direito e, à esquerda, o mesmo aquário dinâmico inspira vida de peixe, na fuga e retorno do tempo das águas.

A contracapa é de Yolanda Carvalho, na arte e ofício xilogravados, e no recorte da própria imagem (retrato) sobreposta na janela, visual gravura, a detalhes e delicados cortes na madeira, reproduzida em imagem pela tinta impressa no papel, que metadialoga com a forma real, feita poesia ao estético e plástico. No interno da contracapa, o velho anjo circunspecto, tendo ao fundo o pássaro formoso, coroado e com asas recolhidas, na afirmação das asas do anjo abertas.

O prato principal, sanduichado, intercaladas imagens em xilos para a segunda e terceira capas e contracapas das capas secundadas [a mulher e o peixe na cabeça]; [o anjo, de mãos postas, que ri]; [o aquário com peixes dinâmicos entre a prisão e a liberdade de nadar em mais oportunidades]; [o grande peixe que devora os pequenos]; [os círculos sobre círculos dos pássaros e luas minguantes e sóis e luas e machos e fêmeas]. Poesia pura.

Frases simples, gestos poéticos claros, rimas presentes, em tempos e construções modernos, haikais e outras formas precisos, concisos, bem humorados, de amores, dores, solidões, d'almas que esperam e geram expectativas, paixões e efemérides, olhares ancestrais, diálogo com o cosmos, poesia plural.

Dos que alimentam, matam a fome, matam os bichos e matam quem tem sede e fome de viver. Reflexões e estocada na ferida social, [Há um lirismo nos encontros das pessoas e dos rios/E húmus na interrogação invertida (anzol/isca)/A navegar rumo aos que pela boca morrem de fetiche.//Há um lirismo e Ômega três no olho do peixe (...) A iluminar seis bocas famintas dos portuários.//Há um lirismo nos frágeis habitantes de aquários/E nos de Mariana que a lama incorpora e rabisca/ A representar a obra dos homens que finda o peixe (...)] (Lirismo antropofágico, pag. 15); [Morrer pela isca/Destina-se o peixe/Que muito se arrisca] (pag. 71)

Às especulações ao curioso, à fé e ao etéreo [Aos que têm sede e fome:/isca que alimenta a alma é faísca/Quem se arrisca?] (pag. 11); [Lirismo em festa/De dentro do abismo/Se devora a luz da fresta] (pag. 16); [Relativa é a janela:/o mistério está no horizonte/e no que há dentro dela] (pag. 25); [Deseja-se, antes, o etéreo/O que foge aos pés/O que é mistério//Depois, o que se deseja/É o que se beija, ao invés/De amar o que alma almeja] (pag. 37); [Guarda-me, anjo da guarda/teço os mistérios do terço/e creio em escudo e espada] (Sincretismo {Proteção plus}, pag. 69).

De amores, paixões e festa, [Paixão é pólen/Passa a ventania/Escapole] (pag. 19); [O amor é semente/Passa o temporal/Floresce dentro da gente] (pag. 20); [Só inteira: em pedaços/não me queira] (pag. 23); [se penso em você/cabernet/se mal me quer/carmenere/se bem me quiser/beaujolais/(...) e se o amor não reage/assemblage] (O Que Sinto Só Rima Com Vinho Tinto, pag. 29); [A palavra é bala/Quando o apelo é  pele/A palavra cala] (pag. 35); [O que te serve?/Ama o denso/E almeja o leve] (Penso, Logo Denso, pag. 39); [E se o amor se manifestar/Erguerei o que não se ergue/Morrerei do que não se morre (...)] (pag. 67)

Do sensual, sexual, cio, gata, segredos e almas gêmeas, [desnudar-se somente em verso/guardam segredos mudos/todas as paredes do meu universo] (pag. 27); [se me clama é siamesa/sendo peixe ou gata/ama de cama e mesa// (...) seja d'água ou felina/eis que me ataca/essa gêmea feminina] (Olho No Peixe Outro Na Gata, pag. 31); [Ao amanhecer/tua voz é manha e maciez/- desejo de tudo//(...) Tua voz é sede e seda/Ao meu ouvido acalma/- faz com que eu ceda] (Tua Voz, pag. 57); [Língua gêmea/onda que se aveluda/invade  a fremir a senda//traz o que extrai da gruta/sente o sêmen da concavidade fêmea/e serve-se no convexo da fruta] (pag. 63)

Marcas e encontros e tempos marcados, em terrenos ancestrais, [Toda alma pesa/Arquétipos ancestrais/Toda alma que a outra se apega/Pesa mais] (pag. 45); [Na epiderme de alta alvura:/dormem tatuagens e cicatrizes e n'alma uma rupestre figura] (pag. 55)

Solidões, ais e outros brinquedos poéticos, [se renove/se chove/prove] (pag. 13); [Lirismo do olho sensível:/Chuva é cacho de uva/E vamos sorver o céu!] (pag. 17); [Passam entressafra e cio/lento o tempo se arrasta/e sem resposta, silencio] (pag. 33); [Águas de março/me amanheço molhada/para teu abraço] (pag. 41); [É verão/Ando, andorinha/Na multidão e sozinha] (pag. 46); [Não me viram no verão/vivo auto-ostracismo e solidão// (...) No outono, serei outro, me desfolho/primavero-me nas cores que eu colho] (Estações de Mim, pag. 49)

Das pérolas aos outros et al, [O melhor amante/É pedra preciosa/Sempre está distante] (Diamante, pag. 51); [Dos brutos diamantes: desaprendi a tirar leite de palavras-pedras/de tanto lapidar ego com faca cortante] (Pérolas Os Porcos, pag. 53); [Gira ao sol, eternamente/que brilha seja quem for/e quem te beija a flor, nem sente] (pag. 59); [O começo eu não meço/Não crendo em fim/- recomeço -] (pag. 73).

No interlúdio poético, Marleide Lins e Yolanda Carvalho geram beleza, prazer, em folhear-se, atentamente, "Lirismo antropofágico e outras iscas minimalistas". Cruzam poesia, estéticas que se fundem às tintas das letra e das xilogravuras. Versatilizam linguagens conjugadas e criam o novo olhar das tintas que brotam do laboratório poético e da oficina xilográfrica.

Uma surpresa a cada página. Um poema em verso, uma imagem em poesia. E assim, se vai devorando Marleide Lins e Yolanda Carvalho, a cada passagem de página. Arte e artistas peroladas. Arte e ofício compensados.

Devoram-me. Decifro-as, ou ao menos me enlevo em ver-me revelado, na obra prima, irmã, tia, mãe, filha, dessas meninas do Brasil, que atendem por Marleide Lins e Yolanda Carvalho.
Registre-se: o livro "Lirismo antropofágico e outras iscas minimalistas" será lançado, nesta quinta feira, 21 de abril de 2016, durante a entrega das obras concluídas no Complexo Cultural e aniversário do Theatro 4 de Setembro (primeira data de comemorações de nascimento da Casa de espetáculos).

Local do lançamento do livro? Café Literário "Genu Moraes", às 18 horas.
Agende-se!