terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Folia reflexiva

Folia reflexiva
por maneco nascimento


Carnaval é para folia, extravasar as emoções e relaxar os dias de stress, mas também é para refletir sentimentos e abrir alas para a crítica social e abordagem de temas que estão no calcanhar da foliã, pelo menos é o que acha o bloco femininoNós Tudinha”. E dia 09 de fevereiro, às 19 horas, no Espaço Cultural “Osório Jr.” e Bar do Clube dos Diários, a agremiação estará lançando a campanha do carnaval 2012.
(bloco carnavalesco "Nós Tudinha"/divulgação)


O bloco desenvolve temas que evoluem na passarela do samba com abordagens para olhar político social, comportamento, humor, irreverência e de denúncia sempre direcionados a questão da mulher. Nesse ano ao entrar na avenida Mal. Castelo Branco, domingo, dia 19 de fevereiro, será para apresentar a temática Violência contra a mulher, a dor que a justiça não sente. Chega de impunidade

Nós Tudinhajá abordou, em anos anteriores, a situação da mulher em temas como “Maria sem vergonha (2007), Mulher com muito prazer (2008), Vida sim, Violência Não: as violetas vão passar! (2009) e Mulheres no poder (2011). Em 2012, tratar do assunto violência contra a mulher se configura para refletir sobre o número de mulheres assassinadas, cujos assassinos continuam impunes.

Numa irreverência feminil contagiada de alegria, beleza, sensibilidade e humor refinado oNós Tudinhase apropria da força e postura política da mulher para instigar a reflexão acerca das relações de gênero na sociedade piauiense.

O bloco se apresenta como a primeira agremiação carnavalesca de mulheres de todas as raças, credos, idade, classe social, orientação sexual e, acima de tudo, comprometidas com as transformações sociais de seu tempo e do futuro.
(bloco carnavalesco "Nós Tudinha"/divulgação)

Para a coordenadora do bloco, Patrícia Amália, tratar da violência e impunidade, como proposta temática para o carnaval de blocos desse ano, seriamostrar e denunciar a situação de opressão, discriminação e demais mazelas que atingem direta e indiretamente a condição feminina na sociedade”, aponta.

Nesse dia 9 de fevereiro, a partir das 19 horas, no Espaço Cultural “Osório Jr.” e Bar do Clube dos Diários, a noite será pequena para tantas e grandes mulheres que compõem o movimento sociocultural manifestado para políticas sociais e acento artístico e de expressão coletiva também a sinais festivos e momescos.

Nós Tudinhavai passar nessa avenida em samba, corpo e alma de ação popular quando o carnaval chegar.

Semana quente!

Semana quente!
por maneco nascimento

O ambiente do Bar do Clube dos Diários, desta semana, começa aquecendo as noites para todos os gostos e público desejoso de cultura a toda mostra. Nesta 3ª. Feira, dia 31 de janeiro, às 19 horas, o Projeto “Eu, você e o teatro da minha vida” recebe a Truá Cia. de Teatro, com o espetáculo 17 minutos antes de Você”, direção de Eraldo Maia e assistência de Elielson Pacheco. Na cena Júnior Marks e Vitorino Rodrigues.


Quando 4ª. Feira chegar será noite de lançamento da Banda Aero, com composições autorais e covers, às 19 horas, no palco doOsório Jr.” A juventude que essa brisa canta também encanta em novidade com os exercícios musicais articulados em garagem, quintais e qualquer local onde se possa investir num instrumento e exprimir sons e música. A Banda Aero vem assentar espaço e sua base de lançamento será na noite do Bar dos Clube dos Diários e Espaço Cultural “Osório Jr.", dia 1 de fevereiro.
(arte cartaz show Banda Aero/acervo da banda)

A Organização Ponto de Equilíbrio  movimenta a 5ª. Feira para lançamento do calendário OPEQ 2012, às 19 horas, desse dia 02 de fevereiro, também Dia de Festa no mar. Na noite, Beth Bátalli enriquecerá a dança local e Valdemar Santos et all também desenhará corpos em ligas cênicas.
(cena espetáculo "Palmares", montagem de 2011 da OPEQ/divulgação)

O lançamento do calendário OPEQ 2012 apresenta ações desenvolvidas durante todo o ano e, para a Virada Cultural 2012, as horas que antecedem o Dia Internacional do Teatro, 27 de março, a ação local homenageará o ator Fernando Freitas, um dos melhores profissionais das cênicas que a cidade já pariu. A ação cultural será no celeiro do Bar do Clube.
(arte fachada opeq/divulgação)


E a 6ª. Feira, dia 03 de fevereiro, alarga a semana com chave da realeza de momos e rainhas do Carnaval de Teresina em horas foliãs. Suas majestades momescas estarão presentes no Baile dos Artistas em graça e estilo. Com início marcado para as 20 horas, no Salão do Clube dos Diários, a entrada será um kg de alimento não perecível.

(folião mascarado Baile dos Artistas 2011/galeria de imagens - roberta rocha/acessepiauí)

O Baile, uma realização da Prefeitura de Teresina, através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves e apoio do Sindicato de Artistas em Espetáculos de Diversão – SATED – PI, numa iniciativa de revivificar os antigos bailes carnavalescos da cidade, também encontra parceria da Fundação Estadual de Cultura – FUNDAC, Theatro 4 de Setembro/Clube dos Diários e, naturalmente, do Bar.

(beldades no Baile dos Artistas 2011/galeria de imagens - roberta rocha/acessepiauí)

Baile à fantasia que contará com a animação da Banda Carnavália para marchinhas, frevos e sambas, rememorando noites de mascarados, grandes bailes e concurso com premiação, e tudo, para a melhor fantasia. Mas a noite promete mesmo é na disputada escolha da Rainha dos Artistas 2012. A escolhida pelos eleitores será a artista que melhor se destacou em 2011, seja da música, do teatro, da dança ou artes visuais.
(ritmo folião Baile dos Artistas 2011/galeria de imagens - roberta rocha/acessepiaui)

Resultado e entrega de faixa ocorrem na noite dos foliões para artistas e toda a cidade. Como se vê essa é uma semana quente! Começa com teatro e se estica com baile e muita animação. E o Bar do Clube dos Diários estará na crista da onda em disputada ação cultural na agenda da cidade.
(realeza e foliões Baile dos Artistas 2011/galeria de imagens - roberta rocha/acessepiauí)

Atrás do trio cultural desta semana só não vai quem já perdeu-se da felicidade da arte em movimento.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Água é para todos


Água!!
por maneco nascimento 

O que deveria ser, naturalmente, obrigação administrativa de quem gere cargo público, acaba tendo que receber provocação oficial e jurídica para que cumpra o papel ao qual está alçado através de escolha popular. Explica-se: matéria publicada no portal vooz, em 26 de janeiro de 2012, às 12h28 traz o lide “Famílias estão sem água há mais de seis meses” (fonte: clicapiauí.com/edição: geísa chaves/contato: redação@vooz.com.br) 

Segundo matéria a promotoria de Justiça de Socorro do Piauí deslocou-se até Barreiro do Saco, zona rural, para apurar denúncia de moradores da região sobre a falta de fornecimento de água potável, há pelo menos seis meses e a prefeitura fingindo-se de morta para assunto de interesse coletivo e obrigacional do cargo. 

O Ministério Público teria constatado que os cidadãos estão consumindo água barrenta da chuva ao banho e, por vezes, usam-na para beber. Entre outras coisas estaria prejudicando a saúde dos idosos. A bomba de prospecção de água para abastecer o local está quebrada. A solicitação de carro pipa não recebeu interesse do chefe do executivo. 

A recomendação do MP é que a prefeitura de Socorro do Piauí resolva o problema em dez dias irrevogáveis sob pena de ajuizamento de ação civil pública e instauração de procedimento para apurar responsabilidades pela omissão.

Os órgãos públicos são obrigados a prestar serviços adequados, eficientes e seguros. No caso dos serviços essenciais, é preciso também assegurar a continuidade da prestação. O tratamento e o abastecimento de água são exemplos, e é dever das autoridades responsáveis gerir esse bem da melhor forma possível." (Idem) 
 (imagem acervo: globo)

É no sertão do nordeste que existeum importante bioma que é só nosso, que não existe nos países vizinhos. È a caatinga, o principal bioma do sertão nordestino.” (fonte: G1/edição: Fernanda Gil Rocha/contato: radação@vooz.com.br). Nessa gleba do rincão brasileiro, duma diversidade exemplar à ciência ambiental, é que também está plantada uma gente que depende, vergonhosamente, de decisões políticas de administradores públicos. 

Notícias de negligência das obrigações oficiais, ou de desvio de funções que comprometem projetos e serviços sociais sempre foram fichinhas no expediente da administração pública, até porque se não há cobrança, nem denúncia, o “serviço” apresentado já está de bom alvitre. 

O milagre das primeiras chuvas à vegetação também se apresenta como benesse divina ao local onde as depressões pluviométricas são a tábua da salvação das vidas ressecadas pelo calor de quase o ano inteiro, “Logo depois das primeiras chuvas, com pouca água, as plantas que pareciam mortas, renascem e a gente consegue enxergar a riqueza e a diversidade de espécies que compõem a caatinga.” (fonte: G1/edição: fernanda gil rocha/contato: radação@vooz.com.br) 

Entre as espécies está o bicho homem, às vezes tratado só como bicho pelo poder público. As águas das chuvas, barrentas, também trazem as naturais manifestações de doenças, pois que não tratadas, e serviriam a “bichos brutos”, não a eleitores. Mas é contumaz que as gentes se obriguem a consumir água não potável, especialmente se estiverem em períodos fora da estação eleitoral. 

Manchetes de terra rachada, rios e córregos ressequidos, animais mortos por inanição e desidratação, pessoas recolhendo, ou dividindo água de barreiro com animais, a especulação e venda d’água em carros-pipas, sempre voltam à mídia. Não se apresentam + pessoas caçando calango para comer, como se via na década de 1980, graças a políticas públicas federais de respeito ao cidadão pagador de imposto.

 Na esfera + fechada, dos costumes de reservas, da política local é que parece que o mito da seca é um eterno retorno. As mesmas velhas agruras, as mesmas precisões e o mesmo desrespeito com o povo do semiárido. Não deve faltar água na casa do prefeito e do seu séquito de colaboradores.  

A caatinga é a principal formação vegetal do semiárido nordestino e ocupa 10% do território brasileiro. São mais de 840 mil km2, espalhados por dez estados. Nessa região, a estação das águas é concentrada em apenas três ou quatro meses, por isso as plantas criaram mecanismos para resistir a longos períodos de estiagem.” (Idem) 

Entre os estados semiáridos nacionais, o Piauí também tem sua parcela de sobrevivência para períodos de apenas três ou quatro meses à estação das águas. Os vegetais e animais naturalmente criam seus mecanismos de sobrevivência. As gentes também têm que ser criativas, mas estas pagam impostos e elegem representantes para enriquecer a vida coletiva e salvaguardar necessidades sociais. 

O bicho homem não tem que resistir a qualquer período de exclusão, a negligências de serviços essenciais que incluem saúde, condições dignas de moradia e água potável para consumo diário. O brasileiro precisa cada vez + entender que administrador do serviço público não lhe faz favor, mas deve obrigações garantidas pela Constituição. 

Água!! Esse líquido tão necessário à vida não pode ser privilégio d’alguns, às custas de bens naturais e de recursos públicos coletivos. O emprego do imposto social deve ser do social, não do ralo da corrupção useira e viseira da casta administradora do negócio público e escorregadia de prestações de contas do dinheiro não aplicado. 

Água!! Tratada e igualitária não é exclusiva de qualquer brasileiro, é bem necessário e emergente. Toda ela inclusiva. Os administradores devem ao brasileiro essa obrigação.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012


Mímesis de margem
por maneco nascimento

+ uma montagem de teatro da cidade ganhou vida de estreia no palco do Theatro 4 de Setembro, a partir das 20 horas, do 26 de janeiro de 2012. Um público compôs-se pela classe, amigos, convidados e curiosos que acorreram para ver, muito de perto, “Macacos me mordam! A Comédia”, do Grupo Harém de Teatro.
(cartaz "macacos me mordam..."/arte paulo moura: irmãos de criação)

Em seus 26 de carreira, na cena, o Grupo já deu provas de quem pode investir no que se propuser. Dramaturgos locais, nacionais e internacionais já passaram pela forja da oficina do riso e do drama experimentados pelo Harém. Dessa feita, a proposta seria uma dramaturgia toda de caráter autoral.

Juntaram-se as medidas, os novos pesos, as picardias contumazes da lingüística particular do Grupo, a maturidade recolhida do diverso de iniciativas, a linguagem reconhecível e de cepa e DNA identitários, o humor e histrionismo naturais do histórico das montagens anteriores e a fidelidade cênica de grupo e elenco. Feita luz: “Macacos me mordam! A Comédia”.

A dramaturgia e encenação de Arimatan Martins que, na montagem traveste-se de o Macaco Charles, o naturalista inglês Darwin, para enredar a história contada, tem sua cara, sua pele e pelos, ossos e fibras energéticas à quase manifestação yunguiana da individuação, de princípio da indivisibilidade entre interior e exterior. Mesmo ainda na margem, concorre para licença poética na cena viva de desenho dramático.
 (espetáculo: "macacos me mordam..."/igor campos, emanuel andrade e f. pellé/foto: margareth leite)

A iluminação, de estréia, atribuída a Roberto Sabóia em sua volta a projetos de teatro, ainda não descobriu o caminho das pedras. Estava à busca do ator. O ator é para a uma luz, como a luz para ele. Havia um descompasso. Elenco no escuro sem parecer proposta e elipsoidais em grande escala de céu em expansão desatomizada. A luz se identifica nos números musicais.

A pesquisa musical cumpre papel para propósitos planejados. A operação de som, de Zé Dantas, perdeu alguns tempos de sintonia de texto, ator e cena. Microfone que não capta a primeira fala do ator, em cena de abertura do espetáculo que vai guiar a platéia ao enredo, surtiu como ruídos na comunicação.

O áudio que entra no susto e pega o texto com bonde a meia estrada também deixa algo a dever à narrativa. Noutro momento, o ator e seu macaco narrador, sem o suporte do microfone auxiliar, impõem ao público a dificuldade de inaudibilidade. Voz pequena às vezes de intimista e “nô”, de Arimatan, não funcionou, mesmo em destaque de plano e foco frente do tablado.

A cenografia, que leva o nome de Emanuel de Andrade, é um dos + eficazes elementos para constituir uma “savana”. Preenche o espaço e transmuta-se entre material e imaterial de aplicação para desenvoltura do elenco. Simples e seco pano de fundo à base de cipós não poderiam melhor apresentar espaço para primatas e novos macacos em transformação de cotidianos.

Edmar Aquino acena painel de centro urbano, com assinatura e tudo à mostra, ganha em portfólio, caso tenha perdido espaço técnico no material de arte visual impresso. Belo painel.

Os adereços e figurinos, de Lopes Neto, também eficientizam-se na proposta. A pele dos primatas (macacões cor terra) é de natureza prática e elemental para signos e semânticas. Os figurinos das macacas divas também acompanham a trajetória evolutiva e emblematizam a antropologia da cultura de massa.

Kiko Moreira que assina a maquiagem cumpre papel pragmático. Está na esteira da estratégia evolutiva da dramaturgia.

O Corpo e Movimento, facilitados por Fernando Freitas, vê-se melhor aplicado caso a caso. Há ator com destreza natural motivada e outros apegados à leniência e indolência de corpos. Estes ultimos confundem-se na lingüística da esfinge de P. Weil e Tompakow e, ao que parece, também tornaram-se analfabetos da linguagem às cênicas.

Do + primata ao macaco que pensa, logo existe, Fernando Freitas desempenha teatro diferenciado. Ainda que para truques cênicos e macaquices sugeridas pela dramaturgia, consegue dar uma desenvoltura de ato de ator, numa redundância permitida, muito qualificável. Sua macaca Liza Minelli é show. Mas o tônus de ator e corpo está presente em todo o enredo.

Francisco de Castro ainda está em ato de tímida entrega. Seu macaco ainda não descobriu a sola dos pés. Só com essa consciência do corpo poderá vociferar a fera, redundância necessária, que sofre presa dentro de si. A construção da personagem conspira na margem, entre o drama (do ator e cena) e a picardia (solicitada), mas há uma força que precisa romper a pele do animal que pensa. E teatro é ciência.

A sua macaca Carmem Miranda pareceu tensa e contida pelo circunstancial da estreia e stress de toda natural falha humana. Com + azeite, esqueçam-se os estimulantes do passado da diva, tornará possível a sua macaca uma fonte de poder, com a verdade de cena, à pequena notável.

Kiko Moreira passa quase desapercebido, enquanto macaca comum. Cumpre o “mètier” e fica às custas dos colegas de cena. Porém torna-se muito visível com sua macaca Marilyn Monroe, para normas aplicadas às Marias, Stelas, Jeanes e Mortensens.

Emamnuel Andrade tem um esforçado desenho de teatro às boas intenções. Ainda fala pequeno, mas os traquejos lingüísticos e os trejeitos de natureza próprios ganham perfil para cena. O macaco não desceu da árvore em vão e teatro é a arte da repetição. Vai trocar o osso pelo tablet, no momento certo.

Francisco Pellé realiza um teatro + naturalista que neutro. Gagues e corpo largado ao efeito de cena despojada viram lugar comum. Carrega para a cena arquétipos de antigas memórias afetivas de personagens anteriores. Compõe no conjunto, mas está em desvantagem em ação de ator que se reinventa.

Arimatan Martins, como o pai da teoria da evolução das espécies na cena, cumpre a ciência do fingimento. Texto claro, salvo momentos em que a tecnologia falha, marca a passagem dramática a que se propõe. As pausas textuais aplicadas enfatizam o particular do didático imposto.

A grande surpresa foi Igor Campos. De manequim com passagem pelo primeiro mundo e experiência para sonho de faunos, em estréia na cena local, torna-se nessa montagem um segredo revelado. Tônus de corpo equilibrado e interpretação de entrega total. Sem medo de ser ridículo torna-se ator e gigante. No número musical é de verdade surpreendente, ganha a cena.

Macacos me mordam! A Comédia”, a nova linha de montagem do Grupo Harém de Teatro está no mercado, agora é só consumir. Ainda não tem a energia nem a dinâmica encontradas no pé direito de construções dramáticas anteriores, mas tem “feeling” invejável.

Macacos me mordam se essa nova edição de repertório do Harém não ganhar a forma que ainda está na mímesis de margem. Vida longa aos Macacos!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Rio em queda


Vida em queda
por maneco nascimento

A noite do dia 25 de janeiro de 2012 foi de susto e estarrecimento para transeuntes, contumazes e trabalhadores da área do centro velho do Rio de Janeiro. “Três prédios desabaram no Centro do Rio. O desmoronamento ocorreu próximo das 21h, desta quarta-feira (25), na região da Rua Treze de Maio.” (w1TenMinutes, em 25/01/2012, 22h39 – atualizado em 25/01/2012 23h15/ crédito da G1 RJ, com informações da Globo News)
(imagem aérea desabamento prédio/reprodução de foto da TV Globo)

As equipes de resgate do Corpo de Bombeiros encontraram, na manhã desta quinta-feira (26), três corpos de vítimas do desabamento dos três prédios no Centro do Rio de Janeiro. De acordo com a corporação, entre as vítimas há um homem e uma mulher, ainda não identificados.” (Bombeiros encontram três corpos em desabamento no Rio/26 de janeiro de 2012 – 10:32/blog serido190, por magno césar)
 (corpo de bombeiros em ação/foto colhida do blog serido90/magno césar)

Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro intensificaram hoje (26) as buscas por vítimas dos desabamentos de três prédios no centro da cidade. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas - quatro homens e uma mulher - e 20 estão desaparecidas. Cães farejadores identificaram dois focos onde, possivelmente, existam pessoas soterradas.” (Idem)

As chuvas, que voltam-se contra as populações serranas fluminenses e periferias cariocas, já causaram um bom estrago com deslizamentos e morte, nesses dias de verão.

E agora essa outra investida da natureza que pode ser creditada ao desgaste da engenharia civil praticada, movimentação de novas obras no prédio de vinte andares, ou até movimentação de placas tectônicas, no local, que incorresse a abalos que destruiriam prédios.
 (pessoas sendo socorridas por policiais/foto de marcelo piu/agencia o globo)

O Teatro Municipal do Rio de Janeiro, vizinho aos prédios ruídos, por sorte ou estruturas melhor sedimentadas, não sofreu nenhum dano de impacta aproximação do acidente, pelo menos é o que se tem de informações até aqui. Continua de pé, lindo e testemunho da dor dos colhidos pela surpresa.
(prédios desabados e teatro municipal/foto recolhida do blog serido190/magno césar)

Embora haja suspeitas de + vítimas soterradas e provavelmente mais mortes, o grau de tragédia, sem minimizar a ação, poderia ter sido pior. Sorte de quem já havia deixado os prédios, escritórios e negócios ali instalados.

Fossem edifícios residenciais, restaurantes, lanchonetes, ou lugar de qualquer outra maior concentração humana, no horário, então teria sido uma grande pá de cal sobre filhos da cidade maravilhosa.

Famílias apreensivas com a perspectiva dolorosa de parentes presos, ou “enterrados” sob os escombros de antigas construções, sofreram no momento da notícia e sofrem ainda com a espera. Tempo de angústia e movimentos à fé e esperança.

Essas edificações cariocas poderiam ter suas estruturas de bases corroídas pelo tempo e ação da natureza das coisas, obras e vida implementadas pelo homem, construtor das coisas para homens e aspirações sociais de sobrevivência. Quem vê a notícia a partir dos canais de informações se comove, se incomoda, mas não há sofrimento particularizado.

São tragédias anunciadas, descuido humano inconsciente ou negligência de quem nunca acredita que o raio caia sobre a própria cabeça? Dúvidas a serem dirimidas, investigações técnico-científicas que desvendem o mistério da morte daqueles edifícios que tiveram vida rumo aos céus.

Agora tomam rumo ao imponderável, ou recuperação em casas de saúde, as vítimas colhidas no susto de estarem naquele lugar, em hora talvez errada e imprevisível. Vai-se saber.

O Rio continua lindo, com suas praias, calçadões, zona sul e largos da carioca e noites do Leblon e Ipanema. Dorme com o riso banguela da baía da Guanabara, para Claude Levy-Strauss e Caetano. E também acorda triste e comovido com a volta ao pó de prédios e gentes, sujeitos do movimento noticiado, no centro carioca da Treze de Maio, para tragédias de verão.

A coluna de Cláudio Humberto nos informa: “Estação das Flores. A Presidência da República reservou R$ 2,8 milhões para uma brigada de 72 pessoas deixar nos trinques os jardins do Alvorada e do Planalto até 2013. O serviço inclui nomear árvores e eliminar pragas e parasitas”.(claudiohumberto.@meionorte.com/26 de janeiro de 2012)

O Brasil solidário com tragédias cariocas e fluminenses, assim como de outras plagas nacionais, inverte oração forte em proteção as gentes simples e trabalhadoras da cidade maravilhosa, cheia de encantos mil.

E acena com uma corbélia de flores naturais, não do orçamento presidencial, mas da mata atlântica fluminense para perfumar essa hora triste dos cariocas de vida em queda.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

“Eclampse!?!”


“Eclampse!?!”
por maneco nascimento

Da ciência médica e obstétrica tem-se que a pré-eclampsia, conhecida por toxemia gravídica, seria problema que acomete algumas mulheres durante a gravidez. Ocorreria a partir do quinto mês, com + freqüência durante a primeira gravidez em mulher com histórico de mães, ou irmãs que tiveram o agravo da saúde. (guiainfantil.com/ eclampsia/345-pre-eclampsia-e-eclampsia-na-gravidez.html -)

De causas ainda desconhecidas, muitas teorias relacionam o problema a fatores genéticos, alimentares, vasculares, neurológicos, etc, mas nenhuma delas chegou a confirmar-se. Normalmente a pré-eclampsia se reconhece pela hipertensão arterial, aumento de peso e proteínas na urina. (Idem)

Já a eclampsia trata-se de uma toxemia gravídica com convulsões, um quadro + agravado da pré-eclampsia. A mulher grávida apresenta os sintomas da pré-eclampsia e chega a ter convulsões e outras reações mais preocupantes para ela e para o bebê esperado. A mortalidade materna, no Brasil, é uma das piores do mundo. 75% das mortes por hipertensão na gravidez têm como causa a pré-eclampsia e a eclampsia. (Idem)

Agora, quando se sai da ciência e prevenção da maternidade e se entra em fenômenos metereológicos, a ordem ainda será ciência e o tema eclipse.
(fases da lua/imagem colhida da wikipédia)

O eclipse lunar ocorre sempre durante a fase da Lua cheia, pois ela precisa estar atrás da Terra, do ponto de vista de um observador no Sol. Como o plano da órbita da Lua está inclinado 5° em relação ao plano da órbita que a Terra realiza ao redor do Sol, nem todas as fases de Lua cheia levam a ocorrência do eclipse. (Wikipédia, a enciclopédia livre/acesso: 25/01/12, às 12h25m)
 (lua cheia/imagem colhida da wikipédia)

O eclipse ocorre sempre que a fase de Lua cheia coincide com a passagem da Lua pelo plano da órbita da Terra. Este ponto onde a órbita da Lua se encontra com o plano da órbita da Terra chama-se nodo orbital. O nodo pode ser classificado como ascendente ou descendente, de acordo com a direção que a lua cruza o plano. (wiki)

Outros fenômenos também se manifestam em ações lingüísticas, maternidade, sinais metereológicos e por entre a indústria do cinema, mass media, entretenimento e lazer. O cinema inventou uma caixinha de “surpresa” e lucro, o fenômeno “vampire teen” (“crepúsculo”, “new moon”- a saga crepúsculo: lua nova, “eclipse”, “amanhecer”, etc).
(saga crepúsculo:lua nova/imagem colhida da wikipédia)

O teatro local apropriou-se dessa febre juvenil e incursionou em paródia para teatro. Em seguida, registrou ao cinema doméstico a experiência muito bem aceita pelo público infanto-juvenil de Teresina.

Da prática da cena, em tablado, para a tecnologia de cinema, a Tribo de Teatro (Franklin Pires) assumiu o exercício da paródia num inteligente e comercial produto para o público do gargarejo direcional. Colheu frutos e tem rendido boas risadas a quem concorre a “fenômenos” com textos, roteiro, direção do próprio Pires.

Dos filmes americanos, dirigidos por Chris Weitz, o dramaturgo piauiense parodiou "crepúsculo" e "eclipse". Em 2011 viu-se "corpúsculo" ( teatro e cinema). Ainda ano passado, a peça “eclampseganhou vida e também transmutou-se em montagem homônima à telona. Estreou dia 20 de janeiro de 2012, às 17h e 19h, na Sala Torquato Neto.
(elenco de eclampse/foto divulgação)

Paródias americanas de cinema não são novidades, vide “Todo mundo em pânico”, “Espartalhões”, etc. Para a saga de vampiros juvenis americana, Jason Fredberg & Aaron Seltzer mataram de rir o público afinado emVampires Suck”, que no Brasil recebe tradução deOs vampiros que se Mordam”.

A estética da paródia americana ganha forma e corpo aproximado no resultado da Tribo de Teatro. O sotaque local, trejeitos e máscaras carregam-se a partir da maquiagem bem desenvolta na paródia original. Já dizia Lavoisier que na natureza, nada se cria, tudo se transforma. Franklin Pires consegue uma boa transformação.

As iniciativas ao novo teatro e à experimentação de cinema local têm méritos. O texto é risível. O enredo de roteiro é útil e inteligente e o elenco tem desempenho satisfatório. F. Pires atualiza a piada que orbita na realidade de Teresina, fica contextual e gera identidade imediata a quem assiste a seus laboratórios do riso e do entretenimento.

Eclampse!?!”, ainda em cartaz na Sala Torquato Neto, é uma boa pedida para quem só quer rir e confirmar projeto da Tribo de Teatro que tem lugar ao sol ou à lua, seja eclipsado ou não. Na órbita de sobrevivência impõe-se em dias comuns para lobisomens e vampiros disfarçados de boa gente na cidade que não tem mais fim.

Não há hipertensão que gere uma eclampsia, o popular eclampse, como “causa mortis” desse projeto do entreter local. A lua é boa para investimentos e o público engravidou-se sem convulsões, ou qualquer outra reação negativa.

Bid Lima/Bela Suína (Bella Swuan), Franklin Pires/Eduardo Cualém (Edward Cullen) e Luciano Brandão/ Jacob Pink (Jacob Black) formam o triângulo amoroso da mocinha, o vampiro e o lobisomem. Não estragam-se no desempenho histriônico, são mote para os colegas atores com quem contracenam e conspiram para que não falhe a estratégia.

“Eclampse!?!
", o filme, um gracejo necessário e não há eclipse que o desmanche. O que há na cidade é uma iniciativa de desmanche da velha prática cênica e um cinema alternativo feito por uma juventude “furiosa” e agressivamente irônica. A cidade está grávida à arte, sem eclampsia, que se estabelece por si mesma.

Fonte/pesquisa: *guiainfantil.com
                           *wikipédia, a enciclopédia livre
               

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Faça chuva, faça lua.


Faça chuva, faça lua
por maneco nascimento

Manter a agenda acesa e o centro da cidade em movimento é o que o promotor cultural João Vasconcelos tem feito desde que pegou a gerência do Bar do Clube dos Diários. Depois que aquele espaço ganhou novo fôlego, projetos têm tido forma e expressão para a música, a dança, o teatro, o circo e as artes visuais.

As paredes do Bar vêm recebendo exposições mês a mês, temáticas do mais diverso matiz. Por ali já passaram o XVI Salão de Fotografia de Teresina, Avelar Amorim(individual), UAPPI(coletiva), Jader Damasceno e seu nú artístico, Clênia Moreira(fotos still de lançamento do clip “A Espera”, do Batuque Elétrico), Temístocles Waquim(individual) e, nesse janeiro 2012, Vick Oliveiras apresenta suaTelas e Bonsais”.

As semanas foram ganhando força de ocupação, ano passado, com atividades culturais e artísticas e oportunizaram novos criadores a mostrarem a cara. De segunda a sábado, a partir das 19 horas, sempre um bom motivo para dar uma passadinha pelo espaço efervescente. Segunda Feira, o “Clube do Vinilganha fôlego e quem quiser que ouça a música de sua escolha.

Terça Feira, dia das cênicas, o projetoEu, você e o teatro da minha vidatrouxe dança, teatro e performances criativas e, para esse janeiro, os Grupos Proposta de Teatro, Truá Cia. de Teatro e Indigentes de Teatro ocuparão a pauta, às 19 horas
(Um brasileiro no Céu(Junior Marks e Vitorino Rodrigues), do Grupo Proposta de Teatro/divulgação)

A quarta feira foi só Boca da Noite calorosa. E a ocupação desse espaço cativo, nos dias de verão que seguem, será com oProjeto de Férias”, que cai como uma luva. E já no dia 25 de janeiro, Fátima Castelo Branco e convidados lança o Bossas de Verão”.

Na quinta feira o que começou comoTô na fossa, não sente na minha mesa...transformou-se emFossa Novae o público faz o repertório

A 6ª. Feira engorda a noite com oViolão Intimista”, mas para esse período de férias, uma vez ao mês, o que ganhará gingados e expressão será oReggae na boca”, com uma nova edição já para o dia 10 de fevereiro. Mas antes, dia 08 de Fevereiro, Elis Regina será tema de belo canto emElis Vive”, em sua vigésima edição.

O Sábado é livre ao freqüentador assíduo e ao que esbarra naturalmente no local. É basilar para encontros e despedidas, discussões abertas e culturais, shows agendados pelo artista e festas diversas. Foi assim no ano que findou e será melhor, de novo, nesse ano que já começou a pegar forte e rente à agenda das noites do centro.

O Complexo Cultural Teatro 4 de Setembro/Clube dos Diários sempre teve uma vida natural de transeuntes que andejam no quadrante que envolve o Centro de Artesanato “Mestre Dezinho" Praça  Pedro II, a Casa de Espetáculos, a Galeria e o Bar do Clube do Diários e o centro comercial da cidade

Tudo se afunila aos Projetos que envolvem o 4 de Setembro e às atividades artístico-culturais de seu entorno.  O Espaço Cultural “Osório Junior” e o Bar do Clube dos Diários, em ação cultural permanente, interagem e fomentam atividades de lazer e entretenimento depurados porque a arte não pode parar. E João Vasconcelos reitera que, bem bonito é sempre manter acesa a chama cultural.

Faça chuva, faça lua, o centro da cidade de Teresina não pode passar sem as noites do Bar do Clube dos Diários, em sua calçada da fama ou na boa vizinhança doOsório Junioràs práticas musicais e cênicas.

Agende-se ao:
Projeto Eu, você e o teatro da minha vida”:
 - dia 24 de janeiro: “Um Brasileiro no Céu” (Proposta de Teatro)
 - dia 31 de janeiro: “17 Minutos antes de Você” (Truá Cia. de Espetáculos)
- dia 07 de fevereiro: “Sol Sanguíneo” (Indigentes de Teatro)
Projeto de Férias:
- dia 25 de janeiro: Lançamento CD “Bossas de Verão
- dia 08 de fevereiro: “Elis Vive
- dia 10 de fevereiro: “Reggae na boca
Exposição: “Telas e Bonsais”, de Vick Oliveiras.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Elis, Elis!

Elis, Elis!
por maneco nascimento
Um arrastão de luz bateu às portas do Brasil em 17 de março de 1945, lá pelas terras do rio grande, na Porto Alegre do sul do país. Elis Regina Carvalho Costa, já aos 11 anos experimentava vida de artista ao se apresentar na Rádio Farroupilha, ensaiando seus primeiros trinados como cantora.
Das experimentações à profissionalização conseguiu contrato efetivo na Rádio Gaúcha em 1959 e num salto em construção pisou no Rio de Janeiro, em 1960, onde gravou o primeiro “compact disc” nas ondas da Continental. Em 1961 a menina moça com seuViva a Brotolândia”, primeiro “long play”, arriscava a calçada da fama com rocks baladas e voz em franquíssimo processo de afinação.
(elis em álbum de família/foto reprodução)
Volta a Porto Alegre e, em 1964, ano emblemático à história de um Brasil de brigadeiros, retorna definitivamente ao Rio. Na TV Rio trabalha ao lado de Jorge Ben, Wilson Simonal e outros. A canção brasileira chegou + forte fosse para fins de verão, ou ao diverso de outras estações, em 1965. Edu Lobo, Vinícius de Moraes e Elis Regina levaram o 1º. Lugar no Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior. Um sentimento em voz, força e alma concentrada deArrastãoinvadiu o Brasil para sempre com a arte deEliscóptero”.

(elis regina/foto reprodução)

Nasceu naquele festival da cançãoEssa mulher” que seria a maior cantora do Brasil, para bossas e outras notas. Intérprete de dores, amores, as alegrias, canções de amor e de amigo. Para “O Bêbado e a Equilibrista”, com "Fé cega, Faca amolada” em “Romaria” fosse para “Roda”, “Atrás da porta”, ou em dias de “Águas de Março”, refletiu-se em “Como Nossos Pais” e lembrou que “Aos nossos filhos” e para “Casa no Campo” o “Transversal do Tempo” pode ser até uma “Brincadeira de Roda”.
Entre as maiores improvisadoras do mundo, Elis foi furacão para córregos, águas mansas e mares bravios que abrigassem oCorsário”, que emAviso aos navegantescunhou sempre aCanção da América” com Fascinação”. Essa nossa Pimentinha arretada cantou loas às mulheres do Brasil, comoDoce Pimenta”.
(elis/nerophotosnapview.file9/reprodução)
ElafosseCruz de Cinza, Cruz de Salvinha em doce canção aoSonho de Maria”, à “Vida de Bailarinae, feitoCartomante”, mostravaO que foi feito de Vera”, “As Memórias de Marta Sare”, a “Mulata Assanhada” e a “Nega do cabelo duro”, os dias deMulheres de Atenas”, “Osanah”, “Joana Francesa”, “Maria do Maranhão”, “Maria Rosa”, “Maria, Maria”, “Luiza”, “Madalena”, “Rosa Morena”e “Sá Marina”. ApontouDinorah, Dinorahe disse queTeresa sabe sambar”.
A eterna madrinha do jovem Gil, de Fagner, de Ivan, Belchior, João Bosco e Aldir, Marcos e Paulo C. Valle, Renato Teixeira. Comadre de Milton. Amiga de Rita, Chico, Francis Hime, Vinícius, Edu, Baden, Adoniran, Tom Jobim. Cantou Roberto, Dorival, Nelson Cavaquinho, Dolores, Dori Caymi, Ary, Caetano, Gonzaguinha, Sueli e Abel, Tavito e Zé Rodrix, Tunai e Sérgio Natureza, Fátima Guedes e um mundo de outros grandes compositores brasileiros.
(elis e adoniran/nerophotosnapview.files9/reprodução)
Rivalizaram-na com Nara e outras belas vozes nacionais sem que buscasse serCalcanhar de Aquiles pois não plantou "Bolero de Satã". A “Corujinhaque nunca foiBicho do matofoi quem primeiro gravou Beatles por essas bandas e também louvou Violeta Parra e Mercedes Sosa, “Gracias a La Vida”!
Três décadas sem que se esqueça do belo sorriso e canto gracejado em doce suing. A “Fotografiaainda está muito viva, memórias deRetrato em Branco e Pretosempre nos colhem numAlô Saudadecomo se fosseCanção do Sal”, mas comoAs Aparências Enganam”, as “Folhas Secas”, mesmo que, à primeira vista, nos possam arremeter a umCanto Triste”, o “Amor Demaisà profissão encarada por Elis leva-nos ao prazer das doces lembranças de quem interpretou também emAltos e Baixose que depois das promessas deBrigas nunca maissonhou com oBom Tempo”.

Elis, Elis! AFelicidadequeO compositor me disseem sua voz é o que há de melhorConsolação”. E sei que no frigir dos ovos, tirados osNove Fora”, no momento doGol anuladoem que o país viu a voz do Brasil partir paraNova Estaçãoe navegar por outroCais”, tive que aprender queSe eu quiser falar com Deustenho que compreender que oÚltimo cantode sua presença não é nenhum Canto Tristee você continua a reverberarAté o fim”.
Embora nosso sentimentoFechado para Balançoguarde-se em álbum deSaudade do Brasil”, nunca estará perdido. Recorda-se das boas memórias da performance de  técnica poderosa e fôlego hercúleo para fazer valer seu canto, fosse porBala com Bala”. E mesmo que em tom + alterado dissesseBasta de clamares inocência”, sabia queNada será com antese acabava dando “Aquele abraço” no melhor da canção brasileira.
Como, também, representante deA voz do morrobrincou deAnos bluesparaBodas de pratae Canção de não cantar”. Então quando se pensar em Elis será para se confirmar que não há Cadeira vazia”.
 E, com todo seu bom humor, ao ser inquirida sobre a própria ausência, a Pimentinha responderia queÉ de manhã”, que é tempo deCanção do Amanhecer”. Aos insistentes em investir àCaça a raposa”, talvez gracejaria: “Eu, hein, Rosa”, “Diz que fui por aiporque aEternidadeé uma belaEstrada do Sol”.

fonte de pesquisa: *bloguol/elisreginapimentinha.zip.net
                              *wikipédia, a enciclopédia livre

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Para macacos e espelhos

Para macacos e espelhos
por maneco nascimento
O abc do Harém chega ao autoral. Depois de investir em autores piauienses (Chico Pereira da Silva, Gomes Campos e Benjamin Santos), nacionais (Plínio Marcos) e internacionais (Garcia Lorca), agora é a hora e a vez da augusta matraca morder aos seus e aos outros. Na apresentação da primeira montagem autoral à linguagem da comédia, terra conhecida do grupo, vai o melhor esforço do teatro de propósitos.
(cartaz "Macacos me mordam - A comédia"/acervo harém de teatro)

Macacos me mordam – A comédia” tem previsão de estréia entre os dias 26 a 28 de janeiro de 2012, no Theatro 4 de Setembro, às 20 horas, abrindo temporada para o ano em curso. A companhia de teatro que apresenta, no histórico, 18 montagens do diverso da cena, em 26 anos de carreira, resolveu abrir-se à primeira experiência de construção autoral que, naturalmente, deve enveredar pela graça do histriônico muito experimentado.
Para discurso do grupo, a nova montagem refletirá sobre os processos de criações anteriores e que, na linha de pesquisa, buscauma linguagem própria para desenvolver o seu primeiro trabalho autoral, enveredando mais uma vez pelo humor e procurando se aprofundar na sátira”, palavras do diretor e dramaturgo de cena, Arimatan Martins, que dessa feita também fará as vezes de ator. Um mergulho no popular, sem queda na pieguice, completa o artista.
Macacos me mordam – A comédiafará um “picknick no front” dos grandes momentos da história artística e científica, na tentativa de gerar uma explicação à origem e evolução do homem e da comédia, apreende-se do release. A peça, para curso de dramaturgia aplicada, desenrola-se em capítulos que vão mostrando alguns momentos da grande descoberta, a Evolução das Espécies, de Charles Darwin.
Para Francisco Pellé, que também integra o exercício cênico, o mote será apresentar um evolutivo dos primeiros macacos até as divas de Hollywood”. Será o Harém no uso da própria experiência e maturidade do fazer teatral. “Macacos me mordam conta a história, que agora evoluiu no seu jeito de se contar”, completa Pellé.
(cartaz "Macacos me mordam - A comédia"/acervo harém de teatro)
No elenco deMacacos me mordam – a Comédia”, ganha-se o reforço de cena com Fernando Freitas, Francisco de Castro, Kiko Moreira e Emanuel Andrade. A estréia deve acontecer no Theatro 4 de Setembro, às 20 horas, e a concorrência à bilheteria terá que custear o ingresso ao preço de 20 reais, a inteira, e 10 reais a meia entrada.
(cartaz "Macacos me mordam - A comédia"/acervo harém de teatro)
Como atribuem a Aristóteles que “o homem é o único animal que ri de si mesmo”, então que o espelho, sem sombras de dúvidas, reflita a própria espécie em auto-gracejo.

Que afiem dentes os macacos, porque o tempo deverá fechar-se ao riso e entretenimento quando a hora chegar.
Ave, Madalena de Dercy
por maneco nascimento

   Começa em Madalena, ou melhor, em Santa Maria Madalena, cidade com nome de santa alçada ao status de braço direito do Mestre, segundo rumores de descobertos evangelhos apócrifos, a história de uma grande atriz.
(pórtico da cidade de Dercy/imagem divulgação)

(vista áerea da cidade de Madalena/foto de mário guimarães)

   Localizada na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, numa altitude aproximada de 632 metros, plantada entre vales que se mimetizam com o azul vivo das montanhas e o verde da Mata Atlântica, fica a terra que pariu Dolores Gonçalves Costa, a famosa Dercy Gonçalves e que ela, nos depoimentos econômicos chamava simplesmente de Madalena.

(vista aérea da cidade de Madalena/foto de mário guimarães)
   Recentemente, a tevê globo realizou minissérie, em quatro capítulos, pincelando nuances da rica vida de glórias, atropelos, determinação e coragem de ser artista, conquista incontestável da inesquecível Dercy. “Dercy de verdade” para a tevê é o homônimo do enredo dramático de início de carreira da grande artista em programas de tevê, teatro, chanchadas e cinema nacional.

   O que à época era matar um leão a cada intervenção do contrário, a minissérie reconta as boas memórias da desbocada, inteligente, perspicaz e grande dona do próprio nariz. O texto, de Maria Adelaide Amaral com colaboração de Leticia Mey, não perde o fio de Ariadne quando o assunto é sucesso, novelas e minisséries biográficas.

(maria adelaide amaral, jorge fernando, heloisa perissé e fafy siqueira/imagem acervo quem acontece)
   A parceria com a direção de Jorge Fernando, que dirigiu a diva no teatro e na televisão e deve ter investido tempo de orgulho na atriz, dá uma qualidade de ver histrionismo, televisão enxuta com dramaticidade risível e cheia de encantos de memória e história do teatro e televisão brasileiros.

   Sua verdade sempre propagada, “doelha a quem doelha”, demonstrou uma Dercy dona de seu tempo e de sua hora sempre vociferada à força do braço forte e energia para continuar trabalhando pela manutenção da própria história.

   O início do século XX trouxe ao país das cênicas a pequena luz que se tornaria na grande mulher dos holofotes e ribaltas do show “biz”, até desaparecer em 2008. Em 1907, Dolores Gonçalves Costa rebentou as terras ao sonho, fantasia, lúdico e alegria e construiu vida longa à rainha para reinado até os 101 anos. Quem nunca ouviu as histórias de Dercy.

   No elenco da minissérie, as homenagens se somam ao talento, carisma e grande empenho de um dos mais antigos ofícios da humanidade criativa, o ato de fingir. Heloísa Perissé, na fase jovem, e Fafy Siqueira, na segunda fase, são show de bola aureada.

(tuca andrada e heloísa perissé: Dercy de Verdade/foto acervo teve globo)
   Seguem de perto, para universo conspirador, Walter Breda(Manuel, o pai), Fernando Eiras(falso marido e ator da Companhia de Teatro Maria de Castro), Cassio Gabus Mendes(Valdemar,amante, protetor cuidadoso e pai da filha de Dercy), Anderson Di Rizzi(Jararaca), Tuca Andrada(Augusto Duarte), Mayara Neiva(Olímpia), Rosi Campos(Bita), Samara Felippo(Decimar, a filha), Ricardo Tozzi(Vito Tadei), Armando Babaioff(Homero Kossak), Daniel Boaventura(Dr. Simão), Eduardo Galvão(Walter Pinto), Danton Mello(Carlos Manga), entre outros.
(fafy siqueira e armando babaioff: Dercy de Verdade/foto acervo teve globo)

   Ninguém contestaria resultado melhor, saído das mãos de Maria Adelaide Amaral, a partir do livro “Dercy de Cabo a Rabo”, escrito pela própria autora. Uma graça de sorriso e eternização às novas tecnologias de um dos + raros e livres depoimentos de vida e obra praticadas à arte de ser feliz, “Dercy de Verdade”, a minissérie.
(heloísa perissé e cassio gabus mendes: Dercy de Verdade/foto acervo teve globo)

   De Santa Maria Madalena, a menina e mulher de língua voraz e discurso ético, sem meias palavras, que tinha a cidade natal no perímetro do Parque Estadual do Desengano, cresceu quebrando todos os desenganos e nunca a alcunha de “puta”, em início de carreira, desalojou-a do complexo desejo e teimosia em ser artista.

   Viveu bem, amou, forjou a própria sorte à força do fogo dos deuses do território de hefestos e jamais traiu o próprio nome. Dercy para sempre Dercy. Gostassem a ditadura ou as famílias católicas, defendeu com honra a profissão de artista como leoa que guarda a porção parida.

   Salve Dercy e viva o teatro brasileiro!

·    Fonte de pesquisa: *N T – na telinha/acesso em 17/01/2012, às 15 horas
                                           *portaldasnoticias.com/acesso em 17/01/2012, às 15h10m