quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Todo mundo morre.


Todo mundo morre.
por maneco nascimento


Na vida diária nos aferramos à representação cronométrica do tempo, embora falemos de ‘mau tempo’ e de ‘bom tempo’, e ainda que em cada 31 de dezembro façamos a despedida do ano velho e saudemos a chegada do ano novo (...) Nosso ‘bom tempo’ não se desprende da sucessão; podemos suspirar pelo passado – que tem fama de ser melhor que o presente; sabemos, porém, que o passado não voltará. Nosso ‘bom tempo’ morre da mesma morte que todos os tempos: é sucessão.” (Paz, Octavio. O Arco e a Lira. Trad. de Olga Savary. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. [Coleção Logos])

Um dos maiores símbolos da riqueza cultural do estado da Bahia, segundo ACM Neto, a mãe de oito filhos, Dona Canô, partiu para as estrelas, terra de todos os santos e geografia dos despedidos da vida mortal. A Bahia de Todos os Santos e suas terras festejadas de Santo Amaro da Purificação, legado do Recôncavo Baiano, abriu mão, à força do divino, da grande matriarca de tradição celebrada que, longe de se fazer rogada, semeou discurso sensível de humildade, cavando margem à harmonia e união entre o povo brasis a baiano nenhum botar defeito. 
                                                                                    
Ela tinha 105 anos e estava em casa, na cidade de Santo Amaro da Purificação, na Bahia. Claudionor Viana Teles Veloso morreu depois de passar a noite de Natal com os filhos (...) Dona Canô teve oito filhos, entre eles Caetano e Bethânia. Em outubro de 2011, perdeu a filha adotiva Eunice Veloso, aos 83 anos, que morreu com insuficiência respiratória.” (g1.globo.com/pop-arte/noticia...25/12/2012 11h50 - Atualizado 25/12/2012 20h51)

Uma voz generosa e reverenciada por todos e que não se deixou iludir pelo sucesso natural e necessário dos filhos famosos, Dona Canô manteve sua vida de senhora de si mesma, mãe baiana e orgulhosa de sua terra. Como qualquer soteropolitano, manteve-se fiel as suas crenças e coração sincero para conviver com o assédio natural da fama de dois de seus rebentos, mas sempre Dona Canô, a senhorinha educada, sincera e despachada de Santo Amaro da Purificação.

(Claudionor Canô Viana Teles Veloso/foto: Egi Santana G1)

(Dona Canô, em casa, ano 2010/foto colhida da wikipédia)

Dona Canô esteve internada por seis dias, recebendo alta do Hospital São Rafael, em Salvador, na sexta-feira (21). Ela tinha sofrido um ataque isquêmico cerebral, que gera redução do fluxo de sangue nas artérias do cérebro, segundo informou o boletim médico. De acordo com informações de Edson Nascimento, amigo da família, Dona Canô pediu um vestido novo e branco para deixar o hospital. Foi com ele que ela foi vestida para a casa, acompanhada da filha Mabel. Maria Bethânia acompanhou a transferência da mãe em outro carro.” (Idem)

Todos nós morremos um pouco a cada dia e quando sentimos a passagem “abrupta” de alguém que amamos e que precisa voltar ao seio primordial. Não será fácil, aos filhos de Dona Canô, esse breve desligamento da mãe, mas necessário à sucessão da natureza da espécie e tempo completado em terra de mortais.

De certo que foram 105 anos bem vividos, lúcidos, de coragem posta à prova numa Bahia que, com toda certeza, fora do ciclo romântico e midiático que construiu às próprias custas e mérito, também teve vida comum de gleba brasileira desde os dias de início de século em que a matriarca nasceu à Bahia até os dias desse contemporâneo. 

Nascida em 1907, Claudionor Viana Teles Velloso, no dia 16 de setembro, + conhecida como Dona Canô, (...) foi uma cidadã baiana centenária (...) era viúva de José Teles Velloso (Seu Zeca), funcionário público dos Correios, falecido em 13 de dezembro de 1983, aos 82 anos. Considerada uma das mais ilustres cidadãs de Santo Amaro da Purificação, teve publicadas suas memórias no livro ‘Canô Velloso, lembranças do saber viver’, escrito pelo historiador Antônio Guerreiro de Freitas e por Arthur Assis Gonçalves da Silva, falecido antes do término da obra[3]. Organizava periodicamente Terno de Reis na cidade.”. (www.wikipedia.com.br/acesso 26.12.2012, às 14h20)

(Dona Canô, em casa, ano 2010/foto colhida da wikipédia)

Desviava-se do sucesso com tranqüilidade e sóbria sabedoria de quem viveu para ser árvore do tempo de nascer, crescer, gerar frutos e deixá-los cumprir as próprias missões. Sobre o assédio de celebridade atribuído a ela, respondia não entender a razão da própria fama. “Apenas fiquei conhecida por causa de meus dois filhos que nunca se esqueceram de onde vieram nem da mãe que têm.”

Todos partem, transcendem, vão-se desta para melhor, encontram o Criador, “desaparecem”, partem a um novo plano. Longe de qualquer eufemismo, morrem. Porque é da natureza mortal. Marcos Paulo, Oscar, Ledo, Thelma, Dona Canô, entre tantos e outros, os também anônimos, estão mortos. Vivos em memórias preservadas, porque continuamos a história.

A seu tempo, o tempo de cada um fecha uma cancela para derivar nova chave a outras cartografias astrais. Agora, aos que se vão, só o bom tempo.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Ledo, É. Ivo também.


 Ledo, É. Ivo também.
por maneco nascimento


O meu leitor não é o que me lê. É o que me relê (caso exista). Um autor lido unicamente uma vez não tem leitores, por mais retumbante que seja o seu sucesso.” (Lêdo Ivo)

Às 2 horas da madrugada do domingo, 23, com seus completos e bem vividos 88 anos, o poeta Lêdo Ivo transmutou-se à maior licença poética da espécie viva, fenecer deste recurso, de passagem ligeira, para reaprimorar nova luz em outro canteiro do criador. Pêgo de surpresa, já que nunca se está muito pronto a este caminho de volta à verdadeira terra natal do berço primordial, foi entregue ao éter. 

Segundo a Academia Brasileira de Letras – ABL, onde fora membro e assíduo, as cinzas do artista da poesia e prosa ficarão no mausoléu da instituição dos imortais. “O poeta estava em Sevilha, na Espanha, a passeio com a família. Após um jantar, ele se sentiu mal e morreu nos braços do filho, o pintor Gonçalo Ivo, que mora em Paris. Ivo chegou a ser levado ao hospital, mas já teria chegado sem vida.” (www1.folha.uol.com.br/23.12.2012 – 11h44)

Como todo grande poeta, esse alagoano tem, porque sua memória poética nunca se perde, um natural sabor de fruto maduro, com cheiro de terra adocicada pelo degustar brotado, a seu tempo e hora, da semente escolhida para lavoura planejada.

SONETO DOS VINTE ANOS: Que o tempo passe, vendo-me ficar/no lugar em que estou, sentindo a vida/nascer em mim, sempre desconhecida/de mim, que a procurei sem a encontrar.//Passem rios, estrelas, que o passar/é ficar sempre, mesmo se é esquecida/a dor de ao vento vê-los na descida/para a morte sem fim que os quer tragar.//Que eu mesmo, sendo humano, também passe/mas que não morra nunca este momento/em que eu me fiz de amor e de ventura./Fez-me a vida talvez para que amasse/e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento,/trazendo a aurora para a noite escura.” (Ledo Ivo)

(...) o corpo será cremado na Europa neste domingo. As cinzas serão trazidas para o Brasil posteriormente. A presidente da ABL, Ana Maria Machado, disse que Ivo lutava contra um câncer de próstata havia anos, mas nunca conversaram a respeito da doença. Antes de morrer, o poeta pedira ao filho discrição. [Ele costumava dizer que a poesia é uma forma de ocultar a vida pessoal em palavras], disse Ana Maria.” (Idem)

Discreto na vida, sujeito da poesia, sua pedra e cinzel revelando o labor da escrita. Quando toca o amor, também fala o poeta e sua pena acena ao homem e seu tempo de existir e resistir, sem que se negue o inegável sentimento do ser, quem se é, poeta, mortal, sensível e gente como a gente que salta do vago para a energia expandida, porque gauche, se preciso. 

Soneto Puro: Fique o amor onde está; seu movimento/nas equações marítimas se inspire/para que, feito o mar, não se retire/de verdes áreas de seu vão lamento.//
Seja o amor como a vaga ao vago intento/de ser colhida em mãos; nela se mire/e, fiel ao seu fulcro, não admire/as enganosas rotações do vento.//Como o centro de tudo, não se afaste/da razão de si mesmo, e se contente/em luzir para o lume que o ensolara.//Seja o amor como o tempo – não se gaste/e, se gasto, renasça, noite clara/que acolhe a treva, e é clara novamente
.” (Ledo Ivo)

(Ledo Ivo, em 2011/foto: Fernando Alvarado)

Um imortal presentemente artista, como os colegas de seu ofício da arte de escrever. “Quinto ocupante da Cadeira número 10, eleito em 13 de novembro de 1986, na sucessão de Orígenes Lessa e recebido em 7 de abril de 1987 pelo acadêmico Dom Marcos Barbosa. Recebeu os acadêmicos Geraldo França de Lima, Nélida Pìñon e Sábato Magldi. Ledo Ivo nasceu no dia 18 de fevereiro de 1924, em Maceió (AL), filho de Floriano Ivo e Eurídice Plácido de Araújo Ivo. Casado com Maria Lêda Sarmento de Medeiros Ivo (1923-2004), tem o casal três filhos: Patrícia, Maria da Graça e Gonçalo.” (fonte: www.academia.org.br)

Cronista e romancista, Ledo ganhou o mundo. Não fosse de se esperar, assim o foi. Suas crônicas, no livro A Cidade e os Dias (1957) receberam o Prêmio Carlos de Laet da Academia Brasileira de Letras. Para a prosa memorialista publicou Confissões de um Poeta (1979) pelo qual foi distinguido com o Prêmio de Memória da Fundação Cultural do Distrito Federal. Também escreveu O Aluno Relapso (1991). (fonte: www.academia.org.br)


Seu romance Ninho de Cobras foi traduzido para o inglês (Snakes’ Nest) e ao dinamarquês, sob o título Slangeboet. 
No México, seus poemas receberam coletâneas, La Imaginaria Ventana Abierta, Oda al Crepúsculo, Las Pistas, Las Islas Inacabadas, La Tierra Allende, Mia Pátria Húmeda e Réquiem. A antologia Poemas foi editada em Lima. AEspanha publicou La Moneda Perdida e La Aldea de Sal. Nos EUA, Landsend, antologia poética. A Holanda selecionou poemas em Vleermuizen em blauw Krabben (Morcegos e Goiamuns) (fonte: www.academia.org.br)

Ledo, É. E nunca deixará de ser um dos nossos grandes autores de prosa e poesia e crônica e romance e, se não bastasse ser coroado em batismo como Ledo, ainda é Ivo. + licença poética melhor aplicada não poderia haver. Ledo, Lido e Relido, com bem gostaria de se ter havido na interlocução. O poeta é mão do tempo de aprender, soube sê-lo.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Cultura e identidade


 Cultura e Identidade
por maneco nascimento

O Grupo Afro Cultural Afoxá, cumprindo gentileza de convite, apresentou-se na Praça Aberta do Teatro Municipal João Paulo II, dia 11 de dezembro de 2012, às 18h30m, durante a Mostra de Residentes do Teatro João Paulo II. Numa noite que reuniu manifestações da dança em linguagem ao contemporâneo, com variações para dança nova, o street dance, hip hop, contemporâneo street, intervenção street e capoeira, O GAC Afoxá abriu os serviços de apresentação com um trabalho de pesquisa e cultura de, identidade étnica, bem descolado.

Negros Olhos de Orvalho”, com desenhos de dramaturgia coreográficos facilitados por Artenildes Afoxá e elencado por um coletivo bastante centrado no estímulo/resposta ao objeto da dança pesquisado, é de uma expressão que libera licença poética, abre margens para reflexão de história e memória dos povos africanos, em forçado rompimento de origens e reafirmação em outra terra. Também revela, através da dança e heranças culturais de raiz, a reinvenção da cultura afro-descendente para solo brasis.

Teatro e dança vão se formatando e enredando o caminho da pesquisa elaborada à estética dos corpos que falam e das tradições religiosas, de memórias orais e das interrelações de ritos e passagens ao novo momento de (re)nascer, sem jamais perder os troncos de afinidades e história que compõem territórios africanos mesclados com brasileiros.

Artenildes Afoxá, ao enredo dramático, lança mão de trechos de poemas, quando os recita com muita verdade e força interpretativa recheada de ação e atitude dramática eficaz. Todo o mapa dramático e enredo premeditado impõem lembranças de emblemas a dias fatídicos, do tráfico negreiro, dos açoites e indignas ações de escravizadores, mas também da resistência redentora. 

A dramaturgia também ilustra cenas de dança/teatro que revigoram todo corpo da montagem, sem trazer tratamento romantizado, panfletário ou discurso em desuso. O discurso fala pelo corpo que dança e exprime razão e sensibilidade reflexiva e com acuidade artística.

Um centrado coletivo que dança e impõe ao espectador imagens de um quase “(...) Tinir de ferros... estalar de açoites.../Legiões de homens negros como a noite,/Horrendos a dançar.../Negras mulheres, suspendendo às tetas/Magras crianças, cujas bocas pretas/Rega o sangue das mães:/Outras moças, mas nuas e espantadas,/No turbilhão de espectros arrastadas,/em ânsia e mágoa vãs! (...)" (Alves, Castro. O Navio Negreiro)

Também na cadeia evolutiva da cultura musical, herdada da verve africana, os bailarinos demonstram as novas linguagens e ritmos que abrasileiraram raízes negras e reinseriram no mundo moderno e midiático a força da dança, música, gingados e rituais renovados à identidade afro-brasileira. As cores e manifestos santos da religião sincrética, no Brasil, também são apresentados do divino primitivo ao ícone de Nossa Senhora Negra, rainha do país. É uma sacada de sutileza criativa.

A velha que conta histórias, também vivida por Artenildes, traz o público às oralidades, do tempo da vovó, e reinsere as velhas memórias de tradição e traços sócio-históricos. “Negros Olhos de Orvalho”, espetáculo montado pelo Grupo Afro Cultural Afoxá, repercute arte experimentada, cultura valorizada, pesquisa equilibrada à estética da cena da dança e abre canal crítico reflexivo à cidadania, valoração de etnia e identidade cultural pragmática.

São olhos que vêem a própria história, sem cair na cilada do piegas e da demagogia do varejo. É arte equilibrada à dança e ato de aprender a aprender a própria identidade e pertencimento. 

É cultura maturando propósitos.

Thelma, Reston saudades.


 Thelma, Reston saudades. 
por maneco nascimento

Yin é o inverno, a estação das mulheres, a casa e a sombra. Seu símbolo é a porta, o fechado, o escondido que amadurece na obscuridade. Yang é a luz, os trabalhos agrícolas, a caça e a pesca, o ar livre, o tempo dos homens, aberto. Calor e frio, luz e obscuridade, ‘tempo de plenitude e tempo de decrepitude: tempo masculino e tempo feminino – um aspecto de dragão e um aspecto de serpente –, tal é a vida’”. (O Ritmo IN Paz, Octavio. O Arco e a Lira. Tradução de Olga Savary. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. 368 p. [Coleção Logos])

Ao tratar de ritmo, Octavio Paz articula que nossa cultura (ocidental) está impregnada de ritmos ternários. Aponta que a lógica e a religião, a política e a medicina parecem se reger por dois elementos que se fundem e se absorvem em uma unidade: pai, mãe, filho, tese, antítese, síntese; comédia, drama, tragédia, inferno, purgatório, céu (...) memória, vontade, entendimento (...)” (Idem)

Não se está fora do tempo, somos o próprio tempo, diz Octavio. “O tempo não está fora de nós, nem é algo que passa à frente de nossos olhos como os ponteiros do relógio: nós somos o tempo, e não são os anos mas nós que passamos. O tempo possui uma direção, um sentido, porque ele nada mais é que nós mesmos.” (Idem) 

A partir da informação que se nos apresenta o escritor e ensaísta mexicano, se percebe a dualidade que nos presentifica. Que se está sujeito para nascer e viver esse dual que é a própria vida e seu dinamismo. Também não se perde o entendimento que, em outro tempo do tempo próprio, se é alçado a um último estágio dessa travessia de mortais. É fato. 

Pela estação das mulheres, ou tempo dos homens, abertos às vicissitudes, tempo e ritmos da vida ternários se vence em passos céleres à sobrevivência, ou se rende palco à dinâmica da comédia, do drama, da tragédia à cena viva. O palco da vida sempre prepara dramaturgia à ribalta e ao “blecaute”.

A atriz Thelma Reston, após brilhar por 73 anos, evolui ao palco das estrelas do plano metafísico. “SÃO PAULO, SP, 20 de dezembro (Folhapress) - Morreu hoje a atriz Thelma Reston, aos 73 anos, de causa ainda não divulgada. Nascida em Piracanjuba (GO), em 6 de julho de 1939, Thelma Reston teve uma longa carreira na televisão, no cinema e no teatro, na maior parte em papeis cômicos. Com mais de 40 filmes e mais de 30 peças em seu currículo, seu último trabalho na TV foi em "Aquele Beijo" em 2011, da TV Globo.” (www.jornalacidade.com.br/ Quinta, 20 de Dezembro de 2012 - 15h57)

(atriz Thelma Reston/foto: Frederico Rozario/TV Globo)

Despojada em sua requintada inflexão cômica para textos inteligentes de roteiristas, ou dramaturgos, Thelma dava um sabor histriônico a qualquer fala saída de sua boca. Deslizava pelas personagens televisivas com uma destreza e despojamento que só a arte do ator/atriz realiza a quem se abriga na profissão de fingidor. Também marcou papéis dramáticos, no cinema, com classe do domínio da cena. 

Entre seus papéis mais marcantes está o da Gorda no filme "Os Sete Gatinhos" (1980), de Neville d'Almeida. Baseada no livro de Rodrigues, a obra cinematográfica conta a história de um casal que tem cinco filhas, das quais quatro se prostituem para bancarem o enxoval da caçula, que é a única virgem. Reston contracenava com Lima Duarte, Regina Casé e Antonio Fagundes.Sua estreia na Rede Globo foi em 1975, na primeira versão de "Gabriela".
Com breves passagens pela extinta TV Manchete e pela Bandeirantes, Thelma atuou em dezenas de novelas, minisséries e humorísticos, entre eles "Brilhante" (1981), "O Primo Basílio" (1988), "Pedra sobre Pedra" (1992), "Engraçadinha" (1995), "Os Maias" (2001), "Senhora do Destino" (2004), "Negócio da China" (2008) e "Toma Lá Dá Cá
" (2009). (www.jornalacidade.com.br/ Quinta, 20 de Dezembro de 2012 - 15h57)

Seguindo o ritmo da vida e da morte, naturalmente, em tempo intrinsecamente dentro de nós mesmos, completa-se o curso e ritmo da existência. Em sermos o tempo, se passa pelos anos e, em tempo, se converge a ritos e ciclos de evolução na arte, na vida e na transcendência a novo foco de luz.

Thelma em cumprimento da missão do próprio tempo subiu aos seus que a aguardavam e deixa aos amigos, admiradores, colegas de profissão e família da arte e da vida uma saudade apertada, mas em ritmo do tempo de quem fica. Não sem antes marcar página do borderô da cena do teatro nacional.

Ela tinha pouco mais de 20 anos quando fez o primeiro trabalho com um autor nacional. E costumava dizer que, por acaso, foi com Nelson Rodrigues. Era 1960, e Thelma Reston estreava “A falecida”, primeira de uma série de peças que fizeram dela uma atriz rodrigueana. Ainda nos anos 1960, Thelma atuou em “Bonitinha, mas ordinária”, ao lado de Tereza Rachel. Em 1965, subiu ao palco do Teatro Municipal para encenar “Vestido de noiva”, dirigida por Sérgio Cardoso. Dois anos depois, integrou o elenco de “Álbum de família” e estreou “Os sete gatinhos”. Seu estilo escrachado a levou ao teatro besteirol com peças como “Pedra, a Tragédia” (1986). Na TV, fez novelas como “Gabriela”(1975). A mais recente: “Aquele beijo” (2011). (www.passeiaki.com/Extraído de: interjornal.notícias 31 horas atrás)

Do traço genético e artístico cultural deixa dois filhos, na continuidade de seu tempo transferido à herança da arte de se representar. “Aos 75 anos, Thelma morreu na madrugada de anteontem. Deixa dois filhos, o músico Luciano Reston e o ator Renato Reston. Estava internada desde terça- feira no Hospital São Lucas, no Rio. Tratava-se de câncer.” (www.passeiaki.com/Extraído de: interjornal.notícias 31 horas atrás)

Thelma, Reston saudades. Do riso escrachado, do talento coroado e rodrigueano e das deixas ao riso e ao entretenimento. Novo ritmo em novo tempo a aguarda e a manterá em + luz ao palco de luminares com quem dividiu cena, em algum tempo de sua carreira, na passagem pela Terra do teatro.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Cartoon, cartei.


Cartoon, cartei.
por maneco nascimento

Teresina sediou, em 18 de dezembro de 2012, às 20 horas, no Bar do Clube dos Diários, o Piauí Cartoon - I Encontro de Desenhistas do Piauí. Uma agitada noite de desenhistas, cartunistas, humoristas, músicos, amantes da linguagem, parceiros, público afim e a fim de convivência criativa e os curiosos bem vindos. Caricaturas. Quadrinhos. Charges, Cartuns. Tava tudo no programa, de entrada “free!”

Lançamento de livros e revistas de HQ; Presença de grandes desenhistas; Caricatura ao vivo; Exposição Varal de Talentos e o som do Clube do Vinil. Tudo regido no “script” de evento que foi “Um Brinde ao Humor!”.  A organização do Piauí Cartoon esteve às mãos do cartunista Dino Alves e do publicitário Ricardo Torres.  O riso estava de orelha a orelha dos organizadores. Pode-se dizer que as primeiras entradas e bandeiras ao I Encontro de Desenhistas do Piauí foi sucesso garantido em safra criativa.

Entre os amigos que topei em obra e criador, estiveram expondo o publicitário e diretor de arte Sanatiel Costa e o artista plástico, promissor, Lucas Martins. Dino Alves desfilou sua caneta mágica, perfilando o público com seu traço de caricatura ao vivo. Foi uma disputa para ser registrado pela arte do cartunista. Foi prazer e alegria estampada a toda a obra praticada.
(organizador do evento Dino Alves/foto colhida do Diário do Povo do Piauí/Edição Eletrônica)

Rir já faz muito bem, então quando melhor direcionado, causa um efeito envolvente. O Piauí Cartoon – I Encontro de Desenhistas do Piauí, definitivamente, marcou gol de placar em estética, plástica, convivência criativa, interação construtiva e reiteração de relações entre arte e cultura praticadas. Uma boa idéia não perde espaço nunca, amplia limites de integração sociocultural. E essa fecha um ano com muito bom humor. Curada na medida.

Com o apoio da LFG, o Piauí Cartoon – I Encontro de Desenhistas do Piauí não esteve prosa. Fechou a prova dos nove e a aritmética sinaliza que dois + duas idéias dão diversas informações e formação de platéia aos riscos de criar e recriar encontros de dividir a experiência mágica do ato criador à apropriação do público.

Parabéns aos idealizadores. Esse projeto tem pernas longas e corre à frente dos propósitos. Cria a praia, divide a areia e pula as ondas para que avance a novos anos. Sabe ser safo e toda boa arte divide o fogo dos deuses com a humanidade que precisa de lampejo de inteligência, brinde de mortais.
                                                         (arte do cartaz/divulgação)

Piauí Cartoon é carta ouro dentro do jogo. O baralho é de “pedras” do sucesso!

Bebel e Cacau em Show


Bebel e Cacau em show
por maneco nascimento

Reunir duas gerações de cantoras, um privilégio. Cantar sua cidade e a música que ainda se ouve sem os ruídos da comunicação e do sucesso midiático voraz, um prazer. Criar um dialogismo através da música e ainda reunir mãe e filha cantando “o que bem merece, deixando o ruim de lado”, uma louvável idéia e um show para guardar na memória.

João Vasconcelos promove no Bar do Clube dos Diários, dia 21 de dezembro (sexta feira) de 2012, a partir das 19 horas, o grande encontro de mãe pra filha. Bebel Martins e Cláudia Simone numa noite imperdível. Em palco, a suavidade e ternura vocal de Bebel em contraponto à inquietante força de expressão cantada de Cacau. Uma guerra de musas em paz musical.

Depois de um agitado ano em que muita gente veio pra ficar e outras que vão sempre retornar ao Bar do Clube dos Diários e afinar sociedade com os agitos daquele espaço cultural, os dias de 2012 estão contados para fechar em grande estilo, nas atividades do BCD. Em que pese que o mundo não acabe, logo cedo, nem + tarde tão menos, a pedida é mesmo ir conferir Bebel Martins e Cláudia Simone, porque a vida é bela e um bom ouvido faz diferença no mundo de surdos.

Bebel é aquela diva que, quando iniciou carreira, namorou com a Jovem Guarda e reservou à memória cantar com ídolos; ir aonde o povo estava para ouvi-la arrasar. Hoje é vinho da safra que depurou na década de 1960, já maturado desviou do vinagre. Canta, porque os males espanta e o faz com qualificável voz de sabiá, seja a Chico e Tom (premiada no III Festival da Canção de 1968 – “Vou voltar, sei que ainda vou voltar para o meu lugar...”), ou a do Gonzagão e Zé Dantas [“Tu que anda pelo mundo (Sabiá)/Tu que tanto já voou (Sabiá)/Tu que fala aos passarinhos (Sabiá)/Alivia minha dor (Sabiá)...”], Bebel sabe dos trinados da canção.

E se aprendeu a cantar muito bem, a mãe, então porque não passar essa paixão à filha Cláudia, que se tornou cantora, compositora, poeta, advogada, produtora cultural, mãe e artista impetuosa para todos os trancos e arrancos da melhor canção que queira cantar.

De Torquato a Elis já mostrou que para cantar não basta só ousar, mas apreender as linhas enviesadas da melodia e do canto em franca afinação, porque música pulsa em quem sabe trinar uma emoção “E bem que viu o bem-te-vi,/A Sabiá sabia já./A lua só olhou pro sol;/A chuva abençoou...” (Gonzaguinha – Lindo Lago do Amor)

Então, antes que o mundo acabe só não será feliz quem não quiser. Porque dia 21 será a noite de Bebel Martins e Cláudia Simone no encontro “Bebel e Cacau em show”. 

As divas vão dizer que A canção brasileira chegou/Com o fim do verão/O sol está presente/Como continua/O impossível amor...” (Sueli Costa – Canção Brasileira). O impossível amor pela música, a resistência em manter acesa a chama da MPB que chama você para ouvir uma canção brasileira, ainda estão presentes.

Bebel Martins e Cacau Simone e a boa companhia de uma Banda da pesada dão a voz da graça, em atenção a quem queira ouvir a música que ainda toca o coração do ouvido sensível. Valha aqui esta canção que encante Teresina para já e a novos dias que verão chegar.


(área do Bar do Clube dos Diários/foto: divulgação)


Expediente, experimente:
Bebel Martins e Cláudia Simone
Dia 21 de dezembro de 2012
Bar do Clube dos Diários
Às 19 horas



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Cobras, hein!


 Cobras, hein!
por maneco nascimento

A noite do dia 14 de dezembro de 2012, no Bar do Clube dos Diários, foi para cobras e lagartos - sem asas - porque seria uma temeridade e Deus jamais daria asas, físicas, às cobras. 

E, como não vivemos tempos de dragões, aparentados míticos dos répteis + pós modernos de nosso contexto sóciocobríssico, se ficou na licença poética. Mesmo porque São Jorge que já existia, antes da invenção de Glória Perez, para dar cabo de afoitos bichos medievais e nos proteger a todos, não consegue controlar o ofídio da cobras da atualidade.

Então se nada se pode contra elas, enrolar-se com elas e dá uma de Luz Del Fuego, talvez seja a solução de modernidade. Foi o que fizeram João Vasconcelos e Humberto Pequeno, ao instituírem o Prêmio Cobra do Ano, categorias Ouro, Prata e Bronze. 

As eleições livres e diretas ocorreram durante duas semanas de dezembro, em urna preparada exclusivamente a esse fim. A conta do escrutínio deu-se na noite da sexta feira, 14, no Bar do Clube dos Diários, logo após a solenidade de entrega do Prêmio “Os Melhores do Ano do Teatro Piauiense”.

Uma divertida contagem dos votos de candidatos, melhor ou pior, votados para um número exemplar de concorrentes/eleitores cobras. Durante a contagem dos votos, ao vivo, com direito a intervenções de cobrisses do eleitorado presente à apuração, foi sugerida a definição das cobras que seriam eleitas na noite.

A Cobra Ouro – coral; A Cobra Prata – cascavel e a Cobra Bronze – cipó, do rabo seco. Muitos votos entre o diverso, humorado, venenoso e auto imune. Houve quem votasse em si mesmo(a), nas três categorias; quem apostou em envenenar alguém para livrar o próprio rastejar e houve, ainda, quem assumisse a cobra criada que é, só não + perigosa porque de sangue quente, diferente do bicho primordial.

Cobras e cobrisses para todos os lados, difícil foi pisar em terreno que não inspirasse cuidado. A cobra seca e mãe das cobras em evolução da espécie (A. Martins) fez discurso e lembrou que não há ninguém sem natureza cobra. Todo(a)s são filho(a)s de cobra. Que, já na gênesis, havia uma cobra que forçou a abertura dos portões do Paraíso, empurrando para fora dos limites do Éden o(a)s filho(a)s do primeiro exemplar, a guardadora da maçã, aquela que assegurou que criassem asas os herdeiro(a)s do paraíso, das cobras.

Receberam votação considerada, Reijane Telma Dias, Assunção Ferreira, Adalmir Miranda, Ana Paula Medeiros, Ana Carvalho, entre outros espécimes representativos do ninho de cobras. Mas as eleições se fecharam em três nomes da pesada. Em primeiro lugar ao Prêmio Ouro – Cobra coral, Franklin Pires, com disparados dezesseis votos numa campanha de eleitores pulverizada.

O Prêmio Prata – Cobra cascavel coroou Antoniel Ribeiro, com 10 votos bem disputados. Já o Bronze – Cobra cipó, do rabo seco, achou o rastro de Valdemar Santos, que saiu na frente das outras candidaturas, com 9 votos engolidos um a um, em terreno no qual cada ponto era sapo escolhendo o bote. 

As cobras, do gênero feminino, Assunção Ferreira e Reijane Telma Dias, ofídio da polêmica, ainda tentaram incrementar uma repescagem de votos, por não se sentirem incluídas no resultado do escrutínio final. Para elas, as eleições realizadas só haviam beneficiado o sexo masculino, em detrimento da mulher. No que alguém rechaçou que + mulher que a cobra não poderia haver outro bicho, mesmo em sendo os vencedores do gênero masculino.

Foi uma eleição justa, direta, democrática, com apenas três votos em branco, nenhum nulo e alguns encharcados de veneno do próprio umbigo. Quem quis, ou premeditou, aproveitou-se da oportunidade para destilar sua dose de veneno “saudável” e praticar seu melhor exercício de cobrisse ensaiada, ou de improviso quente e impactante como a picada no susto.

Na entrega dos troféus, uma das cobras idealizadoras do projeto, João Vasconcelos, declarou ter ganhado o Prêmio por cinco anos seguidos e que seria a hora de passar a faixa à outra merecedora da honraria. A quem levantou que, àquela noite, estava sendo criado o Prêmio Cobra do Ano, Ademilton Moreira lembrou que esse projeto já havia sido parido, ou chocado, na festa do Natal das Falsas. Núcleo da célula que deu vida ao Prêmio Cobra do Ano.

Além dos troféus às categorias aclamadas, ainda havia um simbólico prêmio em bebidas. Seis cervejas ao primeiro lugar, quatro ao segundo e duas ao terceiro. Tivessem instituído prêmios em dose de veneno, qualquer um(a) do(a)s concorrentes, ou mesmo o(a)s escolhido(a)s teriam tido oportunidade de testar a auto imunidade.

Seguramente, no universo de cobras velhas e já com diversas trocas de peles e presas, não haveria nenhum efeito colateral, ou cobranocídio, provar do próprio veneno. Eita, mundão de cobras!

Teatro premiado



Teatro premiado
por maneco nascimento

A noite do dia 14 de dezembro de 2012 realçou a festa de prêmios aos melhores do ano no teatro piauiense. Na Galeria do Clube dos Diários, a cidade do teatro local veio confirmar as candidaturas e aplaudir os premiado(a)s a “Os Melhores do Ano do Teatro Piauiense”. Projeto idealizado por Aci Campelo e desenvolvido com o apoio de Edson Jr. e Jesus Viana fez sua estreia nesse ano de 2012. A partir da 20 horas se confirmou os premiados dessa edição número 1.

Atores, atrizes, diretores, autores, técnicos, grupos, empresas, incentivadores e personalidades em destaque e um homenageado do ano, nessa boa prática do teatro piauiense, foram laureado(a)s. Incentivar e elevar o nível artístico e técnico dos espetáculos produzidos no estado do Piauí é a premissa do Projeto. Elevar a auto estima, reconhecer a atuação do profissional do teatro, em seu exercício no decorrer do ano, a chave para a cena privilegiada.

As categorias concorrentes, Melhor Ator e Melhor Ator Revelação; Melhor Atriz e Melhor Atriz Revelação; Melhor Diretor; Melhor Autor, exclusivo para dramaturgo local ou residente no Estado; Melhor Iluminador; Melhor Sonoplastia; Melhor Cenógrafo; Melhor Figurinista; Grupo e Personalidade em destaque; Empresa ou Incentivador do Teatro. Os critérios de seleção à concorrência do Prêmio se basearam nas temporadas dos espetáculos, produção, inovação e ineditismo.

Concorreram 14 companhias de teatro, sendo excluídos do certame a Cia. Grande Otelo de Teatro e a A&C Promoções Culturais, porque promotores do evento. A comissão que finalizou na indicação de três concorrentes, a cada categoria, foi composta pelos atores Ademilton Moreira; Jesus Viana; Maneco Nascimento e Edson Jr.; a produtora cultural Josy Brito; o jornalista Eugênio Rêgo e a coordenação de Aci Campelo. A comissão bateu o martelo aos vencedores.

Os concorrentes finais, na categoria Melhor Cenografia, foram Emanuel de Andrade por "Macacos me Mordam"; Layane Holanda, por "Menu de Heróis" e Wilson Costa por "Senhor Rei e Senhora Rainha". Venceu a cenografia de Layane Holanda ao espetáculo do Núcleo do Dirceu. As Sonoplastias concorrentes foram as criações e pesquisas de José Dantas, ao espetáculo "Macacos me Mordam"; Sérgio Matos pela sonorização ao "Menu de Heróis" e a Companhia Truá de Espetáculos, com o enredo musical para "17 Minutos antes de Você". O Prêmio Melhor Sonoplastia ficou com a Cia. Truá de Espetáculos.

Os iluminadores indicados, Jacob Alves, por "Menu de Heróis"; Roberto Sabóia e a luz de "Macacos me Mordam" e "Assaí Campelo", com o desenho de luz de "Senhor Rei, Senhora Rainha". A estatueta de Melhor Iluminador foi para Assaí Campelo. Os figurinistas da disputa foram Lopes Neto, por "Macacos me Mordam"; Wilson Costa, que vestiu o elenco de "Senhor Rei, Senhora Rainha" e Layane Holanda, por "Menu de Heróis". Wilson Costa foi confirmado como o Melhor Figurinista do ano.

Adalmir Miranda, Arimatan Martins, Eraldo Maia e Elielson Pacheco foram indicados ao troféu de Melhor Diretor do ano, por "Barrela", "Macacos me Mordam" e "17 Minutos antes de Você", respectivamente. O Melhor Diretor ficou com Eraldo Maia e Elielson Pacheco. A premiação ao Melhor Autor fechou nas indicações da Cia. Truá de Espetáculos (17 Minutos antes de Você); Arimatan Martins (dramaturgia de Macacos me Mordam) e Adalmir Miranda (Folia de Reis). Adalmir Miranda foi o Melhor Autor de 2012.

As indicações para quem produziu, ou incentivou o teatro, neste ano, destacaram a Faculdade Santo Agostinho, a apresentadora de tevê Alexandra Teodora e o produtor cultural Antoniel Ribeiro. A estatueta de Melhor Incentivador foi às mãos de Alexandra Teodoro. Nas categorias Grupo e Personalidade em Destaque houve indicações aos Grupos Scandalo Legalizado de Teatro – Scalet (Floriano); Núcleo do Dirceu e Grupo Raizes de Teatro. O Raizes foi o Grupo laureado.


(imagem/divulgação)

Já as personalidades concorrentes ao pleito foram as atrizes Silmara Silva, Lari Sales e o ator e diretor César Crispim. A Melhor Personalidade do ano agraciada foi César Crispim. Na categoria Ator Revelação concorreram Igor Pinheiro, por "Barrela"; Elizianio Pedro, pela atuação em "Senhor Rei, Senhora Rainha" e Emanuel de Andrade que atuou em "Macacos me Mordam". Igor Pinheiro é a Melhor Revelação do ano. As atrizes revelação concorrentes, Nayara Fabrícia (Folia de Reis); Wania Sales (A Lenda do Vale da Lua) e Aline Moura (Dona Flor e Seus Dois Únicos Maridos). A Atriz Revelação foi Aline Moura.

(imagem/divulgação)

Concorreram ao prêmio de Melhor Atriz, Silmara Silva, a piaba de "Folia de Reis"; Layane Holanda, pela performance de "Menu de Heróis" e Edith Rosa, a rainha mãe de "Senhor Rei, Senhora Rainha". O ano foi da bela piaba construída por Silmara Silva, a Melhor Atriz 2012. Humberto Pequeno (Barrela); Júnior Marks (17 Minutos antes de Você) e Vitorino Rodrigues (17 Minutos antes de Você) disputaram o Melhor Ator. Humberto pequeno foi o grande vencedor do ano.


 (imagem/divulgação)

A solenidade de premiação foi aberta com a homenagem ao ator, humorista e cantor piauiense, de Barras, Octávio César. Recebeu das mãos de sua mulher a estatueta de Homenageado do Ano. E como encerramento do “Melhores do Ano do Teatro Piauiense” houve um coquetel festivo.

Não custa lembrar os apoiadores do evento, FUNDAC, Projeto Música para Todos e a imprensa de tevê, escrita e dos portais de notícias. O evento de 2012 deu o pontapé de estréia com qualificada coerência de resultados e abre precedentes para novas edições. Que venham 2013 e a renovada geração do teatro piauiense.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Cena escolar


 Cena escolar
por maneco nascimento

Com uma hora de atraso e uma ameaça de chuva que não se confirmou, estreou dias 13 e 14 de dezembro de 2012, no Adro da Igreja de São Benedito, às 20h e alguns minutos, o projeto ao exercício da cena aberta com escolandos, a partir de original da literatura universal, a montagem de “A Pequena vendedora de fósforos”, adaptação de Siro Siris e produção executiva de João Vasconcelos.

Numa iniciativa do ProJovem e apoio logístico da Semtcas, PMT, Ministério do Desenvolvimento Social - MDS e Governo Federal, aluno(a)s da rede pública oficial tiveram seus quinze minutos de fama. Desenho dramatúrgico que envolveu coral, teatro e movimento de dança, percussão e um solo cantado para a música “Jesus Cristo”, de Roberto Carlos, preencheram a cena iniciática de meninos e meninas, em atuação, no Adro e escadarias da São Benedito, desempenhando exercício livre de fingir de convencer.

Descontando o atraso de início, no primeiro dia, 13, que desgastou o público e enfraqueceu a expectativa, bem como a variável do ânimo de adolescentes “pisando” pela primeira vez em um palco, a céu aberto, + os atropelos de operação de som e vácuos de passagem de uma cena à outra, “A Pequena vendedora de fósforos”, de Siro Siris, quebrou a barreira da educação formal e deu ganho à LDB que aponta o norte da transversalização da arte e cultura no construtivismo cidadão.

Experiência praticada, resultado aceito pelo público correspondente ao convite de estar na temporada de dois dias, 13 & 14, no Adro da Igreja de São Benedito. A dramaturgia alinhou o grupo de canto coral, para as tradicionais músicas natalinas, em transcurso com a dramatização da pequena menina que precisa vender fósforo, no dia de natal, e não sofrer violência física do próprio pai.

Os imberbes e iniciados na arte de representar, naturalmente estiveram pouco à vontade. Teatro a céu aberto exige um rigor de disciplina, ouvido de lince e olhos de camaleão. Os escolandos fizeram sua parte com as licenças de ”erros” e intranqüilidades que permeariam a novidade de encenar. Dentro do esquema ensaiado deram seu +. Alguns com alguma atenção vigiada pelo interesse em acertar, outros em pressa de passar pela obrigação assumida.

A organização de figurinos serviu ao conjunto armado e, dentro do matiz semântico do enredo natalino, serviram ao propósito. A dublagem da própria voz, no pré-gravado da história, foi uma das maiores dificuldades em sincronizar ação e perfil das personagens apresentadas pelo(a)s adolescentes, embora não seja muito fácil, para iniciante, jogar-se na afinação de dublagem e ainda acionar marcas dramáticas. Essa parte da dramaturgia pareceu a + frágil, mas entendível.

O espetáculo ganha margem de apoteose no final. Um adolescente interpreta “Jesus Cristo”, numa releitura ao “soul” e “swing pop”, acompanhado por três dezenas de adolescentes e seus instrumentos percussivos, sob a orientação do vaqueiro Jeová. Realiza um gostinho bom, de “gran finale”, em compensação aos riscos de atropelos e vivaz imaturidade de quase todo o resto da dramatização.

A aluna, que interpreta a pequena trabalhadora, tem um tempo natural de querer acertar, talvez o projeto a evento oficial e público, conjurado pela pressa de demonstração de resultados, tenha diminuído o tempo de melhor apreensão ao exercício do fingimento da nova atriz.

“A Pequena vendedora de fósforos”, do ProJovem Adolescente, não se esvazia no demérito. Um coletivo que envolveu 120 aluno(a)s, em coragem e determinação à encenação vista, já abre precedente de interesse oficial a bem cultural e artístico. Teatro escolar e de evento que amplia o qualitativo estudantil e aponta sinal à cultura de identidade social e reflexão crítica sobre o papel formador do cidadão em seu meio.

Parabéns à iniciativa do ProJovem a ato iniciático de escolandos que vivenciaram a arte de fingir, em convencimento do público atento.