sábado, 28 de abril de 2012

Dance OK quiser


Dance OK quiser
por maneco nascimento

Abra suas asas/solte suas feras (...) entre nessa festa (...) Eu quero ver esse corpo/Lindo, leve e solto (...) A gente às vezes/Sente, sofre, dança/Sem querer dançar (...) Na nossa festa/Vale tudo/Vale ser alguém/Como eu/Como você (...) Dance bem/Dance mal/Dance sem parar/Dance bem/Dance até/Sem saber dançar.” (Sucesso d’As Frenéticas/”Dancing Days”, de Nelson Motta / Rubens Queiroz)

Em antecipação ao Dia Internacional da Dança (29 de abril, domingo), as comemorações realizadas pela Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, a esse Dia, ocorreram no Teatro de Arena , dia 26 de abril (quinta feira), a partir das 17h30m. Na programação um diverso dançante e dançado.
  (foto: divulgação)


Todas as gerações de dançarino (a)s e bailarino (a)s ali representantes e representados deram suas pernadas, pontas de pés, virtuoses de anatomias dinamizadas e, na dialética de corpos falantes, resumiram frenética e, diciplinarmente, às mentes em uso o equilíbrio de movimentos simétricos/assimétricos, a todo o movimento da dança que as horas trabalhadas possibilitam.

Segundo a diretora do Teatro de Arena, Stael Nóbrega, “Foi lindo. Um público ótimo.”, destaca. Desde as cinco e meia da tarde que a dança se fez bem presente e deu seu show. “As criancinhas lindas dançando. Lindo, muito lindo.Completa o senhor Martins, motorista da Fundação Monsenhor Chaves.

Do final daquela tarde até um pouco + das 20 h, foi dança, coreografias, dinâmicas e estéticas distintas e respostas a corpos estimulados de crianças, adolescentes e jovens. Uma “overdança” repleta de alegria, concentração, espírito de ciência e arte ampliando falas e oralidades das anatomias múltiplas.E leve com você/Seu sonho mais lou/Ou, ou, ou, louco/Eu quero ver esse corpo/Lindo, leve e solto (...)” (Idem)

O evento reuniu todas as academias de dança da cidade e alguns convidados, para um número de 26 grupos em demonstrativo de sua melhor performance aos + variados estilos de coreografias.

Toda a festa, gratuita, no palco de arena sob as árvores guardadas no Parque da Praça da Bandeira, entornado pelo velho Parnaíba, o centrão de transeuntes do mercado central, museu, prefeitura e apêndices, banco, ministério, hotel, igreja, órgãos estaduais, shoping da cidade, comércio assomado, inss e um mundo de gente que cruza as trilhas da atual Praça Mal. Deodoro da Fonseca, antes Praça da Constituição, também chamada, noutros contextos, de Praça do Palácio e Largo do Amparo.

(foto recolhida de matéria Especial 157 anos, do 180 graus/17.08.2009, às 11.33h)

Por esse palco de concha acústica, inaugurado na década de 60, em 5 de novembro de 1965, o + tradicional teatro ao ar livre de Teresina, passaram, nesse 26 de abril último, O Balé da Cidade de Teresina; Cordão Grupo de Dança; Balé de Teresina; Ballet Helly Batista; Escola de Dança do Piauí “Lenir Argento”; Cia. Cinthya Layana; Pas Classique; Le Ballet; Balé Jovem do Piauí; Ednalda Vieira.

(elenco Balé da Cidade de Teresina/foto; divulgação)

E +, Cia Águas de Monsenhor Gil; Só Homens Cia. de Dança; Academia Jandira Leite; Berna Ballet; Projeto Girassol; Companhia Vem Dançar; Studio de Dança Gisele Sousa; Companhia Sidh Ribeiro; Escola de Ballet Helly Batista e Balé Popular do Piauí.

Atrás da dança, em elétrico circuito de movimentos, só não foi quem não sabia desse Dia dedicado à livre expressão de corpos ardentes e de distintos fazeres e saberes praticados ao Dia Internacional da Dança.

Entre elementares e atomizados gestos de clássico, contemporâneo, livres e “street dance”, as liberdades de espíritos para dançar, sinais claros de interpretações e compreensão de por onde deve andar a boa dança que a cidade produz.

Teresina, da periferia, do centro e do trânsito aberto a desdobramentos de conceitos e atitudes do Corpo, em prática ao coletivo, não deve nada a ninguém, porque sabe o que é quando dança OK quiser.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Alguma esperança


Alguma esperança
por maneco nascimento

Provisoriamente não cantaremos o amor,/que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos./Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,/não cantaremos o ódio/porque esse não existe,/existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,/o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,/o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,/cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,/cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,/depois morreremos de medo/e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.” (‘Congresso Internacional do Medo’: Alguma Poesia/www.memoriaviva.com.br/drummond/poema)

E cantaremos o medo de ter medo de todo medo que nos cerca, nos apavora e nos surpreende, seja pelo serviço oficial da corrupção, das sobretaxas que todo cidadão brasileiro tem que bancar aos cofres públicos. E que, esse rechonchudo dinheiro recolhido, escorre pelo ralo das manobras e estratégias de desvio da função do investimento do imposto cidadão.

E sobreviveremos, medrosamente, à banalidade dos mensalões, à de compra superfaturada de barcos com trânsito na pesca de interesse de companheiros e camaradas empresários; a dos empresários agentes publicitários detentores da conta pública e senhores dos laranjais a empacotarem o suco do suor do trabalhador brasileiro, transformado em moeda de troca do percurso das campanhas eleitorais de quem nunca deve perder.

E empalideceremos ao saber que empresas de construção civil, com seus gestores e amigos dos cabeças de esquemas de laranjas cachoeira abaixo da lei e acima de qualquer suspeita transformável em crime, são fichinhas que azeitam máquinas e jogos milionários às custas do recurso tributável.

Estarreceremos com a possibilidade de envolvimento de ministros e suas pastas e orçamentos, políticos e suas trocas de favores, disputas de cargos e proteção de votos, governadores e seus métodos de governo que incluem, por vezes, negócios escusos com o Cabeça do(a) Cachoeira, máquina “mortífera” da prevaricação.

Engulamos, apavorados, o risco da possibilidade de negócios com a empresa DELTA que até pouco tempo detinha licitações e obras federais, PAC Brasil, de expressão carro chefe do governo central. Os negócios, nessa altura da produção de pizza mista, apontam como foco essa DELTA, talvez uma das cabeças do mito de Quimera.

É DELTA e, no jogo dos bichos espertos, deu quina na Cabeça do Cachoeira, mas, se espremermos esse suco vitaminado, talvez dê um alfabeto grego todo.

Embora no Brasil, de excelência de percentual analfabeto que mal compreende o discurso da língua pátria, se a corrupção estiver para a “lingüística grega”, os companheiros de acordos, camaradas urubus e outros afins da sociedade dos negócios conspirarão o discurso e comportamento gregário da práxis de determinado nicho da política brasileira.

A presidenta brasileira, como boa estudantada da política de coligações, determinou pente fino nos contratos, licitações e convênios públicos que estejam na rota de colisão, ou na atmosfera do planeta DELTA, para que não haja “surpresas” quando dos serviços da CPI (pizza) Mista do caso Demóstenes Torres/Carlos Cachoeira. Que as atuações do circo em plenário nacional não (es)tragam maiores surpresas.

Um(a) Cachoeira de rabos presos nesse caudaloso rio que passa pela vida do povo brasileiro, povo esse pagador do + caro imposto do mundo. E, se na república nacional, o rebuliço aos holofotes também assusta políticos e, a seus filhos que inspirariam maior perigo, na republiqueta local são dias de festejos à eleição da nova e vitalícia conselheira do TCE – PI.

A Mesa Diretora da Assembléia Legislativa realiza hoje, às 9h, sessão extraordinária em plenário para a sabatina dos 14 candidatos e a eleição do Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (...) Após essa sabatina, os deputados votam secretamente para escolher o conselheiro (...)” (AL escolhe hoje novo conselheiro do TCE – PI/ matéria de Ananias Ribeiro/Política & Justiça/ meio norte/Teresina, 27/04/2012, A/3)

Eleita a mulher do governador do estado, secretária de saúde e deputada estadual, Lílian Martins. Com 25 dos 29 votos disponíveis na Assembleia Legislativa do Piauí, a secretária de Saúde e deputada Lilian Martins(foto ao lado) foi eleita a nova conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE). No primeiro discurso após a votação ela ressaltou o próximo passo é o pedido de demissão dos cargos atualmente ocupados na administração pública.” (Por Cinnara Sales. Portal AZ, 27/04/2012, 09:40/Atualizada às 12h)

(Conselheira eleita ao TCE -PI, Lílian Martins/foto:Dantércio Cardoso)

A + nova e premiada Conselheira do TCE - PI, a bendita entre a maioria da Assembléia Legislativa, senhora Lílian Martins, defende-se, politicamente, ao declarar “’Eu estou aqui, pleiteie essa vaga porque antes de ser mulher tenho uma história e estava em pé de igualdade com os outros’, ressaltou Lilian Martins.” (Idem)

Alguma esperança deve existir, fora do mundo político brasileiro, para quem não conspira nem concorda com os jogos da cepa hereditária dos cargos públicos da política nacional, seja no circuito da república central, ou no de republiquetas espelhadas no paradigma original.

Agora e hoje, prioritariamente, é preciso que o medo que não + fantasma, esteja nos rodeando e, sejamos vigilantes. Sempre!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Oralidade e Humanismo


Oralidade e Humanismo
por maneco nascimento

A ilustração do semeador. "1 Logo depois disso, andava Jesus de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e iam com ele os doze,/2 bem como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios./ 3 Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana, e muitas outras que os serviam com os seus bens./ 4 Ora, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus por parábola: (...)” (Lucas cap. 8, vrs. 1 a 4)

A noite do dia 25 de abril, a partir das 19h, no Theatro 4 de Setembro, foi de audiência e recepção curiosa às palavras de Frei Betto. Vindo a Teresina, através da editora Quimera e a Revista Revestrés, o pensador brasileiro trouxe, em sua bagagem de bom ouvinte e sábio leitor, palavras cheias de clareza e nenhuma petulância para homem das letras.
(Galeria de livros - Frei Betto/freibetto.org)

Escritor do diverso de leituras tem, entre tantas obras, “Militantes do Reino – Catecismo Popular”; “hotel Brasil”; “O Mistério das cabeças degoladas” (romance); “Batismo de Sangue”; “A Menina e o Elefante”; “Talita Abre A Porta dos Evangelhos”; “Contra Versões” - Emir Sader/F. Betto; “Os dois irmãos”; “Diálogos Criativos” – Domenico De Masi/F. Betto; “Cotidiano e Mistério”; “Calendário do Poder”; “O amor fecunda o universo – Ecologia e Espiritualidade” – Marcelo Barros/F. Betto; “Sobre a Esperança – Diálogos” – F. Betto/Mário Sérgio Cortella; “Das Catacumbas – cartas da prisão 1969 – 1971; “a Mosca azul”; “Alfabetto – Autobiografia escolar”.
(Galeria de livros - Frei Betto/freibetto.org)

Escritor, militante, religioso, pensador, humanista e homem simples, Carlos Alberto Libânio Christo, de postura política a esse brasilzão de muitas fronteiras e cercados largos, é também das fileiras da Teologia da Libertação com trânsito muito eficaz em movimentos pastorais e sociais. E, no governo Lula, durante sete anos, esteve à frente de uma assessoria especial do príncipe metalúrgico e presidente outra bossa. Também foi coordenador de Mobilização do Programa Fome Zero.

Em Teresina, numa conversa concorrida, apresentou falas ricas de experiências e vida observada. Falou sobre política e literatura e encheu a platéia de orgulho e prazer contagiantes. “Leia sempre. Escrever é para quem gosta. Leia sempre, seja o que for. Quem lê não perde tempo.” (Frei Betto, durante encontro com Teresina, no Theatro 4 de Setembro, 25/04/2012)

(Galeria de livros - Frei Betto/freibetto.org)

Nas rodadas de perguntas, falou sobre equívocos da Lei da Anistia que beneficia torturados e torturadoresOs assassinos nunca foram torturados.” Segundo o pensador, a Lei é uma aberração jurídica. Também acrescentou como sendo outro equívoco criar-se aproximação das forças armadas de hoje e a daquela da época da ditadura.

(Galeria de livros - Frei Betto/freibetto.org)

Direitos humanos, comissão da verdade, “O Brasil tem o direito de saber sobre os que foram mortos e desapareceram.” Segundo o autor, a ditadura brasileira foi a + longa, + de vinte anos, comparando com a da argentina e chilena. Os arquivos militares devem ser abertos e trazer luz sobre o obscuro dessa memória militar daquela época (grifo meu).

(Galeria de livros - Frei Betto/freibetto.org)

Questionado sobre pseudo-partidos da esquerda brasileira, diplomaticamente respondeu que na política de partidos nacional há bons e maus políticos. “A questão é que é preciso ter uma reforma política (...) existem partidos de aluguel (...) nem todo político é corrupto, nem todo padre é honesto.” (Idem)
(Galeria de livros - Frei Betto/freibetto.org)

Falou também sobre o amor, a verdade e sobre senso crítico quando questionado sobre sua postura política acerca da própria igreja. “O verdadeiro atributo do amor é a verdade. Quando a gente ama, quer o bem do outro e deve ser crítico (...) a crítica não é para detoná-la, mas para melhorá-la (...)” (Idem). Justificou o Frei que o amor à igreja o mantém na igreja para criticá-la e melhorá-la.

Celibato, casamento na igreja primitiva, AIDS e preservativo. Controvérsias da moral religiosa católica? Postura que foi ganhando força ao longo dos anos. Lembrou trechos bíblicos em que a participação de mulheres confirma uma convivência natural, sem a moral que transforma os representantes de cristo, posteriores da igreja primitiva, em homens sem companheira pelo casamento. Daí, Lucas, cap. 8, vers. 1 et all.

Sobre o Fome Zero e o Bolsa Família apresentou uma diferença substancial para o primeiro que atacaria em muitos flancos de recuperação social e o segundo em que o dinheiro mensal, sem uma fiscalização e ou efeito + eficaz não impediria que fosse criadadeformidade de função ou dependência” (grifo meu).
 (Galeria de livros - Frei Betto/freibetto.org)

Par o articulista há a necessidade premente de se criar programas sociais para tirar as pessoas da pobreza, pois enquanto houver desigualdade social, concentração de terras e de renda haverá devastação ambiental, preconceito, fome, violência.

Capitalismo e Karl Marx também foram indispensáveis na conversa. E disse aos jovens que lessem o manifesto comunista, absorvessem criticamente a literatura marxista. E que o deus do capitalismo não poderia ser o mesmo Deus da Teologia da Libertação, de Jesus Cristo, Marx, nem o dele, Frei Betto.

Diplomático, desarmado, contemporizador para não criar desvio do interesse literário e político e não ser panfletário, integralmente simples, bom ouvinte e muito próximo do audiente. Frei Betto é o cara sem alarde de vaidade.
(Frei Betto/foto: Paulo Giandalia/AE)

Esse é o Brasil que o país precisaria viver, o da práxis político-social que passe por Frei Betto.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

"hiena coroada"


“hiena coroada”*
por maneco nascimento

Nos idos do II Reinado do Brasil quando opositores, moderados e leais ao governo dividiam espaço em jornais para suas defesas e ataques, o mundo da imprensa nacional e local ia ganhando forma e fórmula de comunicação de massa, a seu contexto. Na defesa da República surgiu o Manifesto do Partido Republicano, no “Jornal A República”, de 3 de dezembro de 1870, em que a defesa documental e contundente dava mostra dos rumos que urgiam que o país deveria tomar.

No tópico desse Manifesto, intitulado “A Verdade Democrática”, tem-se entre outros pontos da defesa do diverso democrático que

(...) Ou o príncipe, instrumento e órgão das leis providenciais, pela sua só origem e predestinação, deve governar os demais homens, com os predicados essenciais da inviolabilidade, da irresponsabilidade, da hereditariedade, sem contraste e sem fiscalização, (...) ou a divindade nada tem que ver na vida do Estado, que é uma comunhão à parte e estranha a todo interesse espiritual, e então a vontade dos governos é o único poder supremo e supremo arbítrio dos governos.” (Rêgo, Ana Regina Barros Leal. Imprensa Piauiense: atuação política no século XIX. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 2001. - Anexo I, pag. 143)

David Caldas, o republicano a quase pregar no deserto, que, segundo pesquisa da cientista da comunicação social Ana Rêgo, mantinha em seu histórico de jornalista, intelectual e político de defesas sócio-políticas, os jornais próprios “O Amigo do Povo” e o “Oitenta e Nove” em que

(...) consegue expressar o que pensa sobre Monarquia e República (...)” ou ainda “(...) Neste contexto, David Caldas constitui exceção e, por isso mesmo, a expressão maior da propaganda republicana no Piauí.” (Rêgo, Ana Regina Barros Leal. Imprensa Piauiense: atuação política no século XIX. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 2001. – Livro I. Imprensa Piauiense e os ideais republicanos: Considerações Finais, pag. 120)

Eram dias de busca da República e o articulador abria discussão crítica acerca do poder da vontade dos governos e supremo arbítrio dos governos. Reproduzia, em seu jornal, o Manifesto Republicano ao que as idéias republicanas deveriam sobrepor aquele contexto e fazer valer a soberania nacional como condição indispensável e inalienável.

E para texto republicano nacional, reproduzido localmente, vê-se a noção esclarecedora sobre a práxis de governar “(...) A prática do direito e não o direito em si é o objeto do mandato. Desta verdade resulta que, quando o povo cede uma parte da sua soberania, não constitui um senhor, mas um servidor, isto é um funcionário. Ora, a conseqüência é que o funcionário tem de ser revogável, móvel, eletivo, (...)” (Rêgo, Ana Regina Barros Leal. Imprensa Piauiense: atuação política no século XIX. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 2001. – A Verdade Democrática/Anexo I, pag. 144)

À beira de completar 123 anos de proclamação da República, a democracia brasileira mantém direitos e deveres sob vigilância constitucional. Da Carta de 1824 à de 1988 foram saltos históricos e conquistas indispensáveis à construção social e política brasileira. E, dentro dos princípios democráticos e de livre arbítrio, surgem novidades e estratégias para funcionalidade, ou contestação da Lei Magna.

Os deputados devem estar sabendo de algo mais que os pobres mortais. E estão certos que hoje haverá eleição do novo conselheiro para o Tribunal de Contas do Estado. E maior parte não duvida de outra coisa: A deputada Lílian Martins será a escolhida. Com muita folga, aliás.” (Opinião. Eleição, Sim/meio norte/Política & Justiça, Teresina, 25 de abril de 2012, A/3)

Parece que, na república do Piauí contemporâneo, política e justiça entram em desacordo acerca de procedimentos legais e constitucionais no que diz respeito a indicação de novo conselheiro ao TCE. A disputa de ocupação vem atender a vacância surgida com a morte, recente, de um conselheiro daquela Corte.

O Juiz da 2ª. Vara dos Feitos da Fazenda Pública, Reinaldo Araújo Magalhães Dantas, suspendeu ontem a eleição para a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (...) A decisão atende a ação civil pública impetrada pelo promotor Fernando Santos pedindo a anulação do edital apontando inconstitucionalidade (...)” (Assembleia recorre para manter eleição para TCE/meio norte/Política & Justiça, Teresina, 25 de abril de 2012, A/3)

A matéria aponta que a motivação de anulação do edital impetrada da-se porque alguns dispositivos da Constituição Estadual e do Regimento Interno da Assembleia Legislativa afrontam a Constituição Federal.

(...) Fernando Santos afirmou que a Constituição Federal determina que o ato de nomeação do conselheiro seja sempre do Executivo (...)” (Assembleia recorre para manter eleição para TCE/meio norte/Política & Justiça, Teresina, 25 de abril de 2012, A/3)

Não é novidade a ninguém, já que a imprensa divulgou sem cerimônias, que teria havido acordos em que o Presidente da Assembleia Legislativa, Temístocles Filho, abriria mão de concorrência natural, com apoio de seus pares naquela Casa, ao cargo vitalício de conselheiro do TCE. Em troca receberia, do governador do estado, apoio em pleitos eleitoreiros futuros. Dessa forma, a mulher do governador e deputada estadual Lílian Martins seria alçada a conselheira do TCE.

Caso a justiça penda para o lado da manutenção da anulação do edital de concorrência, tirando dos deputados a decisão de apontar conselheiro(a), que feriria a CF, a decisão ficaria nas mãos do chefe do executivo estadual.

(...) Nessa situação, em caso de eleição de deputada estadual Lilian Martins para a vaga de conselheira a mesma teria que ser nomeada pelo seu esposo, o governador Wilson Martins.” (Assembleia recorre para manter eleição para TCE/meio norte/Política & Justiça, Teresina, 25 de abril de 2012, A/3)

Devido ao grau de parentesco entre a futura fiscal de contas públicas e o comandante em chefe estadual, o processo de escolha executiva seria passível de contestação jurídica.

Eis que, no entendimento da Lei Superior, a democracia e acordos políticos deveriam apontar rumos menos hereditários da vontade dos governos, que seria o único poder supremo e supremo arbítrio dos governos. Tal entendimento já inspirava reflexão lá no Manifesto Republicano de 1870.

Voltando ao século XIX, na pesquisa de Ana Regina Rêgo, “Os jornais de David Caldas, incluindo O Amigo do Povo como pré-republicano, destinam grande parte de seu espaço a matérias de cunho doutrinário (...) em menor escala, um discurso agressivo. Mas, ao contrário dos monarquistas, dirigem sua ira para a alteridade maior, a figura imperial, a quem, nas páginas de O Amigo do Povo chamam, com freqüência, de ‘aranha real’, ‘hydra de lerna’, ‘imperial Vesúvio’, ‘Gabriel coroado’, ‘sultão’, ‘hiena coroada’ etc.” (Rêgo, Ana Regina Barros Leal. Imprensa Piauiense: atuação política no século XIX. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 2001. – Livro II. Imprensa e Política no Piauí no Segundo Reinado -, pag. 328)

Havia um descontentamento com um modelo político governamental caduco e viciado a decisões e acordos de benefícios de seus pares e apoiadores do regime cômodo. Nos dias atuais de república e democracia contemporânea também parece sobreviver certo “métier”, quase de heranças de Brasil colônia e monarquia de benesses familiares e de abraço aos coligados.

Que desapareça, nesse contexto atual, qualquer apologia ao bicho chamado hiena, até porque ofende o animal. E, “(...) Ao contrário do que todos pensam, as hienas não são comedoras de carniça mas caçadores, qualificados e agressivos, embora as suas matanças, não estão no topo da cadeia alimentar, como os leões.” (www.achetudoeregiao.com.br/animais/hiena.htm)
( dupla de hienas malhadas/www.nature-pictures.org/pt/foto)
 
As sociedades e “as culturas de grupos”, também dos bichos, foram confirmadas por aquele(a) que determinou o próprio território e limites de domínio.

Com as hienas não seria diferente. “Embora possa se encontrar esses animais solitários, eles normalmente vivem em grupos familiares ou clãs, liderados por uma fêmea adulta. O tamanho do clã varia de 3 até 15 ou mais indivíduos, com cada clã defendendo um território que é marcado com urina, secreções de glândula anal, que normalmente são depositados em locais de latrina.” (Idem)
 Mas, saindo do mundo animal, em retorno à sociedade do racional e político, crê-se que em mapas de monarcas, príncipes, nababos e personagens de Maquiavel também sobra espaço para socialismo de origens puras e democracias com olhar à letra da Constituição Federal, ou não.

Déspotas e néspotas seriam coisas do passado? O Tempo da política dirá.

terça-feira, 24 de abril de 2012

"Bença, padrin..."



“Bença, padrin...”
por maneco nascimento

Em terra de coronéis quem não é “cumpadre”, afilhado, meeiro obediente, cachorro abanando o rabo contente, eleitor fiel ou “cumadre” para o serviço de adoçar o café com leite “apojado” das primeiras horas do curral doméstico, com certeza será a caça predileta, ou o saliente que levará uma coça para aprender a lição.

Licença poética e a crítica dos costumes retratados na literatura de 30, ciclos do cacau, do cangaço, fanatismo religioso e outras letras tão expressas, são memórias da longa volta que o mundinho brasileiro e do nordeste macho, sim senhor, dá para voltar ao mesmo ponto da terra redonda e cheia de donos.

Em meio à banalidade da violência urbana e seus desdobramentos espelhares do sertão ao mar, ou do mar ao sertão, novas velhas notícias encharcam as páginas policiais das manchas noticiosas, ou ganham contornos de bem e mal em outros medias. O portal vooz publicou notícia com lide que expressa o mundo real de nossa contemporaneidade:

“‘Jornalista Décio Sá é executado com seis tirose no corpo da matéria
(Jornalista maranhense Décio Sá/foto:divulgação)
 
A Polícia Federal deve auxiliar os homens da Polícia Civil do Estado do Maranhão nas investigações do assassinato do jornalista e blogueiro Décio Sá (...) Federais devem atuar em conjunto com os civis nas investigações, para determinar o autor e o mentor do crime (...) Já se tem informação de que a arma utilizada para o crime foi uma pistola 0.40 de uso exclusivo da polícia Civil e Militar.” (www.vooz.com.br/Policia/Publicado em 24/04/2012 às 08h19 Atualizada às 10:37)

Mexer com vespeiro e não ter um anti-alérgico, em potencial, pode acabar em virulenta reação alérgica e morte certa:

O delegado Gutemberg Carvalho Rêgo em seu plantão, ainda de madrugada, declarou: ‘Acreditamos que tenha sido crime por encomenda, até pelo próprio calibre da arma, que é calibre 40, privativo da polícia. O fato de a pessoa ter agido com o apoio de outra, ter entrado até o fundo do bar, ido ao banheiro, esperado ele retornar e disparar contra a vítima seis tiros, sem dar chance dele escapar, tudo isso indica de que o crime tenha sido premeditado’”.(Idem)
 (Jornalista maranhense Décio Sá, assassinado brutalmente/foto:divulgação)
 


Da matéria original, do jornal maranhense O Imparcial, que gerou assunto ao vooz tem-se:

Na noite desta segunda- feira (23), Décio Sá, jornalista e blogueiro do Maranhão, foi assassinado no bar Estrela D´Alva, localizado na Avenida Litorânea, em São Luís- MA. O acontecido ocorreu por volta das 23h30. Em seu blog, Décio foi o jornalista que mais repercutiu a suposta ligação de políticos e autoridades maranhenses no caso Fernanda Lages (...) Décio Sá se formou na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Além de O Estado, jornal que trabalha como repórter de política há quase uma década, também foi repórter de O Imparcial.” (O Imparcial In www.vooz.com.br/Policia/Publicado em 24/04/2012 às 08h19 Atualizada às 10:37)

Há algo de muito podre no reino, cercanias e terras prometidas aos pares, não seriam párias? Não, herdeiros de coronéis brasileiros. Jaquetas largas e costas quentes não parecem ter sido o “métier” de Décio Sá. Só + um jornalista que parece ter “metido o bedelho” em cumbuca de ouro, garimpado das velhas tradições hereditárias.

Não se brinca com fogo, porque a arma é quente e, nessa realidade, não sobra felicidade ao bicho caçado.

Quem acreditar em milagre, agora, e tiver provado da descrença de São Tomé, outrora, talvez alimente fé em dispersar essa cortina de fumaça que encobre o pântano da obscuridade plantada ao circunstancial das provas garimpadas no labirinto sem Ariadne, nem novelo de salvação. A estudante Fernanda Lages parece que também incomoda na outra margem do rio Parnaíba.
(fonte fotos: Geral/caso fernanda lages/reportagem especial - 04/09/2011 às 17:02h: 180graus)

Décio Sá era repórter do jornal O Estado do Maranhão. No seu blog pessoal, colecionava milhares de acessos e algumas polêmicas pelo estilo crítico dos seus textos e dos assuntos que explorava. Ele dedicava o trabalho a cobrir a política estadual. Durante a carreira ganhou a simpatia de muitos e a antipatia de outros tantos.” (O Imparcial In www.vooz.com.br/Policia/Publicado em 24/04/2012 às 08h19 Atualizada às 10:37)

No mundo real da fabulosa herança coroneica, quem quiser que conte outro ponto. Porque quem conta um conto, no desvio do histórico, se não pede a “bença”, desaba no obscuro.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Salve, Jorge!


Salve, Jorge!
Salve, Jorge!
por maneco nascimento

O homem Jorge (275 – 23 abril de 303), pela tradição foi padre e soldado romano do exército do imperador Diocleciano. Venerado como mártir. Como santo, São Jorge é um dos santos + venerados no catolicismo, quer seja na Igreja Católica Romana, na Igreja Ortodoxa, como na Comunhão Anglicana.

Nos diversos cultos das religiões afro-brasileiras é cultuado e sincretizado na persona de Ogum. Ascendente à imortalidade no imaginário popular conta-se que mata o dragão e é um dos catorze santos auxiliares.

Um dos + destacáveis santos militares, sua memória recebe celebração em 23 de abril e, também, em 3 de novembro, data que, em toda a parte, se comemora a reconstrução da igreja dedicada a ele em Lida (Israel), base de proteção de suas relíquias. O relicário foi erguido por ordem de Constantino I.


Santo padroeiro da Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia, da cidade de Moscou e, extra-oficialmente, da Rio de Janeiro, cidade que tem como titular o padroeiro São Sebastião. Também legenda fé de protetor aos escoteiros, ao S. C Corinthians Paulista e da Cavalaria do Exército Brasileiro.

A tradição aponta o ano 303 como o de sua morte. Apesar de sua história se basear em documentos lendários e apócrifos (decreto gelasiano do século VI), a devoção ao homem Jorge feito santo Jorge se espalhou por todo o mundo. O olhar fiel a São Jorge também amplia-se por origens na mitologia nórdica, na figura de Sigurd, o caçador de dragões.

A lenda estabelece que Jorge nasceu na Capadócia, região central da Anatólia, hoje incorporada à República da Turquia. Após perder o pai em batalha, muda-se com a mãe à Palestina, Lida (Antiga Dióspolis), cidade em que crescera com sua mãe, natural daquele país.

A carreira militar, abraçada, logo o levou a capitão do exército romano. Dedicação e habilidade foram qualidades que fizeram com que o imperador o premiasse com o título de conde da Capadócia. Na corte imperial, em Nicomédia, aos 23 anos, exerceu a função de Tribuno Militar.

Nesse tempo sua mãe faleceu e ele, tomando grande parte nas riquezas que lhe ficaram, foi-se para a corte do Imperador. Jorge, ao ver que urdia tanta crueldade contra os cristãos, parecendo-lhe ser aquele tempo conveniente para alcançar a verdadeira salvação, distribuiu com diligência toda a riqueza que tinha aos pobres.

O imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos e no dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião, declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os romanos deviam se converter ao cristianismo.

Império representado e atônito com as palavras de um membro da suprema corte romana, ao deparar-se com ousada defesa de fé a Jesus Cristo. Questionado por um cônsul, Jorge defendeu como fé a Verdade. Perguntado sobre “O que é a Verdade?”, teria respondido:

"A Verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Senhor Jesus Cristo, e Nele confiando me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade."

Fiel ao cristianismo, o império tentou dissuadi-lo de sua fé, sofreu várias torturas e após cada sessão era levado ao imperador para renegar Jesus e adorar os ídolos. Sua fé reafirmada ganhou notoriedade e muitos romanos tomaram suas dores, inclusive a mulher do imperador que se converteu ao cristianismo.

Diocleciano, sem êxito da empreitada, ordena que o jovem militar Jorge seja degolado, aos 23 de abril, em Nicomédia (Ásia Menor). Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lida, onde foi sepultado.

(brasão de São Jorge, em Moscou/imagem colhida da wikipédia)

+ tarde o imperador cristão Constantino mandou erguer suntuoso oratório aberto às visitações de fiéis, de forma que a devoção ao santo se espalhasse por todo o Oriente. Já no século V, em Constantinopla, havia cinco igrejas dedicadas a São Jorge.

A ligação do Santo com a lua é algo atribuído ao Brasil, em forte influência da cultura africana. Em Salvador, na Bahia, São Jorge foi sincretizado a Oxóssi. Na religião da umbanda, é associado a Ogum.

A tradição se firma em que as manchas apresentadas pela lua representam o milagroso santo, seu cavalo e sua espada em defesa a quem busca proteção.
(são jorge/ de avelar amorim)


“Jorge, da Capadócia,/ Jorge, da Capadócia/Jorge sentou praça/na cavalaria/Eu estou feliz porque/eu também sou da sua companhia/Eu estou vestido com as roupas/e as armas de Jorge/Para que os meus inimigos tenham pés/E não me alcancem (...) para que meus inimigos tenham olhos/e não me vejam (...) Jorge é da Capadócia,/viva Jorge!/Jorge é da Capadócia,/salve Jorge!/Ogã, toca pra Ogum/Ogã, Ogã, toca pra Ogum/Jorge é da Capadócia/Jorge é da Capadócia (...)” (Jorge de Capadócia/Jorge Ben Jor)

Salve, Jorge!

fonte: wikipédia a enciclopédia livre/acesso: 23/04/2012, às 18h.

Menu de Liberdades


Menu de Liberdades
por maneco nascimento

Este espetáculo é um convite pra brincar de ser o que quiser a partir de coisas simples, olhando para o que está a nossa volta de um outro jeito.” (texto de apresentação de Menu de Heróis)

Um acuidado material artevisual, na forma de folder que pode ser máscara heróica, faz-se prato de entrada, início à recepção do público que concorreu, dia 21 de abril de 2012, às 18 horas, ao Espaço Cultural do Núcleo do Dirceu, para assistir ao espetáculo, daquele laboratório de criações, com o sugestivo nomeMenu de Heróis”.

Em cena, os intérpretes-criadores Cleyde Silva (Pê Gô Ar, Tem Pé de Criança), Jacob Alves (Especialista em Herói, Iluminação), Soraya Portela (Inventora de Línguas, Carona? Pode Não...), Layane Holanda (Idéias, Idéias, Idéias... Figurino e Design Gráfico) e Alexandre Silva (Saltos, Pulos e Vídeos no Youtube).

De impacto de apreensão do interesse infantil e, adulto também, a cena de abertura traz seres ainda poucos distintos em meio ao jogo de luz para mágicas variáveis entre psicodelismos, refrações de espelhos cúbicos, ou céus de ficção científica a teletransporte do imaginário em mundo da fantasia dos heróis reinventados.

Menu de Heróis não é uma história pronta. Não existem vilões, mocinhos e nem mesmo uma cidade. Só existe o agora e um lugar onde a gente inventa coisas e mistura tudo, mesmo que pareça estranho, e aí vê no que dá! tori –tóri-tori...” (Idem)

Aos poucos, na clareza da dramaturgia encantadora dos despojos sociais e material “inservível” do lixo industrial, vão surgindo as identidades dos heróis com seus atos, movimentos, vôos e saltos para tônus da construção heróica do fantástico mundo do mocinho com traços de mortais, sem padrão hereditário decaído do espaço ou deformação quântica, só de fantasia do admirável mundo do ambiente pós-tudo.

Isopor com garrafa, balde com chuteira, luva com caixa de papelão. Realidade com ficção. Afinal, o que é a realidade? É onde ficam todas as coisas que existem? Então se a gente puder mudar a realidade, nem que seja só por um momento, isso é coisa de herói, né! E se você tivesse que inventar um novo herói, como seria?” (Idem)

Espetáculo de densidade infantil para resgate de memórias, talvez, dos pais das crianças da platéia daquela noite de 21 de abril, também data comemorativa de um herói, este, um nacional. Os presentes na cena, heróis locais desconstruindo velhas memórias e reinventando nova história e realidade interativas com os presentes.

Corpos de carne e osso, recoberto de capas, máscaras, cinto de utilidades, botas, fantásticos poderes, em vidas recicláveis. Liberdades criativas, corpos em composições atraentes, dinâmicas, expressivas e de lingüística apropriada do velho/novo/velho caos das inquietações e portais de fuga ao universo paralelo da defesa da espécie em extinção.

Weyla Carvalho (Concepção, Direção e Lanches Gostosos) dá um salto da mulher gato com botas de couro de boi costumizadas e toca a criança de imaginação que não se perdeu nesse mundo de novas tecnologias e epopéicos sinais de informatas e internautas. Apresenta cardápio degustável e de leitura direta. Uma tirinha do futuro de nossa era.

Sérgio Matos (Trilha Sonora, Cabeça-Molde GG) um herói de efeitos e pesquisa musical. Alça a platéia + adulta a “velhas” lembranças musicais. “Hits” aos ouvidos de geração da década de oitenta e sucessos próximos dessa memória heróica do sons d’outra época. Preenche de luz das escalas musicais a cena posta.

Janaína Lobo (Ensaios e “Ordem na Bagunça”) também na ordem dos bons resultados. Na geografia do efeito dramático e de anatomias estimuladas também aponta para beleza e verdade ressignificadas. Jell Carone (Fotos, Vídeo e Cabelo Assanhado) completa o corpo técnico vibrante deMenu de Heróis”.

Espetáculo para crianças de 04 a 90 anos, segundo a apresentação em arte impressa, reverbera infância, fantasia, memórias de heróis a cada idade revolvida, sem deixar de apresentar cuidados de discurso ilustrado com educação ambiental e crítica social dos costumes ao calcanhar do aquiles da era de “aquárius”.

Menu de Heróis”, um diverso de liberdades e construtivismo ao novo olhar artístico de assinatura do Núcleo do Dirceu a toda obra.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Exército musical


Exército musical
por maneco nascimento

Em comemoração ao Dia do Exército, a Semana Alusiva à data de 19 de abril tem marcado a pauta musical na cidade de Teresina. A Banda do 25º. BC, ou melhor, “a Banda da Guarnição do Exército, mais conhecida como Banda do 25º. BC”, como esclarece o oficial músico o Tenente Mazeías, espalhou a cor de seu som nos bairros Mocambinho e Dirceu Arcoverde.

Dia 16 de abril, na Praça dos Correios, no Mocambinho, essa Banda fez um belo show só interrompido pela chuva que caiu àquela noite. No dia 17 de abril, a pauta foi o Bairro Dirceu Arcoverde que recebeu os militares músicos em noite de grande estilo. A performance deu-se na porta do Teatro Municipal João Paulo II.

A Banda, com histórico de nascimento para 16 de abril de 1918, tem na sua composição de elenco atual a arte de 38 músicos aos diversos instrumentos.

O Repertório, segundo o Tenente Mazeías, varia de marchas militares, peças sinfônicas, sucessos populares nacionais e estrangeiros, clássicos, românticos, sertanejos, etc. Entre os autores instrumentalizados, Tchaikovski e Beethoven.

Para a apresentação reservada ao Dirceu Arcoverde o público conferiu uma fina e diversa pauta a todos os gostos. MPB, pop, grandes musicais, homenagem ao Gonzagão e, ao final, um pout-pourri de Roberto Carlos.

Na execução de regência, um trio da parada se dividiu nos serviços de condução de uma hora e meia de música afinada. Os músicos regentes, os oficiais Tenente Mazeías; Subtenente Edmar e o Subtenente Gildson.

Pela pancada militar a efeitos musicais, às portas do Teatro João Paulo II, houve todo tipo de passagem de público. O que chegou e sentou, o que passou e parou, o que ouviu e encostou, o que soube e não faltou e todo aquele que não perde uma boa parada musical.

E por tratar-se de Banda militar, então compôs-se a platéia de amigos, familiares, amantes das peças sonoras e o fiel ouvido de quem sabe escutar um bom instrumento.

O show band começou às 18h30m, preencheu de beleza concentrada em sons e música ao público do Dirceu e seguiu o “mètier” de estratégia artística planejada pelo comando daquela guarnição do exército brasileiro, localizada no centro norte da cidade bem musical.

A Semana Alusiva ao Dia do Exército será encerrada na manhã do dia 19 de abril a partir das 9h30m, na praça em frente ao 25º. Batalhão de Caçadores.

Quem não ouviu, nem viu sons e movimentos da Banda do 25º. BC, na noitinha do dia 17 de abril de 2012, só perdeu o prazer de uma presença rara e de excelência musical em afinada ação de metais, sopros e demais instrumentos que essa Banda encanta.

Se rara a oportunidade, também cara, mas de “breve” prazer gratuito, a musicalidade ofertada. Parabéns a quem teve a feliz idéia de trazer ao bairro Dirceu Arcoverde o som da terra que atende pelo nome de Banda do 25º. BC.

Som pancada!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Batalha da espera


Batalha da espera
por maneco nascimento

Dia 13 de março, um mês atrás, atores de Teresina deslocaram-se a Campo Maior para cumprimento da liturgia de representação do espetáculo dramático em mímesis ao evento da Batalha, em solo piauiense, de adesão à causa da independência brasileira. 

 (arte da batalha "heróis do jenipapo"/releitura de márcio brito a partir de obra "Operários" - 1933 - de Tarsila do Amaral)

Assim foi registrado este espetáculo, em texto de 14 de março de 2012, intitulado A Batalha Renovada: 

No último dia 13 de março de 2012, lá pelos campos do município de Campo Maior, a partir das 19 horas, deu-se + uma edição do espetáculo a céu aberto, a Batalha ‘Heróis do Jenipapo’. Espetáculo com vida para já quinze edições, nesse ano em que a luta de foices e facões contra canhões do império completou 189 anos, houve uma repaginada para novo olhar.” (A Batalha Renovada/Leia-se/manekonascimento.blogspot.com)

 Hoje, dia 13 de abril de 2012, completam-se 30 dias desde que o espetáculo foi apresentado, a céu aberto, no espaço do Monumento Heróis do Jenipapo para um público de autoridades, estudantes e populares do entorno. 

Os relatos foram de que tudo esteve maravilhoso. Houve deputado (a)s comovido (a)s e até quem chorasse. Nos momentos finais da apresentação, quando ocorre efetivamente a batalha cênica, caiu uma chuva e lavou o drama representado.

O que poderia ser célere, para fechar o ciclo da cena apresentada, o pagamento do cachê dos artistas envolvidos, está por finalizar vontade política do contratante. O governo do estado e seu secretário de finanças ainda não demonstraram sensibilidade de cumprir sua parte no acordo que envolve artistas prestadores do serviço e o solicitante do trabalho do profissional de teatro.

O ideal seria o toma lá, dá cá. Serviço realizado, pagamento concluído. As justificativas do setor financeiro da FUNDAC são de que os empenhos estariam concluídos e enviados para aquela secretaria de finanças estadual e aguardam o sinal da caneta oficiosa para efetuar a conclusão do acordo tácito de serviço.

Parece que “esqueceram de nós”, os atores que desprenderam resultado que insufla o ego do político na hora planejada. Agora começa a nova batalha que seja a da espera, a das desculpas que elastecem os prazos, a de que quando houver dinheiro “a gente paga vocês”.

“A Batalha ‘Heróis do Jenipapo’, ano 2012, cumpriu seu papel de espetáculo para auferir zelo em cerimônias alusivas à memória dos heróis do Jenipapo e, como diria, em linguagem de teatro, vingou horrores, pelo menos a dramaturgia de cena e performance dos atores (...)” (Idem)

(arte da batalha "heróis do jenipapo"/releitura de márcio brito a partir de obra "Operários" - 1933 - de Tarsila do Amaral)

O circo já foi realizado e recebeu aplauso orgulhoso, agora seria a vez do artista representar o “palhaço” das idas ao corredor do serviço público atrás de seu dinheiro. Onde está o dinheiro, o guapo encolheu? Senhor deus das finanças estaduais nos apóie, salve nosso pão. Artista também se planeja ao retorno do serviço prestado.

“Quem poderá nos socorrer?” A Presidente da FUNDAC, ou só nossa coragem de não achar tão natural essa demora toda, do estado, em quitar compromisso com o artista cumpridor de sua parte. O dever do contratante do serviço não é para ser eficaz e justo, na medida do trabalho honrado pelo contratado.

Que o estado não nos faça achar que a ele é facultado o direito de se comportar com se nos prestasse favor a ser solucionado quando possível. A Batalha da espera enfraquece a crença no serviço público e oficial que parece tratar o artista como primo pobre.