sábado, 20 de outubro de 2012

Histórias e políticas


 “Histórias e políticas”
por maneco nascimento

Corre a lenda de histórico da política brasileira que o paulista Adhemar de Barros, o grande realizador de obras estruturantes em São Paulo, teria ficado algumas vezes sob suspeita de incorreções, que debeladas ao provar a verdade de sua lisura administrativa. Ainda assim ficou alcunhado como o que “rouba, mas faz”, por adversários. 

Adhemar Pereira de Barros nasceu em 1901, em 22 de abril, na cidade de Piracicaba e morreu em Paris, em 12 de março de 1969. Foi aviador, médico, empresário e influente político brasileiro entre as décadas de 1930 e 1960. Na área política, foi Interventor Federal (1938 - 1941); Governador de São Paulo (de 14 de março de 1947 até 31 de janeiro de 1951); Prefeito da cidade de São Paulo (de 8 de abril de 1957 até 7 de abril de 1961) e, novamente, Governador paulistano (de 31 de janeiro de 1963 até 6 de junho de 1966) (wikipédia/dado colhido em 18/10/2012, às 16h25)

(Aniversário de 50 anos da Proclamação da República/Adhemar de Barros, ao fundo e à direita do presidente Getúlio Vargas/foto: colhida da wikipédia)

Construiu grandes e famosas obras em São Paulo, durante suas administrações, e recebeu homenagens em nome de bairros paulistanos; escola municipal; Hospital da Faculdade de Medicina da USP; Aeroporto estadual, em Presidente Prudente; Estádio de futebol, em Araçatuba e Rodovia Adhemar Barros, SP-340 (Rodovia Governador Doutor Adhemar de Barros)

Consta que suas campanhas seriam bem elaboradas e que Adhemar e Hugo Borghi são considerados pioneiros do marketing eleitoral no Brasil. “Um dos slogans de campanha eleitoral de Ademar de Barros, não assumido abertamente, era ‘Ademar rouba, mas faz’, que, apesar de ser uma frase cunhada por seu adversário Paulo Duarte, acabou por ser o lema de sua campanha eleitoral para prefeito de São Paulo, em 1957, se promovendo em cima de inúmeras acusações de corrupção, na época chamadas de ‘negociatas’.” (wikipédia/dado colhido em 18/10/2012, às 16h25)

Acusado de desvio de verbas públicas nos períodos em que exerceu o cargo em chefe do executivo paulista, seus adversários diziam que existia a “Caixinha do Ademar” que financiaria suas campanhas eleitorais. Em sua defesa, “(...) os ademaristas tinham um refrão muito popular, composto com Herivelto Martins e Benedito Lacerda: [Quem não conhece? Quem nunca ouviu falar? Na famosa ‘caixinha’ do Adhemar. Que deu livros, deu remédios, deu estradas. Caixinha abençoada!]” (wikipédia/dado colhido em 18/10/2012, às 16h25)

Também ficou marcado no folclore político, “Em um comício em Jaú, Ademar, batendo a mão no bolso, exclamou: ‘Neste bolso nunca entrou dinheiro do povo!’ Alguém na multidão gritou em resposta, segundo depoimento de Paulo Silveira: ‘Está de calça nova, doutor!’” (wikipédia/dado colhido em 18/10/2012, às 16h25)

Adhemar de Barros, há quem acredite, não teria deixado herdeiros políticos. Os cientistas políticos não conseguem estabelecer uma herança política do ademarismo. “O estilo de governo Paulo Maluf pode ter sido influenciado em alguns aspectos pelo estilo de Ademar, porém eles não foram aliados políticos. A carreira política de Maluf começou com sua nomeação para prefeito de São Paulo, justamente no dia do falecimento de Ademar: 12 de março de 1969.” (wikipédia/dado colhido em 18/10/2012, às 16h25)

Paulo Maluf, bom de voto e discurso populista de atração ao povão, mantém carreira política ainda no “staf” dos velhos lobos do mar eleitoreiro. Nalgum momento de sua carreira, também foi apontado como desviador de recursos públicos. Saiu com a pérola de que seu enriquecimento teria sido objeto de herança familiar. Continua sendo Maluf e agora aliado do PT nas eleições municipais de São Paulo 2012.

O mundo mudou, a democracia brasileira tem dado mostra de melhor transparência na política e nos negócios da política nacional. E a justiça também se manifesta menos cega com relação aos rumos de recursos públicos desviados do fim natural. Vide o julgamento do mensalão.

O ex-presidente brasileiro, Lula, teria recusado dar entrevista aos correspondentes brasileiros, mas em entrevista exclusiva concedida a jornal local portenho La Nación, em Buenos Aires, na Argentina, quando questionado sobre os rumos conseguidos no resultado do julgamento do mensalão, disse que: 

“‘Um ex-presidente não pode estar opinando sobre o que a Suprema Corte está fazendo. Vamos esperar que termine o processo’, disse Lula, ao ser indagado sobre se tem alguma autocrítica em relação ao caso que condenou ex-ministros e líderes de seu governo. ‘Eu já fui julgado. A eleição de Dilma foi um julgamento extraordinário. Para um presidente com oito anos de mandato, terminar com 87% de aprovação é um tremendo julgamento. Não me preocupo de jeito nenhum’, afirmou.” (divulgação – 17.10.2012/atualizado: 18.10.2012 10: 21/por estadão.com.br) 

Já José Genoino, condenado em 1ª. Instância, no Brasil de Minas Gerais, acha-se perseguido, “Prestes a ser julgado por formação de quadrilha no processo do mensalão, o ex-presidente do PT José Genoíno classificou na quarta-feira (17) como ‘um ato de perseguição política’ a sentença da Justiça Federal de Minas, que na terça-feira (16) o condenou a quatro anos de prisão por falsidade ideológica (...) Além de Genoino, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e ex-dirigentes do BMG foram condenados pela juíza Camila Velano, da 4ª. Vara da Justiça Federal, em Minas. Nessa ação, os empréstimos concedidos pelo BMG ao PT e às empresas de Marco Valério, apontado como operador do mensalão, foram considerados fictícios.” (atualizado: 18/10/2012 09:57/Por Vera Rosa, estadao.com.br) 

As notícias e seus desdobramentos até envelhecem, mas até que se resolva esse “imblóglio” que envolve líderes petistas e que culminou em julgamento, no STF, a prevaricadores, muito ainda há que se ater à novidade de mudanças nos rumos políticos e jurídicos nacionais.

“‘Diversos elementos de convicção, harmônicos entre si, a indicar que José Dirceu, tal como sustentado pela acusação, comandava núcleo político, que por sua vez, orientava as ações do núcleo publicitário, o qual normalmente agia em concurso com o chamado núcleo financeiro, Banco Rural’, completou Joaquim Barbosa.” (g1.globo.com/jornal-nacional/notícia//Edição do dia 17/10/2012 21h37 – Atualizado 17/10/2012 22h15)

Há uma distância histórico-temporal entre os feitos, que também levantaram suspeitas oposicionistas a Adhemar de Barros e os do governo de coalizão petista, que descambaram em suspeição comprovada, envolvendo assessores diretos e partido do então presidente Lula. 

Adhemar entrou para a história com o estilo político “tocador” de obras, obras e ações de caráter social e estruturantes. Visto em mangas de camisas arregaçadas e suspensórios. “Por onde passar a energia elétrica, passarão o transporte, o médico e o livro”, Adhemar de Barros. (wikipédia/dado colhido em 18/10/2012, às 16h25)

O ex-presidente Lula, abriu fronteiras a um olhar às populações + pobres. Político formado nas fileiras das lutas operárias, ex-torneiro mecânico do ABC paulista e presidente da república por dois mandatos, o nordestino foi só orgulho em um Brasil de grandes desigualdades sociais.

Seus 87% de aprovação popular são fatos, juntou carisma nacional e estrangeiro inquestionáveis. Também terá que levar em seu histórico, de política de coalizão, um expediente que parece não haver modo de ser esquecido tão rápido, mesmo em glebas eleitorais de memória curta.

O mensalão é fato e como disse uma ministra do Supremo: "'Não estou julgando Histórias, estou julgando fatos' – Ministra Cármem Lúcia (STF), ao condenar os réus José Dirceu e José Genoino." (www.jmijui.com.br/Jornal da Manhã/Colunista/Cláudio Humberto/Publicado em 10/10/2012)

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