quinta-feira, 17 de maio de 2012

Liberdades e licenciosidades


Liberdades e licenciosidades
por maneco nascimento

Outro dia, não muito longe das horas desse nosso mundinho “fabular” de sobrevivência cultural às forças de parcerias com instituições públicas e algumas iniciativas quixotescas, um administrador de Bar que funciona como apêndice do Complexo Cultural Clube dos Diários/Theatro 4 de Setembro confessou ter-se sentido afrontado.

Nos últimos meses, a convivência e sociabilidades praticadas no Bar do Clube dos Diários têm reacendido o prazer de freqüentar a noite do centro e trocar conversas com amigos e afinidades. Há espaço para toda a gente pop e também a outras tribos da comunidade social que a cidade alimenta. Essa liberdade de encontros e diversão é o que dá o ponto na doce noite daquele Bar.

Tem gente que vem pra ficar...” e outras que vão-se para não mais aportar. São os fluxos naturais do trânsito de entradas e saídas. Há para ali os que são da natureza risível, curiosa, interativa, intrusona, participativa, silenciosa, ativista, criativa, aventureira, barulhenta, boca livre, descuidada, surda e licenciosa e até boca tensa.

Para noite da semana passada, João Vasconcelos registrou a “petulância” ignorante de determinada dublê de pedagoga e professora da Escola Técnica de Teatro “Gomes Campos”. A desavisada de princípios da educação ambiental e respeito a regras teria confeccionado, a partir de uma “bia”, um novo cigarro de maconha e acendido à beira do balcão daquele Bar.

A ressentida atitude da moça parece ter sido desdobramento de um sentimento de ofendido, partido de um cantor e ex-namorado da professora. Aclareando: João Vasconcelos teria chamado a atenção do cantor, que sempre se apresenta no local, às sextas feiras, no Projeto Reggae na Boca, sobre a incidência deste em acender seu cigarro de baratos dentro do espaço de convivência pública e diversa do Bar e Restaurante.

Após receber denúncia da chefe da cozinha do local, o administrador achou por bem solicitar ao cantor que procurasse outro canal para acender o seu prazer. Não gostou o rapaz e a resposta veio na atitude da moça da área da educação formal. O administrador ainda inquiriu a professora sobre a escolha de fumar em ambiente protegido por lei federal e sugeriu que ela o fizesse em seu local de trabalho, ou na casa da mãe.

Em resposta, a alegre da pedagogia, teria dito que se a mãe dela gostasse, certamente dividiriam um cigarro. Decantando as licenciosidades e arroubos de liberdades enviesadas, não fica nem bem, né, a uma profissional da área da educação, com lotação numa escola de formação em artes cênicas(teatro) curtir seu deliberado prazer no pé do balcão, de local de freqüência aberta, confrontando a quem não fuma qualquer marca de dependência química.

O Brasil é sui generis e de uma liberdade conquistada, graças a Deus e a força das conquistas sociais, com muito suor e sangue também. No momento, está aberta em diversas partes do mundo, a temporada de luta pela legalização da maconha. O que as defesas alegam é que locais em que houve descriminalização e legalização, diminuíram índices de consumo, violência e tráfico pernicioso, também evasivo em praticamente todo o mundo.

Nada contra a legalização da maconha, nem muito menos contra quem queira curtir sua boa, mas respeitar o limite da liberdade alheia é princípio objetivo de convivência social e prática necessária às melhores relações humanas.

Até que chegue por aqui a descriminalização e a legalização da maconha, o ideal seria que as pessoas, em seu livre arbítrio, mantivessem respeito pelo direito do outro de não conviver com a fumaça do cigarro ou “baseados”, direito esse assegurado por lei. Já que, no caso tratado, a liturgia ocorreu no pé do balcão, logo em espaço fechado do Bar.

Quer ser feliz, tem toda a liberdade. Mas não use da licenciosidade em locais que já atraem muita atenção. Abrir esse precedente é garantir que o local fique useiro e vizeiro de quem ache que todo mal seria só o que sai da boca.

Para que não tenhamos que engolir a pilhéria, cunhada por mente criativa, de que aquele espaço seria do projetoBoca de Fumo”, haveria a necessidade de referência de educação e formação cidadã partida da pedagogia, né não, dona Assunção?

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