segunda-feira, 16 de julho de 2012

Difusora, a pioneira.


Difusora, a pioneira.
por maneco nascimento

Muito se cogitava sobre a decadência total do rádio com o advento da televisão, no entanto, a ‘tela plana’ marca apenas a decadência da ‘era de ouro’ do rádio no Brasil. A presença da televisão representeou uma perda significativa para a radiodifusão brasileira, (...) ‘tudo que havia de mais representativo e popular na radiodifusão sonora foi levado para a TV. Desde o elemento humano aos programas de maior audiência’” (AZULAY: 1990 IN Lima, Nilsângela Cardoso. Invisíveis Asas das Ondas ZYQ – 3: A Rádio Difusora de Teresina na década de 1950[Rádio: encruzilhada da história: rádio e memória/orgs. Francisco A. do Nascimento, F. C. Fernandes Santiago Jr. – Recife: Bagaço, 2006. 278p.])

Quando nasci, em 1963, a sonoridade da radiodifusão na capital já havia experimentado os dias fundamentais e caminhos reparadores à implantação da primeira emissora de rádio de Teresina. A implantação da primeira rádio no Piauí deu-se em 1938, a Rádio Educadora de Parnaíba, que sofrera formatação  e experimentos naquela cidade, desde 1930. Em Teresina, o “João Batista” pregador das primeiras emissoras de rádio, na capital, foram as amplificadoras “Rádio Amplificadora Teresinense” e a “Rádio Propaganda Rianil”, entre outras.

 Em 1963, Teresina já possuía há quinze anos sua pioneira emissora, “(...) a Rádio Difusora de Teresina, com o prefixo ZYQ – 3, a qual promovia uma programação que intercalava música, jornalismo e programas que exploravam temáticas populares, discutindo problemas da sociedade local.” (Lima, Nilsângela Cardoso. Invisíveis Asas das Ondas ZYQ – 3: A Rádio Difusora de Teresina na década de 1950[Rádio: encruzilhada da história: rádio e memória/orgs. Francisco A. do Nascimento, F. C. Fernandes Santiago Jr. – Recife: Bagaço, 2006. 278p.])

Talvez, por meus pais serem católicos praticantes, a Rádio Pioneira ser emissora católica e, eles dedicarem grande admiração por Dom Avelar Brandão Vilela, eu tenha crescido com ouvidos ligados na rádio católica. Porém, quem abrilhantou os anos de radiofonia, em Teresina, a partir de 1948 e depois dividiu espaço com a Pioneira e Rádio Clube de Teresina, segundo a pesquisadora Nilsângela Lima, foi mesmo a Rádio Difusora de Teresina (ZYQ – 3).

(logo da rádio difusora de Teresina/divulgação)

Em 1948, Teresina ganha sua primeira emissora de rádio, a Rádio Difusora de Teresina (RDT), com o prefixo ZYQ – 3, (...) Em termos de equipamentos técnicos e do suporte financeiro, era considerada mais do que uma amplificadora, porém uma rádio muito aquém daquelas que existiam no sul e mesmo em algumas capitais do Nordeste.” (Idem. pg. 140)

Jornalismo comentado, musicais, programas de auditório e radionovelas foram assumidos também como padrão na rádio local, a exemplo do que era praticado em outros centros e assim nossa Difusora desempenhou seu papel sociocultural e, constituindo-se como meio de comunicação de massa gerou espaço para sociabilidades, cultura e lazer nas frentes da radiodifusão em Teresina.

As radionovelas também fizeram parte da programação da Rádio Difusora de Teresina, constituindo-se em programas de grande sucesso. As novelas eram compradas de rádios do sul do país ou da ‘Rádio Clube de Pernambuco’ e ‘Ceará Rádio Clube’. Algumas foram produzidas por artistas piauienses (...) de curta duração e interpretadas pelos elementos principais do ‘cast’ da ZYQ – 3 e por pessoas de destaque da sociedade teresinense que tinham algum envolvimento com a arte cênica, como Santana e Silva e Ana Maria Rego.” (Idem. pg. 143)

Com a veia informativa e de cinzel devotado à comunicação, seu jornalismo também foi áureo e qualificável da informação radiodifundida. “O ‘Jornal Q- 3’ tinha, para o Piauí, a mesma importância que o ‘Repórter Esso’ tinha para o Brasil. Segundo José Lopes dos Santos, o ‘Grande Jornal Q- 3’, irradiado desde 1951, possuía um papel importante em termos de informar a sociedade (...) ainda não existindo a televisão, o jornal falado estava mais acessível à população.” (Idem. pg. 147)

Os programas de auditório, mesmo para espaço pequeno com apenas 25 cadeiras, constituíam destaque na participação popular e preferência do público ouvinte. E quando havia a necessidade de trazer grandes artistas do cunho nacional, shows artísticos eram organizados para o palco do Theatro 4 de Setembro, com a venda de ingressos e possibilitando um exercício de sociabilidades.

A hora dos auditórios mantinha programas como o conduzido por "(...) Rodrigues Filho, o qual, além de programa de calouros, realizava ‘jogos’ de perguntas e respostas, atraindo muitos jovens pelas brincadeiras e pelos prêmios oferecidos.  Outro programa que se destacou, foi o Domingo Alegre, apresentado pelo radialista Al Lebre, que, acompanhado de uma criança, acalorava o auditório apertado devido à participação ativa do público.” (Idem. pg. 155)

Quem não ia ao auditório acompanhava com ouvido colado ao radinho a cultura do lazer através das ondas do rádio. A vida pensada por radialistas, técnicos, redatores, locutores-noticiaristas, comentadores, e a penetração das mulheres na profissão de locutoras, cantoras, radioatrizes.

Ao lado da ação política, religiosa, econômica, informativa e cultural, a formação do imaginário popular é um dos elementos fundamentais que pode produzir e fazer com que o público ouvinte viaje no mundo da fantasia que o rádio permite.” (Idem. pg. 158)

Das sociabilidades de encontros nos logradouros públicos, as praças das paqueras, das bandinhas e retretas, ao deslocamento da atenção às amplificadoras implantadas nas praças do centro da cidade até a chegada efetiva da era do rádio local que ganhou idade madura, com o correr dos anos, nossa memória e história cultural da radiofonia é fato que a história oral tem recuperado para que não se perca o pioneirismo da Difusora de Teresina.

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