domingo, 29 de março de 2015

Ato 27 Memória da Cena

Prosa e poesia em cena
por maneco nascimento

A tarde do Dia Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo começa ainda pela manhã. Com ensaios e preparativos para a entrega da Sala de Ensaios Camareira Rosalina, o teatro vinha se assomando e o universo conspirava para que não perdesse o fio da mora que inscreveu a cena de integração.













(Palmas à homenageada/ft: m. nascimento)

Descerrada a Placa da Sala de Ensaios Camareira Rosalina, depois da 11h, público apertado em concorrência para prestigiar a dona Rosa, homenageada em vida com uma Sala que leva seu nome. Sala esta que servirá a ensaios a teatro, dança e música. Era hora de se ver + um exercício de ator. Wilson Gomes, em Diário de uma Camareira, de Carlos B. Filho, direção de Cláudia Santos.

(sombras de memórias. Wilson Gomes em cena/ft: m. nascimento)

Wilson Gomes conseguiu prender a atenção da platéia, espremida na Sala, por + de meia hora. Empertigado, texto bem articulado e extrema dose dramática de contar as memórias da camareira aposentada foi o que se presenciou no teatro do ator que supera a deficiência auditiva e transforma em bem audíveis verdades a cena de memória afetiva e presença de palco convincente.

(Diário de uma Camareira, em Ato 27/ft: m. nascimento)

Inflexionar texto de homenagem para a homenageada, a sua frente, talvez tenha sido a melhor e maior emoção vivida por W. Gomes. Dona Rosa também deve ter curtido se ver na pele de um ator, na licença poética inspirada para carpintaria de palco. Foi um ato de emoção e carinho dramáticos memoráveis. Wilson Gomes se garante e garantiu brilho luxuoso na cena de abertura da Sala  de Ensaios Camareira Rosalina.

(camareiras frente à frente, teatro e vida real/ft: m. nascimento)

Das 13h às 15h, na Galeria de Artes do Club dos Diários, aconteceu a Oficina de Teatro e Fotografia, sob a produção de Gustavo Leal (NEXA PI). A exibição do Filme "Ex Memória Teresina", no Theatro 4 de Setembro, numa Realização da Ipê Produções Audiovisuais e Produção de Leide Sousa, não cumpriu a pauta das 15 horas. Problemas técnicos de finalização do filme adiaram sua exibição.

Seguiu a programação e, às 16h30, no Salão Nobre "Chico Pereira", a hora foi do Ciclo de Leituras Dramáticas, com a peça "O Pescador e o Rio", de Gomes Campos. Uma Realização do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes. O Coletivo criou referência nessa práxis de teatro de leitores e público e colhe resultados inestimáveis. Adriano Abreu et al sabem do teatro que praticam e o fazem bem.

O Procênio do Theatro 4 de Setembro, a partir das 19 horas, foi palco da Posse da Nova Administração do Complexo Cultural Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro.  Discursos e falas culturais se deram em palavras de artistas e representantes de autoridades. João Vasconcelos confirmou suas palavras de integração e agregação, contidas no Ato 27, em somar parceiros para construir cultura.


(solene Posse da nova Coordenação do Complexo CD/The4Set/ft: j. machado)

"Fernando Pessoa em Pessoa", a atração das 20h, no 4 de Setembro, aproximou teatro e poesia, lúdico e magias da cena para obra poética lusitana. A adaptação, de textos da literatura de Fernando Pessoa, direção e atuação, de Adalmir Miranda, concentraram as atenções da plateia.

 (Adalmir em Pessoa do Pessoa/ ft: cleyde fernando)

Espetáculo que, confessou o ator, teve estreia em uma sala do departamento de Artes da UFPI, completou vinte e sete anos, em cartaz. A produção do espetáculo “Fernando Pessoa em Pessoa” ao Dia Internacional do Teatro ficou ao cargo do SESC PI. A volta da peça aos palcos abrilhantou a noite com efeitos de memória do teatro piauiense revisitado,


( o Adeus poético/ft: cleyde fernando)

Adalmir Miranda conseguiu, após vinte sete anos, desde a primeira apresentação, manter uma aura boa de montagem que reúne dança, teatro, mímica, ritmo poético dimensionado à prosa e uma boa leitura para obra significativa e ímpar de uns Fernando Pessoa.

(O Pessoa em Adalmir/ft: cleyde fernando)

Miranda viaja no tempo poético e estético dramático e rememora a cena dentro da cena, metalinguiliza o poeta e sua vida licenciada na dramaturgia construída para narrar o homem, o velho, suas memórias, sonhos, visões e pesadelos de artista à frente de seu tempo que cria personagens, em negação à personagem que gera o próprio poeta e sua identidade.

(um porto de Adeus em memórias do mar/ft: cleyde fernando)

Uma aula, de estilo, emblemas, signos e siglas, aplicada à carpintaria cênica ao exercício do ator e à dialética da encenação. Há um Fernando em pessoa de Adalmir Miranda e um Miranda que visibiliza na pessoa poética e vozes sociais a pessoa de Pessoa. Um belo espetáculo.

(Adalmir, elenco e seus sobrinhos com a idade do espetáculo, 27 anos/ft: jorge machado)

A festa do Dia Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo fechou com chave de ouro o Ato 27 para gerar reprise. No Bar do Theatro 4 de Setembro, o coquetel oferecido ao público foi regado a Cole Porter, na voz de Rubens Lima, acompanhado de piano charmoso.
 (Doutor Rubens às vozes de Cole Porter/ft: m. nascimento)


E, para quem ainda quis show + popular, seguiu-se, após o requintado de Porter e Lima, uma Banda que Valia uma noite. Seu tempo foi no palco do Espaço Cultural “Osório Jr.” e a recomendação da atração veio da Fundac, parceira realizadora do Ato 27.

Como disse um colega: para inclusões e participações na diversidade artística segue-se o "mètier". O show de forró, com direito até a execução de um hit popular, acho que da muriçoca, esteve presente e confirmou o nome programado de Cláudio Sekef e Banda Vale Night.

Ato 27 Arte Intervenção Cultura Integração conspirou sons e fúria e deu às comemorações do Dia Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo um dia de festejos em maratona cultural, aos artistas, técnicos, público e demais profissionais culturais da cidade, uma festa inesquecível.
 
(Beijo sua mão. A camareira da cena beija a mão da camareira homenageada/ft: m. nascimento)

Evoé, Ato 27!

Ato 27, Eternamente.

Arte Intervenção
por maneco nascimento

Às 10 horas, do Dia Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo, na programação do Ato 27 – Arte Intervenção Cultura Integração, foi a hora e a vez da augusta matraca, de Edithe Rosa, brindar seu público com Apareceu a Margarida.

No Teatro Sala Torquato Neto, com direção de Avelar Amorim para texto original de Roberto de Athayde, viu-se uma Edithe endiabradamente feliz em ser e estar dona Margarida.
(Teatro, Volver!, com Edithe Rosa/ft: m. nascimento)

A Dona Margarida, que se deleita na pele de Edithe Rosa, inspira na fisiologia psicológica da personagem uma rigorosa e energética ação de se (in)dispor e despir-se integral e sem pudores para deleite, ou escândalo da platéia.
 
(a professora Margarida e sua pedagogia na cena/ft: m. nascimento)

Concentrada e, definitivamente, condicionada a dar-se inteira ao exercício da atriz, Rosa é impagável e presta continência ao teatro, em liberdade militar e práxis ordinária a volver céus e terras contagiadas pela expansão de átomos materializados, em + de cinqüenta minutos de pé dentro da caldeira, em ebulição, da professora e ditadora da educação tradicional do aparelho reprodutor de conhecimentos.

Edithe consegue, para alucinado e esquizofrênico ato de encenar, reiterando a práxis do fingimento, destrinchar sentimentos adversos e impactantes da personagem enfurecida e dosar crueldade e doçura, maldade e alegria histérica e confluir do over à calmaria, como água na fervura, e sincopar as confusões da alma inquieta de dona Margarida, sempre como geradora do riso e executora de histrionismo variável entre o dramático, tragicômico e escatológico expressionista.
(Edithe Rosa "Margarida, essa flor de atração cênica/ft: m. nascimento)

Nunca se viu uma Margarida tão detalhada em nuances, vozes de confusão e loucura imedidas da personagem para a composição da atriz e detidas incursões da atriz em cúmplice medida às falas da personagem. Um “demônio” instalado na força, talento e desprendimento em assumir inteiramente a íntegra performance da professora Dona Margarida.

Surpreendente e carismática, Edithe Rosa não ganhou o Prêmio de Melhora Atriz “Ana Maria Rêgo” à toa. Fez por merecê-lo e não há quem possa dizer o contrário. Ao contrário, contraria o senso comum e prova a que veio.

A sua Margarida faz história e quebra paradigmas, de costureira de figurinos a atriz laureada. Uma flor nascida do ócio para palcos, praças, calçadas, picadeiros, asfalto. Uma margarida com cores impressionantes ao diverso do matiz do teatro piauiense.

O sentimento foi de alegria e orgulho sentidos, de quem assistiu a apresentação de Apareceu a Margarida, personagem construída por Edithe Rosa, dentro da programação do Ato 27, na última sexta feira, em Dia Internacional do Teatro e Nacional do Circo.

Um soul ritmado frenético, caso fosse música. Como teatro, um show em exercício de felicidade e prazer encenados a doce deleite da platéia.

A manhã ganhava força e, na sequência, depois do furacão Edithe Rosa, o público seguiu em cortejo, quase às memórias do teatro primordial, e foi se instalar às portas da Sala de Ensaios Camareira Rosalina ao descerramento da Placa.
(João, Rosalina, Lari - Sated PI e Jacêmia - DAC, no ritual descerrar a Placa Sala  de Ensaios Camareira Rosalina/ft: m. nascimento)

O Ato 27 cumpria ritual e ritos de programação planejada e a manhã atomizava felicidade, orgulho e arte e cultura, memória e histórias confraternizadas.

Ato 27, O Retorno

Arte Integração
por maneco nascimento

Manhã cheia de emoções dramáticas e dramaturgias experimentadas. Dia Internacional do Teatro, não poderia ser diferente. A partir das 9 horas da manhã, no palco do Theatro 4 de Setembro, aconteceu a estréia do espetáculo A Onça e o Bode, versão de texto a fábula farsesca do inventário popular, com a assinatura de Walfrido Salmito.

Dirigido por Roger Ribeiro, a montagem teve a produção de W. Salmito, Sesc PI, e contida na programação realizada pelo Projeto Março das Artes Cênicas, que teve início dia 20 de março, com a apresentação do Exercício sobre Medeia (Silmara Silva, direção de Adriano Abreu) e encerra dia 30, com o Balé Popular de Recife.


Para a estréia de A Onça e o Bode, a montagem contou com elenco formado por Vitorino Rodrigues (Bode), Herberth Costa (Onça), Kleyson Kardozo (caboclo Zeca da Mata, intermediador dos bichos) e Chicão Borges (Coronel Pimentão). Os figurinos e cenário de Wilson Costa e Direção de Roger Ribeiro.

A peça retém cenografia prática, eficaz. A casa da narrativa bem humorada, construída pela Onça e o Bode, numa simultaneidade de desencontros, reúne telhado e paredes às vezes de tecido frisado, a compor estética de cobertura e paredes de palha. Nas cores terrais, realiza composição de efeito convincente ao lúdico e plástico das ações que enredam os bichos que disputam a mesma moradia.
 
(a Casa da Onça e do Bode/ft: m. nascimento)

Os figurinos que revelam e escondem personalidades dos bichos em peles de homens, ou homens em personagens de bichos fabular populares, muito eficientizam o conjunto da obra, no viés dos figurinos, em sinergia estética do matiz aplicada, por W. Costa. 

Numa dialética de vozes do bicho homem volatizadas nas falas de animais “inferiores” que, na fábula ganham status humano, a segunda pele se instala às identidades das personagens e identificação com o universo de aproximação, na recepção, com o público alvo, o infantil.

O Bode Manhoso (Vitorino Rodrigues), que foge da fazenda por não suportar + os maus tratos do seu dono, Cel. Pimentão e resolve construir sua casa própria, tem em seu figurino, composição de tons sobre tons terrais e sua pele/pelo é um avental de operário, que se comunica com um chapéu tradicional de couro cru e chifres de bode naturais, embutidos na “cabeça” do bicho, completam na simplicidade de signos a identidade do animal, bicho da cabeça pra cima e homem com roupas humanas (camisa, calça comprida, sandália de couro), do tronco pra baixo.
 
(cena aberta de A Onça e o Bode em estreia no Dia 27, dentro do Ato 27/ft: m. nascimento)

A Onça (Herberth Costa) veste-se de uma camisa tecido seda oncinha, colada no corpo, e cabeça  (chapéu de onça) confeccionada do mesmo tema à identidade do felino matreiro. Segue as mesmas medidas de pesquisa de figurino, meio bicho, meio homem, como distanciamento cênico na estética de vestuário e envolvimento dramático na apresentação do lúdico de modernidade em releitura da tradição.

O caboclo (Kleyson Kardozo) Zeca da Mata e o Cel Pimentão (Chicão Borges) têm também, na segunda pele, elementos identitários de suas personalidades ao mágico do universo de enleio infantil, ao farsesco e ao histriônico que se amplificam na integração do mapeamento da direção de cena (R. Ribeiro).
 
(Chicão. Herberth, Kleyson e Vitorino no farsesco mundo fabular de A Onça e o Bode/ft: m. nascimento)

Das composições e construções da personagem, Vitorino Rodrigues consegue deslizar livremente como um Bode esperto, manhoso em valorização do próprio nome do animal e amplia o bom humor na veia de convencimento e persuasão do público afetivo. 

Herberth Costa exercita um corpo que também fala bem, embora não se tenha ouvido as inflexões da personagem a todo corpo sonoro e intenções + nuançadas. Não perde o rebolado da Onça, mas poderia executar o pulo do gato em fuga do homem tímido que ainda há no próprio ator e gera o bicho acanhado.

Kleyson Kardoso, que faz o caboclo Zeca da Mata aos diálogos interacionais dos bichos e media a paz entre o bicho do terreiro e seu inimigo natural, o bicho da mata, é talvez o ator que menos parece à vontade na encenação. Quase fala pra dentro e parece introspectar a personagem em “apavorado” sentimento muito particular de não conseguir se doar inteiro à cena. 

Romper essa película do medo e ser ator completo, talvez melhore a performance à construção da personagem a que se propõe. Sabe por onde ir, só precisa caminhar e atirar-se ao precipício do drama e emergir do drama pessoal e imergir no teatral, sem medos.

Chicão Borges desempenha um padrão particularmente aproximado de ser e estar muito próximo de si mesmo. Embora todo ator carregue consigo também suas idiossincrasias, alguns transformam em subsídios à personagem. Seu Coronel Pimentão cria empatia com o público infantil e a caracterização farsesca, apropriada ao universo fabular da história contada, dá-lhe um porto seguro de apoio ao seu perfil de personagem entre a magia e o mundo real de fingimento dramático.

A Onça e o Bode, peça montada, confere linhas divisórias da facilitação de cena, Roger Ribeiro, para agradar o público a que está direcionada. É risível, envolvente e está na média de teatro infantil de formação de platéia.

Ressalve-se que, como para platéia sujeita à agitação, intervenções naturais e burburinhos incontinenti dos infantes, talvez requeira da direção do espetáculo estimular maior projeção de alguns atores para que não fique a audiência prejudicada com os ruídos que se imponham na intercomunicação de platéia infantil.

Eficazmente, só Vitorino Rodrigues conseguiu fazer-se audível em toda presença. Mas teatro se constrói todo dia e a cada nova apresentação. A Onça e o Bode está só em dias de estréia. Pode +, é só ouvir a personagem e aplicar-se às falas dos bichos homens de teatro.

Na programação do Ato 27 - Arte Intervenção Cultura Integração, A Onça e o Bode, de W. Salmito, direção de Roger Ribeiro, cumpriu duas apresentações para público quente e escolar e ganhou a companhia e aceitação da plateia interativa. 

O Dia Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo, na manhã para crianças e tempo de teatro de expressão e preservação do ato de encenar e integrado ao Dia de Ato 27, cumpriu bem o exercício do teatro nas vezes e vozes de A Onça e o Bode.

Ato 27

Arte Intervenção Cultura Integração
por maneco nascimento


Foi no dia 27 de Março, Dia Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo, e os festejos se deram, a início, no Corredor Cultural Praça Pedro II e a iniciativa abriu margem às entradas ao Complexo Cultural Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro.

Ato 27 - Dia Internacional do Teatro Dia Nacional do Circo - Arte Intervenção Cultura Integração, ações planejadas pela Coordenação do Complexo Cultural CD/The4Set e realizadas pela Fundac/Governo do Estado, em chamamento à ocupação de um dos + charmosos e necessários equipamentos culturais do estado, sediado no coração do centro da cidade de Teresina.

Numa programação artístico cultural, que reuniu ações de circo (porta do 4 de Setembro/passeio Praça Pedro II, 6h30); recepção com Café da Manhã aos artistas e convidados (Bar do Club dos Diários, 8h); teatro infantil, A Onça e o Bode (palco do 4 de Setembro, a partir das 9h, SESC PI); Abertura Exposição Acervo Pictórico do Complexo Cultural Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro (Galeria do Club dos Diários, 9h); teatro adulto, Apareceu a Margarida (Teatro-Sala Torquato Neto, 10h); inauguração, descerramento de Placa da Sala Camareira Rosalina (sala contígua à administração do Complexo, 11h) fecharam a programação da agenda da manhã.
(fábula do inventário popular A Onça e o Bode/foto: m. nascimento)


(Edithe Rosa "Margarida", a flor da terra/foto: m. nascimento)

(Abertura Sala de Ensaios Camareira Rosalina/foto: m. nascimento)

Das ausências da manhã, o Grupo Cabeça de Sol e seu Teatro de Rua, que se apresentaria às 6h30, no alvorecer do Projeto e para o Ao Vivo da TV Clube/Globo local (Alinie Do Carmo marcou a desistência, de véspera, em fins da tarde anterior, 26). O outro Grupo voluntário, Cia. Talisman de Circo cumpriu a pauta, rendeu ações circenses e deu seu melhor recado.

Também ausente a apresentação do Primeiro Movimento de "Movimento para Um Palhaço", que contaria com Nazilene Barbosa, Fernando Freitas e ou Jesus Viana, sob a Direção de Siro Siris (desistência, na véspera, à noite, feita pelo diretor do exercício. O desaparecimento prematuro da mãe de Fernando Freitas [Ff] justificou o recuo da ação, embora se tivesse às mãos o colega e ator Jesus Viana, disponível para cumprir teatro. A ação seria durante a abertura da Exposição do Acervo Pictórico do CCD/The4Set (Galeria Club dos Diários, 9h)

E, ainda sentida, a falta do Aulão de Dança, ação da Escola de Dança do Estado do Piauí "Lenir Argento", com facilitação de exercício, por Sidh Ribeiro, na Sala “Procópio Ferreira”, 11h30 (a ausência justificada por a Escola estar selecionando professores ao ano letivo, ruídos na comunicação truncou um sinal de dança vindo do lado de lá do Corredor Cultural).

As ausências estiveram povoadas de presenças, lembrando Genet. Era o dia 27 de março e o Ato 27 - Dia Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo - Arte Intervenção Cultura Integração tomou espaços, somou esforços voluntários de artistas, técnicos, colaboradores e afins envolvidos, incondicionalmente, e o + foi + à toda prova dos 9, fora as ausências que também foram presenças na programação oficiada e divulgada.

Estiveram, na licença do invisível à visibilidade, em espírito e primeiros sinais de envolvimento, presentes, e também são todo artistas contribuintes à arte de insistência e cultura de permanência na cidade que não tem + fim.

Tudo fica bem, quando acaba bem, diz o trocadilho que ganhou mundo. E o que começou muito bem, desde as 6h30 da matina, acabou também muito bem, obrigado, quando corrido todo o dia de programação, finalizada no Ato 27.

Já às 6h30, a Cia. Talisman de Circo que, na noite anterior, fincara palco de picadeiro livre, trave/mastro e cravos estaiados, no passeio da Praça PII, ao circo de acrobacias aéreas, fez-se luz e átomos artísticos em ótima performance, à porta do Theatro 4 de Setembro. Esteve rente no batente e, seu número ao universo do maior espetáculo da terra, representou + circo no dia Nacional do Circo.

Das surpresas da manhã, no Ao Vivo da TV Clube, a doce presença da atriz e diretora de teatro, Selma Bustamante, a querida colega de cena, que em visita a Teresina agendou-se também ao Dia Internacional do Teatro e, como uma das paulistas + piauienses que conhecemos nos palcos da cidade e na vida de artista dividida conosco. Abraçamos sua alegria e prazer de voltar a estar na nossa presença, após 19 anos ausente de nosso convívio.

Estavam só começando os festejos. O Café da Manhã, aos artistas e convidados, um sucesso de acorrência. A Abertura da Exposição e a maratona de ações do turno da manhã foram mostra da Mostra de artistas e sua profissão doada ao Ato 27.

+ Arte Intervenção Cultura Integração estava prometida ao turno da tarde. Era o Dia Mundial do Teatro e Dia Nacional do Circo e estávamos artistas, técnicos, parceiros, amigos, apoiadores em quente rebuliço e os corredores do Complexo Cultural Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro nunca estiveram tão movimentados e com tão luxuosa presença de atos, artistas, calor de encontros e homenagens e muito a comemorar.

A Presidente do Sated PI, Lari Sales, revelou ser uma grande alegria comemorar-se o Dia do Teatro. “É uma felicidade só em se comemorar essa data, a profissão. É muito gostoso. Resta ser respeitado e reconhecido pelos serviços prestados à cultura no nosso estado”, aponta a atriz e diretora de teatro.


(Lari Sales, J. Vasconcelos, Jacemia [DAC], Arimatan e o mestre de cerimônias da Fundac, Ato 27 - posse Diretoria do Complexo Cultural CD/The4Set./foto: Jorge Machado)

Comemorar a vida e o exercício de ser artista. De estar no universo conspirador do teatro e da arte milenar do fingimento e persuasão do outro, a partir do exercício artístico. Comemorar a profissão, as relações de trabalho e cultura de preservação da espécie dramática.

O produtor cultural e ator Walfrido Salmito também acha que há sempre o que se comemorar. E diz que a data do Dia Internacional do Teatro é sempre de muita alegria. “Inesquecível. Momento de glória para os artistas e técnicos, de reconhecimento da profissão”, reitera.

E que estrear um novo espetáculo sempre estará na pauta de comemorações também desta data, “por isso, a estreia do espetáculo A Onça e o Bode ser momento de tamanha alegria no Dia Internacional do Teatro”, completa Salmito.

De viver, ser e estar teatro, enquanto obra e arte de salvaguarda do espírito crítico e revolucionário e reverbero político, transformador social, estético, plástico, artístico, de identidade e pertencimento, da ponderável ação de ser artista das escolhas e da imersão nas personagens que abram identificação com o outro e com as falas e vozes sociais.
(Dona Rosa, a grande homenageada/foto: m. nascimento)

quarta-feira, 25 de março de 2015

Deve e não paga

também não nega
por maneco nascimento

Marcado no facebook por meu amigo e colega de cena, Dionízio do Apodi, grande ator dos palcos mossoroenses e pontiguar, quiçá brasileiros de grande expressão, me posiciono e louvo o que bem merece.

(Dionízio e sua Alcmene/foto do perfil do ator)

Esse ator e sua companhia de teatro, O Pessoal do Tarará, são responsáveis por um repertório qualificado e diverso do teatro de Grupo, há + de uma década de trabalhos declarados e com um elenco respeitável, quando sempre realizador de uma cena invejável para humor, drama, comédia pastelão de economia e pesquisa na "commèdie del'arte", bufão e clownesco em dramaturgia contextual para cultura nacional redimensionada.

Essa Cia. de Teatro e esse Ator de marca 10 vieram a Teresina e trouxeram seu belo projeto de teatro solo. Uma pérola laureada na força, talento, disciplina da construção da personagem e ciência cênica experimentada na obra livre de artista criador e assinada como Aurora Boreal (Casca de Noz). Nada + sublime para se ver no palco.
(Apodi em tempo de Aurora Boreal/acervo DApodi)

Dionízio, na maturidade da profissão, nos lega teatro vivo e nos diz que ser artista e ser ator é preciso trabalho, incursão incondicional de buscas e prospecção da arte de fingir e mergulho na profissão escolhida e, principalmente, estudo da pauta do ato de encenar. 

Isso nos dá de sobra, em Aurora Boreal (Casca de Noz), a prazer dividido com seu público que se enleva ao vê-lo em solilóquios e confidências, no exercício da arte do ator, monologar e extrair beleza e licenças poéticas do texto, do corpo, da voz e dos silêncios povoados de presenças, para não esquecer Jean Genet, do palco e contrarregra que conspiram em favor do universo da dramaturgia confeccionada e dirigida pelo próprio ator.

Dionízio do Apodi brindou Teresina, numa das edições do Festival Nacional de Monólogos "Ana Maria Rêgo", ano 2012, com sua pérola aos poucos e nunca recebeu os prêmios em dinheiro para três categorias conquistadas. 

Promovido pela Fundação Municipal de Cultura "Monsenhor Chaves" e realizado pela Prefeitura de Teresina, o Concurso de Monólogos que deu visibilidade à cidade de Teresina e ao Piauí, por ser um dos eventos de maior continuidade, pisou na jaca. Não pagou o artista que venceu os prêmios abalizados por uma comissão julgadora ilibada. 

O evento cumpriu sua missão de realização do Festival na cidade, mas o estado municipal de cultura deu um calote no artista de Mossoró (RN). Até hoje o ator aguarda pelo pagamento de mérito conquistado. Como diz o ditado popular, o artista Dionízio do Apodi ficou "a ver navios", já que a FMCMC/PMT fingiu-se de "morta jacqueline".

Meu colega de teatro e grande amigo dos palcos e identidade comum às cenas me marcou nas redes sociais, enquanto reflete sobre a Fundação Municipal de Cultura estar lançando edital de Concurso de Monólogos ano 2015, com dívida relegadas ao passado.

O texto desabafo do artista potiguar esclarece tudo e deixa + dúvidas sobre os rumos da cultura no município de Teresina. São dias de descuido administrativo e falta de respeito com o artista que prestou serviços e não foi pago. Pode? Pode.  

São coisas do Brasil de nação piauiense da cidade Teresina para tempos de reisinhos e nababos assentados sobre gordos traseiros e ingerência consentida no que diga  respeito às políticas públicas de cultura. Assim se manifesta Apodi:

[Dionízio escreveu: "A Fundação Cultural Monsenhor Chaves, de Teresina (PI) prepara para este dia 27 de Março, data em que se comemora o Dia Internacional do Teatro, uma programação em Teresina, com direito ao lançamento do Festival Ana Maria Rego 2015. Tudo bem se não fosse um detalhe. A Prefeitura de Teresina, através da Fundação Monsenhor Chaves, ainda não pagou os cachês de participação e prêmios de vários espetáculos ainda do Festival de 2012. No meu caso, em outubro de 2012 participei com o espetáculo Aurora Boreal (Casca de Noz). Paguei todas as despesas pra chegar e voltar de Teresina com a alegação de que em trinta dias receberíamos o cachê de ajuda de custos. Fora isso o espetáculo ganhou três prêmios no festival que previa troféu e dinheiro. Nunca recebemos. Ligamos muito para a Fundação Monsenhor Chaves, passamos e-mails, amigos de Teresina marcaram audiência com responsáveis para resolver e até hoje, nada. Outros companheiros de teatro espalhados por vários estados brasileiros estão na mesma situação. O que torna tudo ainda mais desrespeitoso é que mesmo assim o Festival prossegue, com lançamento nesta quinta-feira. Tenho diversos amigos que prezo muito em Teresina, o próprio festival que carrega nome da atriz Ana Maria Rego, as pessoas de teatro e que o acompanham em Teresina não merecem esta situação irresponsável por parte do poder público. Vão comemorar Dia Internacional do Teatro sabendo que vários companheiros de teatro no Brasil estão sendo passados pra trás, sem nenhuma satisfação. Só recorro a este meio porque não se tem muitos outros disponíveis. Na esperança de que esta escrita possa chegar em algum lugar, e o problema seja resolvido."]

Feito o registro do nosso irmão de fé e obra cênica, cabe a nosotros o sentimento de escândalo, uma corrente de solidariedade com o colega ator e sua Cia. de Teatro que, séria e comprometida com a verve do teatro brasileiro, sofreu um revés em suas melhores expectativas acerca do fazer teatral realizado. 

Pode-se ainda incrementar essa informação. Com a palavra o prefeito da cidade de Teresina. Saberia ele dessa dívida caducada que coloca em escanteio o artista em sua maior oferta da profissão, a arte professada e não paga. E que escamoteia a arte do artista que se desloca de sua terra natal para representar-se e a seu teatro e não logra o direito dos prêmios conquistados.

Senhor prefeito, pague o artista. Ele não sobrevive bem, quando o estado municipal não cumpre a sua parte no acordo de cavalheiros assentado para os serviços do Festival Nacional de Monólogos "Ana Maria Rêgo". 

Ele e outros artistas brasileiros aguardam receber pelos serviços prestados ao município de Teresina. Como diz o ditado popular, "se não pode com o pote, não pegue na rodia" . 

Então prefeitura de Teresina não inventa, porque a invenção de eventos que não pagam artistas pode até marcar holofotes e efemérides, mas depois fica essa dúvida se o município não está só fazendo jogo de cena, aqui cabe uso da prática do teatro com fins eleitoreiros, e em fuga completa da arte do teatro de tradição e manifestação assegurada como profissão a ser respeitada e paga como qualquer outra em que seus representantes prestem serviços.

Às memórias e histórias do teatro nosso de cada dia, registre-se essa falha trágica da FMCMC/PMT, para ficar na linguagem do teatro, e reflita-se sobre o que estão fazendo do histórico daquela Fundação que já nos rendeu tanto orgulho e referência positiva Brasil afora.

Dionízio do Apodi, estamos aqui por toda a cidade e, parafraseando o poeta, pagando em suor e ousadia a felicidade de ser artista da cena e correr atrás do prejuízo na terra do já foi, já teve e que, atualmente, parece lugar muiiito comum ao descuido, descaso com os negócios de arte e cultura locais.

A FMCMC/PMT deve e não paga, também não nega. Mas a gente nunca relaxa e cobra sempre. Está no direito cidadão de prestador de serviços cobrar pelos serviços já prestados e não quitados pelo município.

Paguem os artistas, sejam políticos também de arte e cultura e não só de gabinetes e pleitos eleitoreiros.

terça-feira, 24 de março de 2015

27 é Dia de Teatro e Circo

Ato 27 Arte Intervenção Cultura Integração***
(Casa 4 de Setembro e sua calçada cultural/reprodução)
Está aberta a temporada de comemorações ao Dia Mundial do Teatro e Dia Nacional do Circo. Ato 27 - Dia Internacional do Teatro Dia Nacional do Circo - Arte Intervenção Cultura Integração - 27 de Março é o tema da programação planejada pelo Complexo Cultural Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro e Fundac e será uma derrama em maratona artística cultural que começa no alvorecer do dia 27 de março, sexta feira.
(Theatro 4 de Setembro/reprodução)
Já na Abertura, os festejos começam às 6h30 da manhã, na Praça Pedro II e a atração será com o Grupo Cabeça do Sol e seu Teatro de Rua e a Cia Talisman de Circo.
Às 8h, no Bar do Theatro será oferecido um Café da Manhã a todos os convidados e artistas em seu Dia de homenagens.
(Galeria do Club dos Diários/reprodução)
A partir das 9h, na Galeria do Club dos Diários, Exposição do Acervo Pictórico do Complexo Cultual Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro e a apresentação do Primeiro Movimento de "Movimento para Um Palhaço", com Nazilene Barbosa, Fernando Freitas/Jesus Viana, sob a Direção de Siro Siris.
(o charmoso Club dos Diários/reprodução)
10 horas, no Teatro Torquato Neto, apresentação de Cena da peça teatral "Apareceu a Margarida", de Roberto Athayde. Interpretação de Edithe Rosa e Direção de Avelar Amorim. Às 11 horas será descerrada a Placa Inaugural da Sala "Camareira Rosalina Silva" e, em seguida, Cena do espetáculo "Diálogo de Uma Camareira", de Carlos B. Filho, interpretada por Wilson Gomes e Direção de Cláudia Santos.
No horário das 11h30, na Sala "Procópio Ferreira", a Escola de Dança do Estado do Piauí "Lenir Argento" ministra um Aulão de Dança, a facilitação do exercício de dança será de Sidh Ribeiro. No turno da tarde, a partir das 13h às 15h, na Galeria de Artes do Club dos Diários, acontecerá a Oficina de Teatro e Fotografia, sob a produção de Gustavo Leal (NEXA PI).  Às 15h, no Theatro 4 de Setembro, exibição do Filme "Ex Memória Teresina", numa Realização da Ipê Produções Audiovisuais e Produção de Leide Sousa.
Já às 16h30, no Salão Nobre "Chico Pereira", a hora é do Ciclo de Leituras Dramáticas, com a peça "O Pescador e o Rio", de Gomes Campos. Uma Realização do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes.  Às 19 horas, o Procênio do Theatro 4 de Setembro será palco da Posse da Nova Administração do Complexo Cultural Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro.
"Fernando Pessoa em Pessoa" é a atração das 20h. Numa Adaptação de textos, direção e atuação de Adalmir Miranda, a partir da obra de Fernando Pessoa, o espetáculo com mais de vinte e cinco anos, em cartaz, ocupa a caixa cênica do Theatro 4 de Setembro. A produção do espetáculo “Fernando Pessoa em Pessoa” ao Dia Internacional do Teatro é do SESC PI.
Numa realização do Governo do Estado, Fundac e Complexo Cultural Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro, o Ato 27 Dia Mundial do Teatro e Dia Nacional do Circo - Arte Intervenção Cultura Integração ainda oferecerá um Coquetel, às 21h30 e o encerramento será musical, às 22 horas. No Palco do Espaço Cultural "Osório Jr." se apresentam Cláudio Sekef e Banda Vale Night.
(Palco "Osório Jr."/reprodução)
o Dia Mundial do Teatro e Dia Nacional do Circo, as falas sócio culturais do teatro, circo, arte pictórica, dança, música, audiovisual, leituras dramáticas, poesia e homenagens serão só festejos, a partir das 6h30 da matina.
Para o coordenador do Complexo Cultural Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro, o promotor cultural João Vasconcelos, essa ação tem função primordial de reunir, agregar e confraternizar com os artistas das diversas linguagens artísticas da capital e deixa claro que “os artistas estão se doando e doando seu trabalho ao Dia Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo. Todos são voluntários em um momento da Casa e da nova administração que se instala para gerar maior aproximação com atos e promoções de integração da arte e do artista locais e ocupação do Complexo”, declara.
O Ato 27 recebe o apoio do Sated PI, dos produtores culturais Ruy Miranda e José Luis, do empreendedor Zezinho Ferreira, Grupo Vemarte, Colégio São Judas Tadeu, W. Salmito e Sesc Regional Piauí.  João Vasconcelos acrescenta ainda é com grande alegria que recebe o apoio incondicional dos artistas de Teresina e agradece “aos atores, diretores, bailarinos e coreógrafos, artistas plásticos e artistas visuais, produtores culturais e todos os artistas da cidade que colaboram, voluntariamente, com o Ato 27”, finaliza.
A agenda está imperdível e os artistas das cenas e dos palcos concorrem para congraçarem no Dia de uma das maiores manifestações culturais na história da humanidade.
Expediente:
Dia Mundial do Teatro e Dia nacional do Circo
dia: 27 de março de 2015
local: Corredor Cultural Praça Pedro II/Complexo Cultural Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro
horário: das 6h30 da manhã até às 22 horas
Informações: 86 9405 0037/8817 2201 
*** Texto de Release

Levou meu Rubem e o João

pérolas de leitura e obras inestimáveis
por maneco nascimento

Levaram meu Rubem Braga e João Branco e, talvez, ao larápio nem servisse muito a alguma coisa as preciosidades levadas.

Na mochila, de lona camuflagem do exército verde oliva, um Rubem de, crônicas selecionadas, "Recado de Primavera" e um João de, "Crônicas Desaforadas"; duas fragrâncias de perfumes independentes; três camisetas para as trocas de improviso ao dia ininterrupto; um pen-drive com as últimas e necessárias memórias de textos publicados, ou ensaios para novas investidas; preservados e ativos e outros objetos que moram na mochila e viajam com seu dono.

Mas as + valiosas peças carregadas foram meus livros e que, se não tiverem ganhado a sensibilidade do gatuno, foram esquecidos em algum lugar, a esmo, para cumprir a própria sorte de ser achado, ou estar perdido ao tempo de deterioração. O Rubem, adquiri num sebo e era um achado. Faria companhia, em minha pequena biblioteca nacional de autores, ao livro "A Borboleta Amarela", também do Velho Braga.

(Rubem Braga, esquerda e o irmão Newton Braga, direita, foto de 1932/reprodução da wikipédia)

Como fora delicioso está lendo o Braga. Uma felicidade corria aos olhos e um prazer em recortes humorados e bem escritos pelo mago das crônicas sociais, considerado um dos melhores cronistas brasileiros e o maior cronista nacional do século 20.
(o Velho Braga/imagem revistaescola.abril.com.br)

O João, recebera de presente, quase que simultaneamente, a seu lançamento. Numa semana fora lançado o “Crônicas Desaforadas” e, naquela mesma, chegara, em mãos, meu exemplar autografado, vindo de Mindelo – Cabo Verde. O autor separara o exemplar e enviara por sua sogra, Toinha Alves, que retornava a Teresina.

(João Branco e sua Obra/reprodução)

Não tive tempo de concluir a leitura de crônicas culturais e experiências cênicas e críticas reflexivas do fazer artístico na cena caboverdiana. João Branco repercute, na obra, a vivência em seu país de escolha e pátria lusófona abraçada e se nos apresenta um olhar de ator, diretor, espectador e agitador cultural na própria aldeia.
(o olhar crítico de João Branco em Obra editada/reprodução)

Os livros, lia-os paralelamente e carregava comigo para permutar a vez de leitura, enquanto realizava viagens de ônibus coletivos. Numa falha da própria sorte e excesso de confiança no outro, deixei a mochila por alguns instantes de despretensão e, num piscar de olhos, alguém carregou consigo meus tesouros qu’eu guardava e transportava no baú contemporâneo.

Foi frustrante, difícil de aceitar facilmente o furto. As perdas materiais, prejuízos efêmeros, recuperáveis. Bens imateriais? Leitor interrompido e os intangíveis de arte e cultura, tomados de súbito por um sujeito indeterminado e fugaz.

Quem terá às mãos minhas obras perdidas? Sempre guardo a ilusão que, deixados em lugar comum para, talvez, serem achados, os livros possam ser resgatados e esses sujeitos literários, brasileiro e lusófono, fazerem a alegria de algum outro leitor.

Que sejam recuperados é a melhor esperança que guardo para meus autores, Rubem Braga e João Branco. Foram-me tirados e ficam à mercê da indeterminação da sorte e objetos da determinação de dias em que, num sobressalto, um assalto, um roubo, um furto, uma levada de vantagem de quem vai obter lucro do descuido do outro, da excessiva confiança de quem jamais acha que vai acontecer consigo. Acontece e, dessa feita, perderam-se de seu dono natural.

Comigo aconteceu. Adiei esses fins de leitura. Perdi o tempo de atenção, não fui “veaco” e Rubem Braga e João Branco partiram sem meu consentimento e foram, forçosamente, obrigados a seguirem com um estranho. Ainda desejo que tenham encontrado um novo lar de leitor e possam ser resguardados, protegidos de sol e chuva e manuseados à curiosidade de quem gosta de um bom livro.

Macktub! 

terça-feira, 17 de março de 2015

Eita final sujão

Sou de novela também
por maneco nascimento

“(...) Mas o que foi que aconteceu com a Leonor
Tirania, ousadia, ou foi a Janete Clair
Que fez a cabeça desta mulher (...)" (Prendas do Lar - Carlinhos Vergueiro/sucesso de fins da década de 70)

O Brasil detém uma tradição de maior exportador de novelas de tevê. Sucesso no mundo inteiro, com incursões pela China e penetração festejada da inesquecível adaptação de A Escrava Izaura, protagonizada por Lucélia Santos, entre outros grandes sucessos que ganharam o mundo, do ocidente ao oriente, e venceram prêmios de teledramaturgia, o país ainda está no hall de ponta de lança nessa linguagem.

Quem não cresceu, vendo as tramas e dramas janeteclairianos que fizeram escola, ou temas + políticos e engajados que povoaram o universo de Dias Gomes, entre um panteão de grandes criadores e teledramaturgos (Cassiano Gabus Mendes, Benedito Rui Barbosa, Gilberto Braga, João Emanuel Carneiro, Manoel Carlos, Mário Prata, Bráulio Pedroso, Glória Peres, Maria Adelaide Amaral, Aguinaldo Silva, Miguel Falabela e uma inesgotável geração sempre renovável de artistas autores que preencheram a telinha mágica para 30, 50, 70, 120, 170 milhões de habitantes nesse país continental do Iapoque ao Chuí.

“Eu perdi o meu amor para uma novela das 8. Veja só a desilusão, eu me desiludi (...) Agora vive longe eu não sei mais nada, fugiu da nossa casa com a televisão (...)” (Fugiu com a novela - Vanessa da Mata) reflete, em nova leitura, crítico humorada,  as velhas questões de “amores perdidos”, esquecidos, ou desencontros consentidos, quando alguém fica ligado na novela das 2, das 6, das 7, das 9 ou das 10 horas.

Já houve o tempo de se negar as novelas, pois alienantes. O tempo de abraçá-las, pois de entretenimento e lazer, nas pausas para descanso das jornadas impostas pela força motriz do capital e negócios dos donos dos negócios e poder detentores do quinhão de + maioria rica.

A teledramaturgia, às vezes, também consegue ser mata e cura, em microsséries e minisséries, com tempo e argumento que quebram o paradigma de cotidianos mágicos, do mundo de Bob, de sempre felicidade e facilidades que só o feijão com arroz e muita gordura imprimem nos dramas circulares de realismo opera sabão à força da opinião do ibope, medições de tevês ligadas, em lares que não mudam de canal. Aquelas dobram o patrocinador e fogem do lugar comum e mediam equilíbrio, enquanto mantêm o padrão de qualidade premiada.

Assim cominho e orégano temperam a humanidade que se vê refletida na tevê. E já não se quer negar o gosto pela novela, pois parte da cultura nacional. Um colega de cena, ator e diretor, em conversa recente, disse gostar de novelas. Assiste as novelas para ver bons atores e atrizes, boas dramaturgias. Assume que vê novela. Eu o acompanho. Desde que me entendo por gente, que vejo, quando posso, algum capítulo de uma nova trama.

Aliás, peguei gosto pelo teatro, vendo artistas na televisão, desde a era da imagem em preto e branco. Depois, algumas oportunidades de rever os artistas, ao vivo e a cores, em palcos de teatro foi um prêmio.

Ver boas interpretações, bons diálogos e o deslizar convincente, no plano americano, de profissionais migrados da rádionovela, do teatro de tradição e competência e da práxis da cena Opinião e Oficina e das novas oficinas e laboratórios vanguardistas e contemporâneos de criação da personagem não tem preço. Grandes estrelas desfilam talento em meio das indústrias culturais e do anunciante e, coadjuvados por belos rostos e adestrados em série à renovação da plástica da televisão.

Como nem tanto ao céu de divinos e celebridades, nem tanto à terra de desejosos de alcançar a mesma divindade e intuir catapulta ao posto de olímpicos, a todo custo, a teledramaturgia sobrevive para mundo democrático dos bons, dos aceitáveis, dos treinados, dos belos e malditos, dos que nunca pisaram um palco de teatro, dos que nunca leram um livro e dos que aprenderam de cor a lição do enquadramento da tevê.

A televisão sobreviveu à intenet e as novelas, idem. Sexta feira, 13 de março, + uma trama fechou seu ciclo de + de seis meses de dramas, melodramas, comédia e estereótipos, caricatura e criaturas recriadas das geladeiras frankensteinianas e requentados populares que encheram a curiosidade e interesse da audiência brasis. Império era a novela e seu deus criador Aguinaldo Silva et al.

Autor que passou um ano divulgando, antecipadamente, sua narrativa, contratando e demitindo elenco via twitter, fazendo seu marketing pessoal e de sua teledramaturgia e do patrão, acertou + nessa última novela. De bom parceiro em novelas de grande sucesso, e temas rurais e de realismo fantástico aos urbanos, o autor foi fazendo as suas. Algumas com + acertos, outras + enfadonhas, mas sempre cumprindo sua sinopse e tempo de atuação.

Em Império conseguiu recuperar um bom tema e teve um elenco nunca desprezível. Ninguém pediu ao autor para ser suprimido da trama e parecia ser prazer dos profissionais em estarem na cena. Em vias a beijar os cinqüenta anos da Vênus platinada, o autor foi muito feliz até o dia em que teve que construir o “felizes para sempre” e assinar o Fim.

A trama correu o ibope e manteve o Brasil ligado na telinha. Quando chegou a hora de fechar o ciclo e entregar o horário à Babilônia, a próxima nova novela das 9, de Gilberto Braga e parceiros, Aguinaldo parece que gastou muito a pílula e perdeu a madrepérola de douro a capítulo triunfal. Fez das suas, mas parece que em pálida renúncia, ou desgaste de não encontrar melhor efeito.

Fora o fato de bang bang à italiana e fotografia em set de dinamismo policial americano, foram poucas as novidades que deixassem melhores lembranças. O take colhido do alto para canteiro dos mortos, imagem bonita.

Todos os maus são punidos, com a morte pelo fogo quente de arma moral e, a agilidade para a morte de alguns parece não ser eficaz para poupar o anti-herói, purgado com a morte “à treição”, tiro nas costas.

 Um seqüestro, humilhações à mocinha e preferida do pai e homem de preto, as falhas trágicas e as mágicas surreais dos tempos e soluções fáceis descomplicam e finalizam o Império, de Aguinaldo Silva.

Moralismo conservado, público (in)satisfeito, trama fechada com chave de bronze e protagonistas (Lílian Cabral e  Alexandre Nero) impagáveis, em suas construções da personagem, seguidos de perto por atores e atrizes em núcleos de ótima atuação. Até os intérpretes opera soap tiveram ganho de causa.
(A. Nero/Zé Pedro, um fantasma assombra em tempo de (i)mortalidade/reprodução)

Um final morno, sujão, mas padrão de novela das 9. Agora é esperar pra ver o furacão de Gilberto Braga e parceiros. Quem o conhece, o compra sem pestanejar e não parece ser à toa que sua trama assinará os cinqüenta anos da emissora que emprega divinos e divinizados, artistas e artífices da profissão, textos e obras que romperam décadas e criaram um monstro da teledramaturgia nacional, chamado Gilberto Braga que, confessadamente, sempre foi fã de Janete Clair.

Gilberto deu o seu “Pulo do Gato” e construiu o próprio nome e ninguém tasca. Quem tiver dúvida que recorra ao Google, Youtube, a memória de fluxo informacional muito + ágil que os tempos de arquivos mortos e sujeitos, em maior escala de sinistro, a risco de se perder.

(Glória Pires e Adriana Esteves, as marias de fátima e carminhas em eterno retorno/reprodução)

Que venha Babilônia. Já chegou com o assombro de primeiro capítulo quente e envolvente. Mocinhas da tevê assassinas e chantagistas, velhinhas homoafetivas, traição e ambição pelo dinheiro alheio, (in)justiça dos podres e poderosos, mocinhos enganados pelo feitiço da lua da Lucrécia Borgia, filhos estragados pelo amor de proteção cega e as discussões, sempre em pauta revisitada, pioneiras nas tramas gilbertobraguianas, desde que o tempo é tempo de  criar para o autor.
(Fernanda Montenegro & Nathalia Timberg, homoafetividade na terceira idade/reprodução)

O público, de direita, meio, esquerda, volver!, vai assistir sim essa nova trama. Pode até nem confessar, mas que vai “curiar”, de perto, isso vai sim.