quarta-feira, 4 de abril de 2012

“Tchê tchê rê rê...?”


“Tchê tchê rê rê...?”
por maneco nascimento

O Brasil de todos os deuses e santos, graças a Deus, que é brasileiro, também tem seu rincão das novas e fortuitas manifestações musicais de sucesso que invadem os horários dos programas populares e de ibope, anúncios disfarçados de pautas de notícias e o sentimento de orgulho dos lucros muito + próximos do apelo do hit em que, como diria Nana Caymmi,

(...) a música é outra, é bunda, é aeróbica’, disse a cantora, que fez 70 anos em 2011.” (Pennafort, Roberta reproduzida no Meio Norte/arte&fest. Despedida, 02.04.2012, B/5)

Uma das pautas do Bom Dia Brasil, tevê Globo, 04 de abril de 2012, foi os sucessos, jargões musicais e ou refrões que invadiram as noites de faculdades e universidades? O sertanejo universitário. Tendência de domínio popular que incute em nossas cabeças a variação estanque e dali não sai +. Não há quem retire o bombardeio da musiquinha detentora dos milhares de acessos nas redes sociais.

Um colega, enquanto conversávamos sobre os monstros sagrados da MPB, que entram em processo de aposentadoria, e dos “desmundos” da nova música brasileira, apontou que além das novidades há os desdobramentos que elas nos impõem.

Já houve o tradicional momento da música sertaneja e rural e suas destacáveis duplas caipiras, depois veio a já urbanizada com olho, ainda, no sentimento rural a um meloso, melodramático e, tendenciosamente sensual, à primeira e segunda vozes. Aqueles novos sertanejos românticos, entre afinados, gritantes e semitonados foram, a seu tempo, um arroubo de público e mídia direcionados.

Das velhas lendas tradicionais, alguns artistas ficaram Milionário (s) e Zé Rico (s) a todo mérito. Da nova entrada houve tapas e beijos (Zezé di Camargo e Luciano), Leandro (desaparecido precocemente) e Leonardo (em carreira solo) e outros coloridos de vozes a Chitõezinho (s) e Xororó (s), entre tantos emblemáticos e detentores de público “malhavaloroso”.

Na história dos sucessos caipiras, aos grandes nomes registrados à musicografia, estão Jararaca e Ratinho, uma das + antigas duplas sertanejas brasileiras, criada em 1927, quase dez anos depois do primeiro encontro entre os dois.

(imagem colhida de: personalidadescaxias.blogspot.com)

A dupla integrou o grupo Turunas Pernambucanos, com destaque no início dos anos 20, cantando cocos e emboladas e usando trajes típicos. Ratinho morreu em 1972. Jararaca continuou se apresentando em programas de televisão e rádio até desaparecer em 1977. (cliquemusic.uol.com.br/artistas/ver/jararaca e ratinho –)

Outra dupla muito lembrada, Cascatinha (Francisco dos Santos – 20.04.1919/14.03.1996) e Inhana (Ana Eufrosina da Silva Santos – 28.03.1923/11.06.1981), tornou-se conhecida em pouco tempo e transformou-se no Trio Esmeralda, em 1941, ganhando prêmios, no Rio de Janeiro, nos programas de Cesar Ladeira (Rádio Mayrink Veiga) e de Renato Murce (Papel Carbono, na Rádio Nacional).
( dupla Cascatinha e Inhana/foto colhida de: cifrantiga3.blogspot.com)

A dupla, Cascatinha e Inhana, percorreu vários estados do país, atuou em circos, emissoras de rádio e tevê, além de gravar + de 30 discos. (cifrantiga3.blogspot.com/2006/04/cascatinha-e-inhana )

Léo Canhoto e Robertinho, de 1968, é dupla nascida na cidade de Goiânia. O “Último julgamentoé seu grande sucesso. Em época de duplas sertanejas muito tradicionais, os músicos já usavam cabelos longos, roupas extravagantes e jóias.

A primeira dupla caipira a ganhar disco de ouro, pela vendagem do primeiro LP e o sucesso da cançãoApartamento 37”. Gravaram 28 discos, Canhoto (paulista) e Robertinho (goiano) residem em São Paulo onde mantêm escritório para administrar os negócios da dupla. (www. wikipédia.com.br/a enciclopédia livre/acesso: 04.04.2012, às 12h4)

Milionário & José Rico, cantores de música sertaneja do Brasil, formam uma das + famosas duplas do país. Têm a alcunha de As gargantas de ouro do Brasil. Mantêm 42 anos de carreira e venderam 35 milhões de exemplares de seus 29 discos gravados desde 1973. Gravaram dois DVS e fizeram dois filmes, “Na Estrada da Vida” (1980) e “Sonhei com você” (1988). (www.wikipedia.com.br/ a enciclopédia livre/acesso: 04.004.2012, às 11h10)


(imagem colhida de: www.webletras.com.br/galeria/​milionario-e-jose-rico)

Os novos temas musicais a sucessos sertanejos e universitários variam entreeu eu tchá, eu quero tchú”, ou o “tchê tchê rê rê tchê rê rê...”, este último, hit estrondoso de Gusttavo Lima, o sertanejo que é o bolão da vez no Brasil e pode até ser considerado o novo pop. Vem na esteira do sucesso das novas mídias, como Michel Teló, e traz o toque de Midas, também de acesso na web.

Suas músicas de ritmos frenéticos e intérpretes com performances sensuais e apelo para o nem sempre dito, mas que o corpo legenda, ganharam a força da juventude brasileira que a nova “brisa canta”. As músicas invadiram as rádios e caíram na graça e abraço do público.

O jovem fenômeno de Gusttavo Lima está entre um dos artistas + requisitados da hora. Para Jotha Luiz, cantor e compositor, que emplacou sucesso em série com temática de caminhoneiro, na rede Globo, essa nova música atende a público e juventude quequerem refrão, querem alegria, balada.” (Bom Dia Brasil, TV Globo/ 04.04.2012)

Aos + céticos, o autor se embalaria à letra enfadonha, repetitiva, para que ela ganhe adesão de sucesso. O sertanejo universitário está em seu tempo de atuação.

Então curta quem curtir e, segundo os setentões, caso os novos artistas tenham ouvido falar, “quem não curtir, que curtisse”.

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